Promessa do basquete nacional, baiano Caioca sonha com Europa e não NBA

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15.01.2022, 06:00:00
Caioca em ação no Camp sub-17 da CBB (Beto Miller/CBB)

Promessa do basquete nacional, baiano Caioca sonha com Europa e não NBA

Baiano pode aparecer em próximas convocações da Seleção Brasileira da modalidade

Fique de olho nesse nome: Caio Henrique Rocha. Com 17 anos e 1,90m de altura, o ala-armador está no radar da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e pode aparecer nas próximas convocações da seleção - e até representar o país na Olimpíada de Paris-2024.

Caioca, como prefere ser chamado, é soteropolitano e começou na carreira graças à televisão. É que, em 2017, ele assistiu aos jogos das finais da NBA, vencidas naquele ano pelo supertime do Golden State Warriors - que tinha craques como Kevin Durant, Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green - sobre o Cleveland Cavaliers, então do astro LeBron James.

"Foi amor à primeira vista. Lembro que fui para a escola no dia seguinte, e tinha aula de educação física. Eu vi que todo mundo estava jogando vôlei, futebol, e fui pegar a bola de basquete. Me apaixonei. Falei com minha mãe e perguntei se ela conhecia algum lugar para treinar", lembra.

Desta forma, Caioca se inscreveu na academia de basquete MVB, comandada pelo técnico Gildásio Campos, onde treinou ao longo de 2017. No ano seguinte, o jovem decidiu por uma transferência escolar e foi estudar no Colégio Salesiano, de olho no esporte. "Amigos meus me incentivaram a ir, falaram que seria bom para mim. Fui no intuito de jogar basquete mesmo", diz.

"Quando o professor Rodrigo Silva me viu, me abraçou. Já falou 'venha, que vai ser sucesso aqui' (risos). Lá, tive minha primeira experiência de fato com o esporte, viajei, participei de competições regionais", comenta.

Rodrigo é coordenador do departamento de esportes do Salesiano e é só elogios ao pupilo. "Caio sempre levou para as quadras um talento muito especial. Desde o primeiro treino eu sabia que ali carregávamos uma grande e especial responsabilidade: compreender os sonhos dele e fazê-lo acreditar que eram todos possíveis. E é uma honra fazer parte do processo de desenvolvimento dos fundamentos técnicos desse garoto que é um grande exemplo de dedicação. Ele acreditou e está trilhando um caminho muito bonito para realizar sonhos muito maiores e extremamente justos", afirma.

Mudanças 
No fim de 2018 aconteceu uma guinada na vida de Caioca. "Teve um teste com um time de Florianópolis aqui em Salvador. Por incentivo de Rodrigo e de Gildásio, fiz e passei".

Assim, em 2019, ele se mudou para o Sul do Brasil, para jogar no time Grande Florianópolis Basket. Em sua primeira temporada, o ala-armador conquistou o Campeonato Catarinense sub-15. Ele ficou na equipe (que passou a se chamar São José) até o início de 2021, quando decidiu por uma nova mudança e rumou para o Joinville, do mesmo estado. 

No novo time, mais um bom ano para o baiano, que ganhou títulos como o estadual, na categoria sub-17, e a Copa SC, sub-18. Com as passagens de destaque nos clubes, veio uma convocação importante em sua carreira: o Camp da CBB, em dezembro passado.

O projeto contou com a participação de 27 jovens considerados promessas do basquete brasileiro e teve parceria com a Federação Internacional de Basquete (FIBA), através do programa Youth Development, e com o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Por uma semana, os jogadores participaram de palestras e treinos técnicos, táticos e físicos.

Durante os trabalhos, os jovens tiveram encontros virtuais com Magic Paula, lenda do basquete brasileiro, e Gustavo De Conti, atual técnico da seleção brasileira. Também se encontraram com Cadum Guimarães, que é supervisor da CBB, e Paulinho Villas Boas, pela FIBA, ambos campeões dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis-1987.

"Para mim, foi muito importante. Agora, consigo ver uma luz no fim do túnel, consigo enxergar onde os melhores estão e o que preciso para alcançar eles. A maioria corre no escuro, não sabe as diferenças. O Camp me fez ver que não estou atrás dos melhores, estou correndo na mesma mão", afirma.

Por causa do Camp, Caioca decidiu que mudará de time mais uma vez. O ala-armador seguirá para São Paulo, onde defenderá o São José dos Campos neste ano. "O nível de basquete lá é maior, vou para bater de cabeça". Por enquanto, treina em Salvador, mesmo durante as férias, para se manter em alto nível - já de olho em chamados para a seleção de base e possivelmente a principal.

"Vai acontecer a convocação do sub-18 em março, por causa da Copa América da categoria, e em junho, do Sul-Americano. E acredito que, se tudo der certo, vou estar brigando depois para ter um espaço na Olimpíada de Paris-2024. Vários jogadores estão se aposentando da seleção principal, como Anderson Varejão, Alex Garcia. Vai haver uma renovação, a equipe estava usando a mesma base de atletas há anos. Está começando a mudar agora", explica. 

Inspiração e metas
Lembra aquelas estrelas da NBA que fizeram Caioca se apaixonar pelo basquete? Não são as maiores inspirações dele. Nenhum dos grandes astros internacionais leva esse título. O baiano prefere ter como ídolos pessoas que o ajudaram na carreira.

"Pelo que ele me mudou, como atleta, diria que minha grande inspiração é Will Costa, do Joaçaba. Me inspiro muito nele. Jogamos juntos no Joinville e, durante os treinos, eu via muito de mim mesmo nele. Características que eu achava que tinha, e ele fazia. Eu olhava e copiava. O pessoal até brincava, me comparava com ele. Era quase uma mini-cópia dele. Mas todo mundo do Joinville me ajudou bastante, me ajudou a crescer", diz.

A NBA, aliás, não é uma meta para Caioca - ao menos não por agora. O sonho do baiano é jogar na Europa, principalmente em times espanhóis. Vale lembrar que esse foi o caminho de Anderson Varejão, que defendeu primeiro o Barcelona antes de ir para os EUA, e Tiago Splitter, que atuou por nove anos no país europeu até assinar com o San Antonio Spurs.

"Atualmente, minha meta é me firmar bem aqui no Brasil para conseguir algum time na Europa, como na Espanha. Na minha opinião, é onde o basquete é muito forte, e quero experimentar. O time de Florianópolis tinha a doutrina dos europeus, a gente seguia a rotina de um clube de lá. Estudava bastante os conceitos do basquete, não só na prática como na teoria, e aplicava dentro de quadra", explica.

"Na Europa, é muito mais técnico que físico. Na NBA, é puro físico. Por isso, tenho a visão da Europa. Primeiro, quero me firmar como um bom atleta e acho que lá é o lugar certo", diz.

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