Publicidade automotiva: machismo, racismo e falta de segurança já foram protagonistas

bahia
30.01.2021, 06:08:00
Esse anúncio da Volkswagen dos anos 1960 dizia: “Caso sua mulher venha a bater em algo com seu Volkswagen, isto não lhe custará muito” (Foto: Reprodução)

Publicidade automotiva: machismo, racismo e falta de segurança já foram protagonistas

Reflexo dos tempos mostra que a propaganda colocava a mulher como objeto e cometia outras gafes

A publicidade de produtos é, na maioria das vezes aspiracional, o objetivo é despertar o desejo. E, com o passar dos tempos, elas mudam. Atualmente, com o politicamente correto em evidência, diversos cuidados são tomados. Mas isso nem sempre aconteceu e olhar propagandas do passado revelam diversas segregações.

A mulher, que foi muitas vezes debochada e utilizada como objeto, deixou de ser coadjuvante para se tornar protagonista na compra do carro, e isso se refletiu nas publicidades automotivas. Ao olhar para as peças antigas vemos o quanto elas eram voltadas para o homem.

Em uma peça da Volkswagen dos anos 1960 o anúncio com um Fusca amassado dizia “Caso sua mulher venha a bater em algo com seu Volkswagen, isto não lhe custará muito”.

Em outro comercial do modelo, ao final, é escrito: “passe num revendedor Volkswagen. E leve sua mulher: deixe que ela escolha a cor”.

As autopeças também seguiam a mesma linha. Um anúncio comercial da Saturnia de 1976 destacava: “uma boa bateria é que nem uma boa mulher: dificilmente a gente troca”.

Alguns anúncios antigos servem de reflexão. Acompanhe alguns exemplos.

Uma publicidade ofensiva ao público feminino feita para o Touring Club do Brasil
Uma publicidade ofensiva ao público feminino feita para o Touring Club do Brasil
Propaganda de 1986 sexualiza o corpo feminino e mostra pessoas em pé no veículo
Propaganda de 1986 sexualiza o corpo feminino e mostra pessoas em pé no veículo
Nesse anúncio de bateria a mulher é comparada a um objeto
Nesse anúncio de bateria a mulher é comparada a um objeto
A publicidade da Bosch também aderiu a mulher objeto
A publicidade da Bosch também aderiu a mulher objeto
Nessa peça publicitária a sensualidade feminina é explorada
Nessa peça publicitária a sensualidade feminina é explorada
A propaganda da Dodge é direcionada exclusivamente para os homens
A propaganda da Dodge é direcionada exclusivamente para os homens
Esse sugere que o marido deixe a esposa escolher a cor do carro
Esse sugere que o marido deixe a esposa escolher a cor do carro
O anúncio dá a entender que as mulheres só se preocupam com um único detalhe
O anúncio dá a entender que as mulheres só se preocupam com um único detalhe
Atualmente essa peça seria taxada como gordofóbica
Atualmente essa peça seria taxada como gordofóbica (Imagens: reprodução)

Segurança
Antes da obrigatoriedade do cinto de segurança as propagandas refletiam a sociedade. Crianças e até cachorros soltos no carro, alguns com a capacidade acima do permitido. Era comum o transporte no porta-malas.

Essa era a forma de comunicar que o espaço era amplo
Essa outra, da Veraneio, seguia a mesma linha

Em peça do VW Fusca com teto solar, uma mulher passeia no trânsito em pé no banco, com uma criança sentada no teto do veículo. A chamada dizia “Nova (e arejada) maneira de passear”.

Outra peça que confronta a segurança

Racismo e mudança de postura
No ano passado, a Volkswagen retirou das suas redes sociais na Alemanha um comercial do Golf após a repercussão negativa do vídeo, que foi considerado racista.

Na filmagem, feita em Buenos Aires (Argentina), um homem negro observa o carro até que uma mão branca gigante o agarra e o afasta do Golf, empurrando-o para dentro de um café.

Ano passado, um vídeo do novo Golf foi removido após denúncias de racismo

A VW defendeu o comercial inicialmente, mas voltou atrás. “Entendemos completamente o nojo e a raiva em resposta ao vídeo. É bastante claro que este vídeo está errado e desagradável. Pedimos desculpas sinceramente”, afirmou a empresa.

Anúncio de uma concessionária Chevrolet em 1970

Enquanto isso, a Mercedes-Benz pintou seus icônicos carros de F1 prateados de preto na temporada 2020. Em sua conta no Twitter, a equipe afirmou que a iniciativa faz parte de um compromisso da organização de promover a diversidade e combater o racismo.

A equipe de F1 da Mercedes trocou o prata pelo preto no ano passado

“Vamos competir de preto em 2020, como um compromisso público para melhorar a diversidade de nossa equipe — e uma declaração clara de que somos contra o racismo e todas as formas de discriminação”, disse a empresa na época.

***

Em tempos de desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informações nas quais você pode confiar. E para isso precisamos de uma equipe de colaboradores e jornalistas apurando os fatos e se dedicando a entregar conteúdo de qualidade e feito na Bahia. Já pensou que você além de se manter informado com conteúdo confiável, ainda pode apoiar o que é produzido pelo jornalismo profissional baiano? E melhor, custa muito pouco. Assine o jornal.


Relacionadas