Produtos ligados à cultura canábica ganham venda em espaços físicos de Salvador

Moda
24.05.2016, 18:36:00
Atualizado: 24.05.2016, 19:49:37

Produtos ligados à cultura canábica ganham venda em espaços físicos de Salvador

Já são duas as lojas dedicadas a produtos ligados ao consumo de maconha na cidade e tem outras a caminho

Quantas lojas dedicadas a produtos ligados ao consumo de maconha você já viu em Salvador? Preciso te informar: do finzinho de abril para cá, já são duas. E contando. Numa breve busca no Instagram, achamos uma online cuja sede é aqui (@bombleuheadshop).

Na cocó: meias com estampa de folhas são campeãs de venda na Sr. Haxi: R$ 30, o par
(fotos de Angeluci Figueiredo)


A Sr. Haxi fica na Pituba e a Isso é um cachimbo? no Rio Vermelho. Uma está escondidinha no fundo de um pequeno shopping na Avenida Paulo VI. A outra está na cara da Rua Fonte do Boi. À primeira vista, poderiam passar batidas, como tabacarias, camiseterias, lojas de decoração e até sex shops, por conta de alguns apetrechos com formatos fálicos. Mas os prazeres potencializados são de outra natureza. Mais, digamos, etérea.

O que parece mais concreto é o pé-atrás de alguns passantes. “Às vezes, noto que umas senhoras puxam os filhos para longe da loja quando percebem do que se trata”, conta Jeff Beltrão, sócio da Sr. Haxi. E olhe que só havia folha de maconha impressa em roupas. A única erva à venda nas lojas que visitamos era tabaco.

Tim tim por tim tim

Sr Haxi
Em viagens, o publicitário Jeff Beltrão, 27 anos, conheceu head shops, lojas de produtos ligados ao consumo de maconha e tabaco. De volta ao Brasil, se juntou com o amigo Rodrigo Hohlenwerger, 33, e criou a Sr. Haxi. Isso em meados do ano passado, no Instagram (@srhaxi) e na Feira da Cidade. “Percebemos a demanda e resolvemos encarar uma loja física. Com menos de 20 dias, o resultado está sendo ótimo”, conta Jeff. Eles optaram por um cantinho do Shopping Paulo VI.

Em seis meses vão para uma loja com o triplo do tamanho e mezanino, no mesmo local. Tudo mantendo a discrição dos clientes. “Ainda há preconceito. Minha avó ficou horrorizada com a loja. Mas gosto de quebrar paradigmas e fomentar o debate. Sou consumidor de tudo que vendo”, diz o rapaz. Dá para encontrar as coisas da Sr. Haxi também na loja colaborativa Somos (Shopping da Bahia). O próximo passo é uma unidade no Vale do Capão (Chapada Diamantina).

Isso é um cachimbo?
Lucas Moura é formado em Análise de Sistemas, mas trabalha com distribuição de produtos ligados à tabacaria e à cultura canábica. Junto com a companheira, Luna Nery, e  um casal de amigos, criou a Isso é um cachimbo?. A loja fica na Rua Fonte do Boi (Rio Vermelho). O público, segundo ele, surpreende.

“Outro dia, entraram duas senhorinhas de 70 anos com echarpe. Pensei que elas tinham se confundido com a loja de roupas que tinha aqui antes. Pois compraram muito mais de R$ 200. Uma delas se despediu dizendo que fuma há 57 anos, por isso comprou logo material para seis meses”, lembra ele. Daí a preocupação de não explorar visualmente estereótipos. Não fossem os produtos, a loja poderia vender decoração. Na trilha sonora tinha Nina Simone e o próprio nome da loja vem do mais famoso quadro do pintor surrealista belga René Magritte.

Mal inaugurou, a trupe já tem planos de expansão. “Queremos usar o andar de cima para vender itens de cultivo. Tipo um kit já com fertilizante, terra, vaso e lâmpada. Tudo pronto para um leigo conseguir desenrolar”, explica Lucas. 

Os produtos 
Além dos mais simples e óbvios, como tabaco orgânico, sedas e cachimbos, as lojas vendem coisas inusitadas para quem não fuma. Bongs são aparelhos que filtram com água. Vaporizadores, que extraem o que importa das ervas - “quaisquer ervas, inclusive camomila e erva doce”, sinaliza Lucas - e cujos preços variam entre R$ 160 e R$ 2 mil na loja dele.

Até roupas rolam, e a Sr. Haxi investiu em diferenciais como marca própria de camisas, com frases engraçadinhas como The Beck is on The Table. Também tem revenda de produtos orgânicos do Vale do Capão, como cachaça e mel.

Cuidado e preconceito
“Sempre que perguntam sobre os usos das coisas, digo que é para usar com tabaco, camomila... Para não correr o risco de fazer apologia, a gente fica fingindo coisas sem clareza. Brinco dizendo que vamos mudar o nome para Loja dos Hipócritas”, pontua Lucas. Para Jeff, tem gente que passa longe de qualquer fumaça, mas se identifica com o estilo descontraído dos produtos. “Defendemos um estilo de vida alternativo, irreverente, que não é necessariamente formado por consumo de maconha. Minha irmã, mesmo, que é muito careta, acha um charme a nossa meia”, argumenta ele. 

A lei
“A Constituição garante a liberdade de manifestação do pensamento. Não é crime defender a legalização do uso de maconha, desde que se respeite o limite da razoabilidade. Se tais acessórios e objetos transmitirem a ideia de que a criminalização é ilegítima, não há apologia a crime”, diz o advogado Gamil Föppel, mestre em Direito Penal, doutor em Direito Penal Econômico, e integrante da comissão de juristas nomeada pelo Senado Federal para a reforma do Código Penal e da Lei de Execuções Penais.

“Ainda é considerado crime, no Brasil, o uso de maconha. Contudo, não existe mais pena de prisão. Desde 2006 há a descaracterização do crime de uso de maconha. Ou seja, quem é usuário não tem contra si a pena de prisão”, afirma ele. Mas a coisa deve mudar de figura. “No projeto de reforma do Código Penal o uso de drogas deixará de ser crime e haverá critério objetivo para diferenciar o usuário do traficante”, pontua Gamil. 


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