Músico morre após Exército fuzilar carro de família no Rio de Janeiro

brasil
08.04.2019, 06:34:01
Atualizado: 08.04.2019, 06:36:37
Carro onde estava Evaldo Rosa foi atingido por mais de 80 disparos. Ele morreu na hora (Foto: Reprodução)

Músico morre após Exército fuzilar carro de família no Rio de Janeiro

Segundo delegado, "tudo indica" que militares atiraram em veículo por engano

O carro de uma família foi fuzilado pelo Exército no Rio de Janeiro na tarde deste domingo (7). O músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, morreu e outras duas pessoas ficaram feridas na ação.

De acordo com o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro,  "tudo indica" que os militares do Exército atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes.

O veículo foi atingido por mais de 80 disparos, segundo a perícia. Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê: pai, mãe, uma criança de 7 anos, o sogro e uma mulher.

Evaldo morreu na hora. O sogro dele, Sérgio, foi baleado e hospitalizado. A esposa, o filho de 7 anos e uma amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar.

"Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma (no carro). Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares", afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.

Inicialmente, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma "injusta agressão" de "assaltantes". À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

Os militares foram ouvidos pelo próprio Exército, que entendeu que a investigação deveria ser militar. No entanto, a Polícia Civil vê indícios para uma prisão em flagrante. "Fica muito difícil tomar uma decisão diferente desta [prender], não vejo uma legítima defesa pela quantidade de tiros que foi. Os indícios apontam para uma prisão em flagrante", afirmou o delegado. 

Uma testemunha que estava no carro contou que não houve nenhuma sinalização antes dos disparos. "Eu não vi onde foi o tiro, mas eu acho que foi nas costas. só que a gente pensou que ele tinha desmaiado no volante (...) A gente saiu do carro, eu corri com a criança e ela também. A gente saiu do carro e mesmo assim eles continuaram atirando ", afirmou a mulher à TV Globo.
 

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