Paulistas, praia e bar: como 'combo' fez hotéis de Salvador respirarem aliviados

salvador
12.08.2021, 05:00:00
Reabertura das praias foi crucial para que taxa de ocupação em hotéis voltasse a subir (Nara Gentil/CORREIO)

Paulistas, praia e bar: como 'combo' fez hotéis de Salvador respirarem aliviados

Taxas de ocupação ainda são menores do que o pré-pandemia, mas já chegam a 49%

O avanço da vacinação e a abertura das praias vem dando bons resultados para o setor hoteleiro de Salvador. A capital iniciou o 2º semestre com a ocupação dos hotéis em 49%, um alívio para os empreendimentos. Em janeiro, antes do último aumento de casos de covid no país, na segunda onda, a ocupação média estava na casa dos 54,3%. Desde então, os baixos números preocupavam os donos dos estabelecimentos, que, em abril, amargaram os piores prejuízos. À época, os hotéis eram ocupados em 20%.

Tradicionalmente, janeiro e fevereiro são os meses de maior movimento, seguidos de julho. Em 2020, o mês teve ocupação de 21%, de acordo com a Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade da Bahia (Fetur).

“Essa [julho] é a época em que muitos paulistas vêm para a nossa região nas férias. Além disso, a reabertura econômica da cidade, com a redução da taxa de contaminação das pessoas por covid, promoveu abertura de praias e aumento de horário nos bares e shoppings. O turismo influencia a ocupação dos hotéis”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, regional Bahia (Abih-BA), Luciano Lopes.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em junho, embarcaram ou desembarcaram no Aeroporto de Salvador cerca de 352 mil viajantes, aumento de 33% em relação a maio, que registrou 265 mil passageiros. No mesmo período de 2020, apenas 26.899 pessoas foram transportadas. 

O levantamento da Abih mostra que a média de julho para ocupação de hotéis ainda está aquém do normal, tanto em relação a 2019 (61,5%), quanto a 2018 (62,17%).

Um respiro

Após tantos meses de dificuldade, os hoteleiros têm esperanças na sinalização do prefeito Bruno Reis sobre o Réveillon e o Carnaval. “Finalmente a vacina está avançando e já reflete no turismo. A economia da capital e o turismo dependem desse movimento. Pesquisas mostram que Salvador é um dos destinos mais desejados”, enfatiza Luciano.

A expectativa é confirmada pelo vice-presidente da Abav, Jorge Pinto. “Os agentes de viagem de todo o Nordeste estão começando a ter um reflexo na busca de negócios. Muitos clientes estão nos procurando para fechar pacotes em toda a Bahia”.

Os hotéis de lazer, estabelecimentos próximos às praias apresentaram melhor desempenho, com taxas de ocupação nos finais de semana superiores às dos demais dias. O Hotel Fiesta, na Av. Antônio Carlos Magalhães, atende à modalidade turismo de negócios e costumava ter maior taxa de ocupação na semana. Mas, com a pandemia, o perfil dos clientes mudou, explica a proprietária Liliane Pinheiro. “O turismo de eventos ainda está fraco por causa das restrições, então o turismo que estamos tendo é de lazer, que é mais forte nos fins de semana”. A taxa de ocupação atual está em torno de 53%. 

Estratégias

Parceria recente da prefeitura, via Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Setur), Abih e a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), lançou o Road Show Salvador 2021. O projeto prevê capacitação para operadores e agentes, e acontece em mais de 10 cidades do país e exterior – todas com voos para Salvador. A iniciativa começou em 30 de julho e deve durar até o fim do ano. O investimento é de R$ 300 mil.

O titular da Setur, Fábio Mota, atribui a melhora no setor hoteleiro também ao projeto Live Tour, com a maratona de passeios virtuais realizada por pontos turísticos da cidade, em 11 edições. Esse ano, os apresentadores destrincharam a história de Itapuã, Rio Vermelho e Centro Histórico. 

“As nossas estratégias têm ajudado bastante a taxa de ocupação dos hotéis. Aproveitamos o período em que recebíamos poucos turistas para melhorar a cidade e, agora, nossa expectativa é que os baixos índices tenham ficado para trás”, afirma.

Turistas

Para os próximos meses, o fluxo intermunicipal promete ser intenso. A professora Maria Lúcia Novais, moradora de Itapetinga, já está planejando sua viagem a Salvador para setembro. Não somente para turismo - ela ama as praias da capital -, mas também para trabalhar em seu projeto social, com crianças de famílias de baixa renda.

“Pretendo comprar presentes para as crianças carentes da comunidade onde realizo um trabalho. Quero ir nos lugares onde os brinquedos estiverem mais em conta, além das praias. Espero que os teatros também estejam abertos até lá. Ainda estou vendo se me hospedarei em hotel ou na casa de conhecidos”, conta.

O paulista Pedro Reinert é um dos interessados nos ares da Bahia. Ele planejou vir em agosto, mas com os altos preços das passagens aéreas, optou por atrasar em alguns meses a compra. Vem visitar amigos e família e está pesquisando, também, o valor da hospedagem. Entre hotéis, apartamentos no Airbnb e a casa de familiares, está na dúvida entre as opções.

"Já estive nas cidades do litoral da Bahia, mas ainda não conheci a capital. Por isso, estou doido para ir à Salvador e os preços estão bastante atrativos", disse.

Resort cria pacote para turbinar hospedagens durante a semana

Em Imbassaí, distrito do município de Mata de São João, no Litoral Norte do estado, o Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa, que começou o ano com índice de ocupação de 24%, já opera com uma média que varia entre 60% e 70% nos finais de semana. Desses hóspedes, 41% são paulistas e 18,2%, baianos.

O resort mira no aumento de ocupação durante a semana, atualmente na casa dos 40%. Para isso, tarifas diferenciadas são oferecidas em pacotes mínimos de quatro noites, com diárias a partir de R$ 890.

“Buscamos manter média regular de ocupação de 60% nos meses de agosto a outubro e chegar no Verão com números próximos ao que tínhamos antes da pandemia. Tudo isso considerando o amplo funcionamento de todos os nossos protocolos de segurança porque ainda é preciso tomar o máximo de cuidado em relação à covid-19”, afirma Paulo Fernandes, diretor geral do resort.

*Com a orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

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