Linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin: conheça as doenças que afetaram famosos

bahia
05.10.2021, 05:30:00
O comentarista esportivo Caio Ribeiro anunciou nesta segunda ter se curado do câncer (Reprodução/TV Globo)

Linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin: conheça as doenças que afetaram famosos

PM baiano de 24 anos luta contra a doença e aguarda transplante

Em março do ano passado, com então 22 anos, o policial militar Felipe Costa se sentia preparado para enfrentar o novo coronavírus, que chegava à Bahia. Pouco antes, havia trabalhado no Carnaval de Salvador. O PM praticava atividade física e vivia sua rotina, até que uma tosse mudou tudo. Na sequência, sentiu um cansaço inexplicável, dificuldade para respirar e até para conversar. À noite, suava mesmo no ar-condicionado. Em visitas ao médico, a suspeita inicial era a covid-19, mas, o diagnóstico apontou para o Linfoma de Hodgkin, o mesmo tipo de câncer que atingiu o ex-jogador e atual comentarista da Rede Globo, Caio Ribeiro, que anunciou ontem estar curado da doença, após passar por quimioterapia.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no ano passado, 1.590 homens e 1.050 mulheres em todo Brasil foram diagnosticados com Linfoma de Hodgkin. A doença surge quando um linfócito (célula de defesa do corpo), mais frequentemente um do tipo B, se transforma em uma célula maligna, capaz de se multiplicar sem controle antes de iniciar a disseminação. Com o passar do tempo, essas células podem se disseminar para tecidos próximos, atingindo outras partes do corpo. 

Médica hematologista, Liliana Borges explica que o Linfoma de Hodgkin é uma doença mais comuns entre adolescentes e adultos jovens (15-29 anos), apesar de não ser exclusiva dessas faixas etárias. De acordo com o Inca, homens têm mais propensão do que mulheres.

A doença inicia, com maior frequência, nas regiões do pescoço e do tórax, no mediastino, justamente como aconteceu com o PM baiano Felipe Costa. "Recebi a confirmação um dia antes do meu aniversário de 23 anos. O diagnóstico apontou que estava no estágio IV, o mais avançado. Tinha uma massa grande no mediastino que descobri após um derrame pleural bastante volumoso. Meu tumor tinha 12 cm", conta.

O PM Felipe Costa descobriu o câncer pouco antes de completar 23 anos; atualmente ele faz imonoterapia, enquanto aguarda o transplante

(Foto: Acervo Pessoal)

Terapia

O comentarista Caio Ribeiro revelou que respondeu bem ao tratamento com quimioterapia e aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio dos fãs logo após descobrir a doença. "Sexta-feira eu fiz o exame, o PET Scan, um tipo de ressonância para ver como estava a resposta à quimioterapia, e não existe mais nenhum linfoma no meu corpo. Zerado", afirmou, em vídeo.

Para o baiano Felipe, se lutar contra um câncer já é difícil, no meio da pandemia foi muito pior. “Se eu contraísse o vírus, as chances de ser fatal eram altas. Então fiquei mais de 10 meses isolado no quarto, saindo o mínimo possível, minha rotina era casa e hospital", contou.

Para enfrentar a solidão e manter a saúde mental, o policial teve apoio terapêutico desde as primeiras sessões de quimioterapia e passou a realizar lives na Twitch, transmitindo um de seus maiores hobbys: jogar videogame. No Dia Mundial de Combate ao Câncer (04 de Fevereiro), ele contou um pouco de sua história no Twitter e ganhou apoio de streamers como Casimiro, um dos mais famosos do país. "Isso foi muito importante porque eu socializava. Se tivessem duas pessoas me assistindo, já valia a pena, me sentia acolhido”.

Durante o tratamento, Felipe chegou a identificar outro nódulo na axila. Com a quimioterapia, vieram também os desconfortos: enjoo, falta de apetite, cansaço e a necessidade de muita força de vontade para seguir adiante. Atualmente, o PM passa por sessões de Imunoterapia e aguarda um transplante de medula.

Diagnóstico precoce

A hematologista Liliana Borges afirma que o diagnóstico precoce é muito importante para a cura. Além de tosse, cansaço e sudorese noturna, outros sintomas são o surgimento de um ou mais caroços sob a pele, coceira e perda de peso sem motivo aparente.

O tratamento mais comum é a quimioterapia ABVD, por via venosa. A depender do quadro do paciente, há indicação de radioterapia. Ainda segundo a especialista, não se sabe o que causa a doença. De certeza, só a de que é uma enfermidade adquirida e não hereditária.

Hodgkin e não-Hodgkin

O linfoma é o sexto tipo de câncer mais comum em todo o mundo. Nos últimos anos, além de Edson Celulari, o também ator Reynaldo Gianecchini, a presidente Dilma Rousseff e a autora de telenovelas Glória Perez tiveram a doença e se curaram. Já o ator Caike Luna, de humorísticos como "Zorra Total", da TV Globo, e "Baby Rose", "Treme e Treme" e "Xilindró", do Multishow, lutava contra um linfoma não-Hodgkin desde abril e não resistiu.

A principal diferença entre as duas categorias é o tipo de linfócito afetado. Enquanto o linfoma de Hodgkin é marcado pela presença de células de Reed-Sternberg, no linfoma não-Hodgkin, essas células não estão presentes.

O linfoma não-Hodgkin pode surgir nos gânglios linfáticos em qualquer parte do corpo, enquanto o linfoma de Hodgkin, geralmente, começa na parte superior do corpo, como pescoço, tórax ou axilas. Além disso, o não-Hodgkin geralmente não é diagnosticado em estágio inicial, o que pode dificultar os prognósticos de tratamento e cura. Por conta disso, a propensão do paciente morrer pelo tipo não-Hodgkin também é maior.

Um dos aspectos mais preocupantes desse tipo de câncer que atinge o sistema de defesas do organismo é o fato dele comprometer a circulação dos glóbulos brancos, responsáveis pelo combate às doenças causadas por vírus e bactérias. O sistema linfático é formado por gânglios ou linfonodos que produzem as células de defesa do organismo (linfócitos). No linfoma, esses linfonodos se reproduzem de modo desordenado.

Para Carlos Chiattone, hematologista e diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), o linfoma não está entre os cânceres mais frequentes, mas teve aumento nas últimas décadas.  

“No sistema público de saúde há um retardo muito grande entre o início dos sintomas e o começo do tratamento, os pacientes, ao se fazer o diagnóstico, a doença já está muito mais avançada do que no perfil do paciente de estabelecimentos privados”, acrescenta o médico.

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