Mercado consumidor vegano cresce em Salvador

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25.01.2021, 06:00:00
Mil-folhas de batata doce, espinafres e tomate ao molho branco de couve-flor: umas das delícias que é sucesso no Malembe, em Salvador (Foto: Nélida Gonçalves/Malembe)

Mercado consumidor vegano cresce em Salvador

Com criatividade e conhecimento, dá para montar um negócio atrativo para esse público

Veganismo. Uma palavra que poderia soar estranha há pouco mais de 10 anos, mas que hoje faz parte do cotidiano de muitas pessoas. A Sociedade Vegana do Brasil explica que o veganismo é o que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração animal, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento e no comércio. 

Não há pesquisas que estimem o número de pessoas veganas no Brasil, mas o último levantamento do Ibope sobre a quantidade de vegetarianos -quem não consume carne, mas consome produtos de origem animal - chegou a 30 milhões. O que isso quer dizer? Que há um mercado aquecido de pessoas procurando um bom atendimento e bons produtos para consumir.

E já tem muita gente que compreendeu essa realidade aqui em Salvador. Mais especificamente no coração do Centro Histórico. Em junho de 2019 quando quatro mulheres se juntaram para criar um espaço que tinha de ser "democrático e voltado para a comunidade negra de Salvador". Dessa maneira nasceu o Malembe, bar e restaurante no Pelourinho, conforme lembra uma das donas - a empresária Mônica Tavares. Ela se juntou a Milena Moraes, Daiane Menezes e Diana Rosa.

Angolana, foi Diana quem trouxe a ideia de abraçar um cardápio vegano. Não apenas um ou outra opção: o Malembe tem um leque com mais de 10 pratos do tipo. A variedade alegra a clientela e a ideia de diversificar deu certo: "Abraçamos esse público que vem crescendo e consome apenas produtos e alimentos veganos. Essas pessoas sofrem algumas dificuldades porque na grande maioria dos estabelecimentos isso não é oferecido", diz Mônica.

O Malembe tem cerca de 12 pratos e eles representam parte fundamental do faturamento do estabelecimento. O cardápio é atualizado frequentemente e, hoje, conta com pratos como moqueca, fettuccini ao pesto com banana da terra frita, creme de aipim com legumes e mini-abarás.

Da esq. para a direita: Milena Moraes, Mônica Tavares, Diana Rosa e Daiane Menezes fundaram o Malembe, bar no Centro Histórico que vem fazendo sucesso desde a inauguração (Foto: Nélida Gonçalves/Malembe)

A decisão de ter um cardápio vegano representa uma preocupação ambiental que as quatro sócias possuem. Para isso, a preferência é utilizar produtos reutilizáveis e não há uso de plástico. Para Mônica, isso representa a preocupação com o meio ambiente e também é uma forma de fidelizar os clientes.

Engana-se quem pensa que o veganismo é coisa de cinco anos pra cá. Também no Centro Histórico, um outro restaurante, também formado por mulheres, adota a filosofia há quase uma década e meia. Localizado no Santo Antônio Além do Carmo, o Rango Vegan atualiza seu cardápio semanalmente e, antes da pandemia, se destacava por fazer diversos eventos temáticos, como o Dia da Pizza ou a Semana da Comida Baiana. 

Analista de negócios, o administrador Fernando Santana aponta que para agradar o público vegano, além de um conhecimento vasto sobre a procedência dos produtos comercializados - para oferecer a segurança de que, de fato, não possuem origem animal -, é importante investir em ações que façam com que essas pessoas encontrem nos seus estabelecimentos o que não encontram em todo lugar: inclusão.

"Restaurantes que investem em coisas temáticas da região  ou fazem suas próprias food porn (alimentos esteticamente preparados para fotografias e provocar  sensação de água na boca)  com hambúrgueres, pizzas e semelhantes tendem a fidelizar a clientela porque mostra que é possível comer coisas gostosas com produtos sem origem animal", explica o especialista.

Para além de bares e restaurantes, Salvador também tem outras iniciativas de negócios veganos. Na área de cosméticos, por exemplo, há as lojas Gaya e e Capim Rosa. As duas trabalham comercializando cosméticos dos mais diversos: sabonetes, perfumes, maquiagem, shampoo, óleos corporais e até de hidratação para cabelos e cuidados com a pele.

Negócios veganos de sucesso em Salvador

Restaurantes
1. Malembe | (@malembesalvador)
Ladeira do Carmo, 7, Centro
2. Rango Vegan | (@rangovegan.ssa)
Endereço: Rua do Passo, nº 62 - Santo Antônio Além do do Carmo
3. Sweet Confeitaria Vegana | (@sweetconfeitariavegana)
Somente encomendas
Contato: (71) 99650-3883
4. Teimozza pizzaria | (@teimozzapizzaria)
Somente delivery
msha.ke/teimozzapizzaria

Cosméticos
1. Loja Capim Rosa (@trescravos)
Av. Otávio Mangabeira, 815, loja 22
Contato: (71) 99950-8215
2. Loja GAYA (@lojasgaya)
Alameda das Algarobas, 85, Caminho das Árvores
Contato: (71) 99152-1453

8 cuidados para fidelizar o público vegano

- Invista num bom leque de produtos;
- Atendimento é muito importante: funcionários precisam estar preparados para garantir e dizer quais são os componentes do produto;
- Para além dos produtos, é interessante investir no ambiente: redução no uso de papel e plástico são formas de fidelizar;
- No caso de restaurantes: esteja em constante atualização do seu cardápio e realize dias temáticos. Dia da Pizza, Dia da Comida Baiana e Dia do Porn Food são interessantes;
- Atenção às datas: pessoas veganas também consomem. Portanto é interessante criar uma boa comunicação para períodoso como Natal, Dia Das Crianças, Dias das Mães, Dias dos Pais e etc;
- Traga conteúdo e promoções nas redes sociais;
- Ajude a desmistificar que o vegano é uma comida só para quem não come carne e é algo inacessível por ser caro. É possível ser vegano e ter preços competitivos;
- Invista em boas imagens. Faça com que seus produtos sejam desejados pelos clientes e os tornem anunciantes de seu negócio.



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