Riqueza que vem do mar: economia azul movimenta Baía de Todos os Santos

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08.06.2021, 05:00:00
Atualizado: 08.06.2021, 07:09:20
O Terminal Portuário de Cotegipe, na Baía de Aratu, é o principal responsável pelo escoamento da soja que é produzida na região Oeste da Bahia (Nilton Souza/Divulgação)

Riqueza que vem do mar: economia azul movimenta Baía de Todos os Santos

Terminal Portuário (TUP) de Cotegipe é importante para a economia e para o meio ambiente

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Há quinze anos, o Terminal Portuário (TUP) de Cotegipe é a principal porta de saída para a soja que é produzida na região Oeste da Bahia. Mas este não é o único impacto que a operação tem na Baía de Aratu. Desde que o porto entrou em operação, a cobertura vegetal da região aumentou em mais de 50%, enquanto a área do manguezal cresceu cinco vezes, num claro exemplo do que é o conceito da economia azul – quando o mar é utilizado para produzir riquezas sem que isso traga prejuízos ao meio ambiente. 

O porto de Cotegipe recebe em média 120 navios por ano – um a cada três dias, em média. O embarque de qualquer embarcação naquelas águas é acompanhado por uma empresa especializada em evitar que haja vazamentos de carga ou mesmo de combustível, conta o diretor operacional do TUP, Jorge Pessoa. A receita de cuidado e responsabilidade com o meio ambiente é completada ainda pelo reaproveitamento da água, que atinge metade de todo o recurso mineral utilizado na operação. 

Desde a Rio 92, 8 de junho passou a ser considerado o Dia Mundial dos Oceanos, quando a humanidade celebra o que o mar oferece. E no caso de um estado que nasceu a partir de um acidente geográfico, a Baía de Todos os Santos, a data, se não merece um feriado, deveria despertar reflexão. 

Cerca de 95% do petróleo brasileiro é extraído em águas sob a jurisdição do Brasil. Por elas trafegam 95% do comércio exterior do país, ressalta o vice-almirante Humberto Caldas da Silveira Junior, comandante do 2° Distrito Naval. “A Marinha do Brasil denomina de Amazônia Azul a parcela do mar, hidrovias e demais águas interiores, sobre as quais o Brasil possui jurisdição, responsabilidades e direitos, composta por uma imensa área oceânica de 5,7 milhões de km², que é repleta de recursos naturais e rica biodiversidade ainda inexplorados, sendo importante do ponto de vista ambiental e estratégico para o país”, explica. 

Vice-almirante Humberto Caldas da Silveira Junior, comandante do 2° Distrito Naval (Foto: Divulgação)

Neste cenário, acrescenta ele, a Bahia mantém uma posição de destaque por contar com maior litoral do Brasil. “A atividade marítima na costa baiana nos apresenta excelentes exemplos de uma economia azul, próspera e eficiente, que gera milhares de empregos”, diz.  Em meio a uma gama de atividades que vai desde a garantia da segurança e promoção da preservação, o vice-almirante destaca também a importância da Marinha do Brasil para a atividade econômica, com apoio à Marinha Mercante, formação de pessoal especializado para tripular as embarcações civis, a segurança da navegação e a salvaguarda da vida no mar. Além, ainda, da vertente científica, ressalta.

“O Brasil possui o direito de explorar uma extensa área oceânica denominada Amazônia Azul. No mar estão as reservas do pré-sal e dele retiramos a maior parte do petróleo e do gás natural”, lembra. Além disso, complementa, 99% da transmissão de dados de internet é realizada através de cabos submarinos.

“A construção naval, o transporte marítimo, o turismo náutico e a pesca também são atividades econômicas com grande potencial de crescimento nos mares brasileiros. Nessa área, existem recursos naturais e uma rica biodiversidade ainda inexplorados”, complementa. 

Cotegipe
A analista ambiental do porto de Cotegipe, Camila Campos, conta que o cuidado em relação ao meio ambiente e com a comunidade no entorno da empresa é uma constante desde a implantação do terminal portuário na região. “Nós estamos localizados numa área de proteção ambiental, uma APA, mas quando iniciamos a operação aqui estava tudo muito degradado”, lembra. 

A área de manguezal no entorno do porto aumentou em cinco vezes nos últimos quinze anos (Foto: Nilton Souza/Divulgação)

Uma das ações desenvolvidas pela empresa consiste no reflorestamento do manguezal. As sementes são cultivadas num viveiro do porto e depois inseridos na natureza. “Isso ajuda o mangue a se recompor e ajuda as pessoas que dependem dele para sobreviver a encontrar sempre os mariscos disponíveis”, conta. Além disso, às sextas-feiras são realizadas operações de limpeza no local para a retirada de resíduos retirados pela maré. 

O porto realiza um acompanhamento diário tanto em relação às espécies aquáticas, quanto às terrestres.

“O mangue é uma fonte de subsistência das comunidades aqui no entorno. Marisqueiros e marisqueiras vivem da coleta aqui ao redor do porto e quando implantamos, a área era muito degradada”, conta o diretor operacional do TUP de Cotegipe, Jorge Pessoa.

“Hoje há uma abundância de mariscos. Fora do canal, onde a pesca é permitida, os pescadores encontram uma abundância maior de espécies do que quando nos instalamos”, lembra. 

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