Irreconhecível, Subúrbio vive segundo domingo consecutivo sem Feira do Rolo

salvador
14.03.2021, 13:10:00
Atualizado: 14.03.2021, 14:39:30
Baixa do Fiscal ficou irreconhecível para um dia de domingo (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Irreconhecível, Subúrbio vive segundo domingo consecutivo sem Feira do Rolo

Ação conjunta proíbe aglomerações e irregularidades no local

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O segundo dia de fiscalização da Feira do Rolo, em Salvador, foi de tranquilidade, neste domingo (14). Com exceção de alguns poucos vendedores ambulantes que insistiram em desrespeitar a norma, tanto a Baixa do Fiscal como o Largo do Tanque ficaram vazios. O objetivo da ação é coibir aglomerações e irregularidades.

Os primeiros agentes chegaram ao local por volta das 6h30. As áreas de fiscalização são a Baixa do Fiscal, o Largo do Tanque, e a Rua Nilo Peçanha, que faz a ligação entre esses dois pontos e que estava sendo usada como uma extensão da Feira do Rolo. A presença dos fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), da Guarda Municipal, e da Polícia Militar intimidou os vendedores, mas não todos.

Materiais são apreendidos (Foto: Paula Fróes)

Alguns grupos se concentraram em esquinas próximas aos locais onde tradicionalmente a feira acontece, foram abordados por agentes e tiveram os materiais apreendidos. O vendedor ambulante Manoel Ailton dos Santos teve cerca de 200 máscaras apreendidas, mas explicou que não trabalha na Feira do Rolo.

“Eu sou baleiro, vendo nos ônibus. Eu desci aqui [Largo do Tanque] e estava esperando outro ônibus quando um rapaz pediu uma máscara e eu vendi, mas eu não trabalho aqui. No domingo passado eu vendi 280 máscaras nos ônibus. Eu começo a rodar às 7h30 e vou até a noite. Mesmo assim eles apreenderam minha mercadoria”, disse.

Manoel dos Santos estava com o crachá de baleiro (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Os agentes afirmaram que a comercialização de todos os tipos de produtos está proibida nessas regiões. O inspetor geral da Guarda Civil Municipal, Marcelo Silva, explicou que essa operação já era realizada há alguns meses, mas que foi intensificada na semana passada para coibir a aglomeração gerada pela feira.

“O problema é que como o que se comercializa aqui não tem fonte regular, a prefeitura não pode legitimar certas ações. Algumas pessoas questionam: ‘Por que não cedem um lugar para eles ficarem?’. Mas eles não são credenciados e o que vendem não é de fonte regular. Já apreendemos aqui armas, simulacros, pássaros, além de ser um risco sanitário. O argumento de que eles dependem dessa atividade para sobreviver também é questionável. Essa feira só acontece uma vez na semana”, afirmou.

Inspetor Marcelo Silva contou que pelo menos 40 agentes estão trabalhando (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

No domingo passado, os fiscais da Semop encontraram estruturas de ambulantes fincadas ao chão, o que não é permitido, e elas foram removidas. Cerca de 100 trabalhadores estão atuando nessa operação, com 21 viaturas, cinco da Guarda Municipal e, pelo menos, 15 policiais militares. A secretária da Semop, Marise Chastinet, disse que o objetivo principal é proteger a população.

“Essa operação tem sido feita desde o ano passado. Nós intensificamos no último domingo, aumentando o quantitativo de agentes. Ela surgiu em decorrência da comercialização de produtos irregulares nesses locais, e ocorre também para evitar a aglomeração por conta da covid”, disse.

(Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Com a praça e as calçadas desobstruídas a paisagem mudou. Algumas pessoas aproveitaram para caminhar, outras para pedalar, e houve quem sentasse nos bancos para bater um papo, contrariando a recomendação para ficar em casa.

O subtenente da PM, Maia Sousa, responsável pelo plantão deste domingo, disse que a ação é importante também porque dá uma sensação de segurança para a sociedade. “As pessoas se sentem mais protegidas, porque, apesar de estarmos aqui para coibir a Feira do Rolo, estamos a disposição também para atender outras questões relacionadas à segurança pública”, contou.

Com espaço livre algumas pessoas aproveitaram para caminhar e pedalar (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

A dona de casa Maria Cecília Moura, 47 anos, comentou a operação. “É horrível passar por aqui domingo pela manhã. A rua está sempre tomada, a gente precisa caminhar na pista, e tem todo tipo de gente. Sei que tem muito trabalhador, mas tem muita gente errada no meio. Para a gente, que é morador, é melhor do jeito que está hoje”, disse.

A fiscalização acontece durante todo o dia. A população também pode ajudar denunciando aglomerações, som alto ou qualquer outra situação referente aos decretos e ao combate à Covid-19 através do Fala Salvador, pelo número 156 ou site.

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