Publicitária aposta na pintura de peças de decoração e já fatura R$ 7,5 mil

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12.09.2021, 07:00:00
Atualizado: 12.09.2021, 16:08:02
Winnie deve lançar a sua loja virtual ainda esse mês (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Publicitária aposta na pintura de peças de decoração e já fatura R$ 7,5 mil

Arte orgânica: itens ganham um novo significado em materiais como palha, madeira e barro

Não existe produção em série. Cada uma com sua história, coloração, marcas e sinais do tempo. Quem não vê beleza e simplicidade em uma moringa ou caneca de barro? A inspiração na natureza e no rústico está cada vez mais presente nas peças de decoração.

É assim que a artista Winnie Zaniboni (@winniezaniboniartes) encontra na Feira de São Joaquim, em Salvador, itens em seu estado natural que ganham outro significado estético e se transformam em peças de decoração e utensílios, pintados por ela a mão, com uma pegada mais rústica e sustentável.

Isso é o que Winnie chama de arte orgânica e feita com material vivo, como palha, madeira e barro, em que ela usa técnicas mistas de pintura, trançado e xilogravura.

“São peças únicas. Isso que eu quero dizer como orgânico.  Por todo lugar que passo, é um trabalho também de garimpo. Todas têm uma história de vida do próprio material e no processo de serem moldadas para virarem aquilo e aí eu coloco a minha estética em cima, o meu traço”, afirma. 

Já são 176 itens vendidos e um ganho de R$ 7,5 mil, até agora. “Quero que minhas peças sejam uma pausa para respirar no dia. A pessoa não vai passar batido naquele café que ele toma na caneca de barro, por exemplo. O planeta não aguenta mais tanta produção de série. Minha proposta é achar o que tem disponível e colocar em uso ao invés de produzir mais. Ser sustentável.  Essa é a minha ideia”, completa. 

No geral, o interesse pelos pratos de madeira se destaca. A peça custa R$ 120, porém, o ateliê tem itens a partir de R$ 15, entre eles, os talheres de madeira para petiscar ou servir. Já o ticket médio gasto por cliente é em torno de R$ 342.

“Nesse momento, apostei nos artigos que são utilitários, por entender que estamos passando por um período de investir mais no que é essencial, em objetos com utilidade e função”. 

No traço, formas, cores e as técnicas para realçar um material que está ali. “Pego todas essas referências de arte brasileira e tudo isso vai se traduzindo na hora de fazer as pinturas. Minha produção é constante, com venda ou não, eu continuo produzindo o quanto consigo diariamente para não desanimar. Eu quero acreditar que os admiradores que buscam meu produto também queiram comprar o conceito de reconhecimento da arte popular, de estar em sintonia com a natureza, além de, claro, valorizar o produto artesanal e o empreendedorismo local”, pontua. 

(Foto: Paula Fróes/ CORREIO)
(Foto: Paula Fróes/ CORREIO)
(Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

De criação, a artesã entende. E muito. Winnie começou a pintar em 2015, quando fez um curso na Escola de Belas Artes do Paraná. Ela deixou a carreira de publicitária há dois anos, depois que dispensou os clientes e decidiu sair da frente da tela do computador e partir para o projeto de utilitários e decorativos regionais.

“Sempre gostei de pintar, desenhar e desenhar, mesmo na área de Publicidade. Meus pais são arquitetos, então, eu lido com isso desde pequena. O que levou a tomar a decisão de trabalhar com a minha produção artística é que eu não queria deixar isso restrito a folders, cards digitais e cartazes”. 

Alternativa
A decisão de comercializar as peças e se dedicar totalmente à arte orgânica veio durante o isolamento social: “A pandemia me ajudou a iniciar agora, pois mostrou que o mundo está em crise e o sistema que vivemos não está funcionando bem. Então, me sinto na obrigação de dedicar meu tempo com algo que acredito que vá em um caminho alternativo de sustentabilidade da vida moderna”. 

Atualmente, toda a produção de Winnie é vendida pelas redes sociais com envio para todo país. A loja virtual deve ser lançada ainda esse mês. A artista também pensa em começar a produzir suas próprias tintas naturais.

“Fazer o que se ama e conseguir pagar as contas: acredito que seja isso o que todos desejam para si. Gosto muito do conceito japonês do Ikigai para encontrar o caminho e a oportunidade de negócio de cada um. Consiste, basicamente, em unir quatro respostas: primeiro, o que você ama. Em seguida, o que o mundo precisa. Em terceiro, o que pode ser pago para fazer e, por último, no que você é bom”, reforça.


OS CONSELHOS DE WINNIE

. O primeiro de todos é se planejar, pesquisar e conhecer um pouco mais do seu mercado.  

. Esteja atento às tendências de consumo e alie isso ao que você pode produzir, moldando um pouco seu trabalho para conseguir uma porta de entrada no mercado, uma brecha dentro do seu segmento.  

. E para vender, conteúdo digital. Esse é o principal caminho que o empreendedor tem a mão: marcar presença online.  


QUEM É

Winnie Zaniboni é formada em Publicidade e Propaganda, artista e criadora da marca Winnie Zaniboni Artes. 

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