Professor é acusado de abuso sexual contra alunas em escola religiosa de Salvador

salvador
25.05.2021, 16:05:00
(Reprodução/Google Street View)

Professor é acusado de abuso sexual contra alunas em escola religiosa de Salvador

'Ele falava várias frases com conotações sexuais para as meninas', revela uma testemunha

A mão que orientava e ensinava, era a mesma que violentava durante as aulas na Escola Adventista de Paripe, em Salvador. Um professor que trabalha na unidade é acusado de abusar sexualmente de uma ex-aluna entre os anos 2016 e 2018, período em que ela cursava o 6º e o 7º ano. A garota, que tinha apenas 10 anos quando tudo começou, relatou que teve as partes íntimas tocadas pelo acusado nos corredores da escola e na própria sala de aula. De acordo com a Polícia Civil, "o suspeito foi indiciado por estupro de vulnerável”.

A escola, instituição tradicional em Salvador, faz parte da Rede de Educação Adventista, que adota um ensino baseado em princípios bíblicos. Procurada pela reportagem, a Rede de Educação Adventista, que atua há mais de 120 anos no Brasil com Educação Infantil ao Ensino Superior, informou que ao tomar conhecimento dos fatos, afastou e demitiu o professor.

"A escola afastou o professor suspeito e, posteriormente, realizou a demissão. E está colaborando com as autoridades policiais, inclusive prestando esclarecimentos. O professor foi ouvido pelo conselho escolar e alegou inocência. A escola continuou apurando responsabilidades. O afastamento aconteceu por ocasião de uma comunicação detalhada da parte da mãe (de uma das alunas)", disse comunicado enviado pela unidade de ensino.

A Rede de Educação Adventista disse ainda que o comportamento vai de encontro aos princípios ensinados pela escola e "exatamente por isso a escola está colaborando com as autoridades policiais prestando esclarecimentos e colaborando com as apurações". 

A unidade informou ainda que vai reestruturar a central de relacionamento já existente, para melhorar o diálogo com pais e alunos, inclusive com aqueles que já fizeram parte da instituição. "A ideia é ampliar possibilidades de escuta e de assistência aos pais em situações semelhantes.  Além disso, como parte do Plano de Ensino, já ocorre o trabalho com temas que combatem toda e qualquer forma de abuso Isso envolve o  cuidado na adoção do material didático, que reforça a conscientização aos alunos, como, também, a realização de oficinas, palestra, escolas de pais, e formações docentes que abordem esses temas importantes para a formação integral do indivíduo".

Por fim, a Adventista informou que "a escola vê com grande preocupação, e se coloca à disposição e incentiva os pais a apresentarem denúncias para ajudar na apuração e no enfrentamento ao problema".

O CORREIO tentou contato com o professor por uma rede social, mas não obteve sucesso, porque o perfil foi deletado. A reportagem também tentou o contato de advogados do professor, mas, também, sem sucesso. 

O nome do professor não será revelado nesta reportagem, por se tratar de um indiciado, sem ter ocorrido condenação ainda. 

Investigação
A investigação do caso é de responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra à Criança e o Adolescente (Dercca). Segundo a Polícia Civil, a unidade concluiu o inquérito e remeteu ao Ministério Público Estadual (MP-BA), no dia 11 de maio.

Após ser acionado, o MP informou que requisitou no último dia 16 de fevereiro a instauração de um inquérito policial à Dercca. O documento foi encaminhado ao MP e será distribuído a um promotor de Justiça criminal para que seja feita uma avaliação das conclusões e apurações policiais.

“O MP também apura, na esfera não criminal, a violação de direito à educação, em razão de suposto abuso sexual físico e psíquico, por meio de procedimento instaurado no último dia 14 abril, prorrogado no dia 13 de maio. O MP solicitou mais informações à denunciante e à unidade escolar”, diz nota do órgão.

Flagra
O CORREIO conversou com uma testemunha ouvida no inquérito da Dercca, que terá seu nome e sexo preservados nesta reportagem. A pessoa afirma que ouviu relatos de abuso sexual de pelos menos quatro meninas, que dizem ter sido vítimas do mesmo professor.

Sobre uma delas, a pessoa entrevistada diz que flagrou parte do ato. “Quando cheguei na sala vi a menina totalmente constrangida e ele passando a mãos sobre os ombros dela”, contou a testemunha, que acrescentou ainda que o comportamento do acusado no dia a dia era questionado pelos alunos.“Ele falava várias frases com conotações sexuais para as meninas, muitas sequer entendiam. Lembro de uma certa vez que ele disse: ‘Vocês chegaram aqui com uns limões e hoje estão com uns melões’. Ele fala dos seios das meninas e ninguém intendia o porquê o professor falava essas coisas”, lembrou. 

Ainda segundo a testemunha, algumas meninas vítimas do acusado confidenciaram lhe confidenciaram as violências. “Mas nenhuma outra teve a coragem de falar para a mãe como fez essa que denunciou ele. Muitas até hoje sofrem caladas ou compartilham entre si o aconteceu, mas não falam para os pais, por vergonha”, disse. 

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