Saiba quais são os sinais de que 2020 será um ano melhor na Economia

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18.01.2020, 04:00:00

Saiba quais são os sinais de que 2020 será um ano melhor na Economia

Números mostram que o Brasil deixou o fundo do poço para trás



Nos últimos meses de 2019 o país começou a dar sinais de que está deixando para trás palavras como recessão e estagnação, para dar lugar a um processo de recuperação. No terceiro trimestre do ano passado, o produto interno bruto (PIB) cresceu 0,6% – o melhor resultado para o período desde 2012. O número, analisado em conjunto com outros, demonstra que, se o país ainda não saiu do poço, o fundo, pelo menos, vai ficando para trás. 

(CORREIO Gráficos)
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O risco-país, medido pela JP Morgan, também não era tão baixo desde 2012. Quando o indicador sobe, indica aumento nas incertezas para investidores. Em apenas um ano, entre o final de dezembro de 2018 e de 2019, o indicador caiu de 276 para 214. Há cinco anos, o risco-país era de 409 pontos. A mudança explica a evolução de outro indicador. O Ibovespa encerrou o ano com o recorde de 115 mil pontos. 

Na chamada economia real, o ano foi marcado pela retomada dos empregos formais, com um saldo até novembro de quase um milhão de novos postos de trabalho criados, inflação baixa e os juros básicos da economia no menor patamar da história. A combinação dos fatores estimulou o consumo, o que não apenas explica o crescimento do PIB em 2019, como sinaliza para uma mudança clara nos rumos este ano. 

Nova matriz
Os menos habituados ao noticiário econômico podem não lembrar ou saber, mas em 2011, a economia brasileira deu uma guinada. O governo da então recém-eleita presidente Dilma Rousseff abandonou os preceitos adotados até 2008 pelo seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva – e que este, por sua vez, herdou de Fernando Henrique Cardoso. A mudança brusca, lembrada por muitos como um “cavalo de pau”, foi apresentada como a “nova matriz econômica” e foi a principal marca econômica da década.  

Durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil cresceu em média 4%, lembra o economista Marcel Balassiano. O pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) explica que o petista aproveitou a alta nos preços das commodities e manteve a estrutura econômica que recebeu do antecessor, FHC.  

“No período em que o PT esteve no poder, houve formas diferentes de governar. O primeiro mandato do Lula foi muito semelhante, e até mais ortodoxo, que os governos do Fernando Henrique”, lembra Balassiano. 

Entretanto, foi em 2008, quando estourou a crise econômica mundial que se iniciou a guinada. Para combater os efeitos da crise, o governo dá uma guinada e passa a utilizar os bancos estatais — principalmente o BNDES — como ferramenta de expansão do crédito.

Inicialmente pensada para permitir ao país suportar a recessão, a política é mantida até o final do segundo mandato de Lula e depois intensificada. “Com a Dilma, as coisas começaram a mudar mais forte. Muitos economistas, eu inclusive, creditam a recessão à política econômica do primeiro mandato dela. No segundo mandato, ela tentou retroceder, mas não conseguiu”, lembra Marcel Balassiano. A partir daí, o governo declara guerra aos bancos privados e amplia o crédito nos públicos. Em 2012, revoga contratos de geração de energia para impor tarifas menores. A conta chegou em 2015. Aqui na Bahia, com uma alta de 17,22% nos valores pagos pelos consumidores. A inflação explode e o número de miseráveis volta a aumentar. 

Entre 2015 e 2018, o país perdeu 17 fábricas por dia, como apontou um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). 

Mudança de rumo

Junto a tudo isso, vem à tona o maior esquema de corrupção da história do Brasil e precipita o fim do mandato de Dilma. Michel Temer assume a Presidência e escolhe Henrique Meirelles como ministro da Fazenda. “Esses erros de política econômica começaram a ser corrigidos com o Michel Temer”, lembra Marcel Balassiano.

O economista explica que o Brasil ainda vive reflexos da recessão iniciada em 2014 e descrita por ele como a “pior da história” do país. “Foram dois anos seguidos de crescimento negativo do PIB,  algo que só aconteceu por duas vezes na história. A primeira foi na Década de 30, após a Crise de 29. “É importante ressaltar que a queda na economia agora foi muito maior que lá atrás”, diz. 

Além dos dois anos de recessão, quando a economia parou de cair, o ritmo da retomada  foi muito lento. Apenas como comparação, Balassiano lembra que a Década de 80, que entrou para a história como a “década perdida”, registrou crescimento médio de 1,6% ano, enquanto os dez últimos anos vão registrar uma média de crescimento anual inferior a 1%. “É o pior desempenho em 120 anos”, diz. 

Balassiano diz que a expectativa para 2020 é de pelo menos 2,2% de crescimento. “Eu acho este um número bastante positivo, levando-se em conta que passamos pela pior recessão da história. Isso mostra uma recuperação mais consistente da economia”, diz. Por outro lado, 2,5% ao ano é a média de crescimento do PIB nos últimos quarenta anos, lembra. 

Ações do governo, como a proposta de Reforma da Previdência, a medida provisória da Liberdade Econômica, entre outras, tiveram um efeito positivo. “Em 2019, se tivéssemos que escolher um único ponto positivo, destacaria a aprovação da Reforma da Previdência, porque era uma demanda de muito tempo e é um tema muito delicado”, explica. 

Marcel Balassiano destaca que o principal benefício que as mudanças nas regras da aposentadoria trouxeram foi o de fazer o país parar de piorar. Os maiores ganhos serão percebidos nas contas do governo no futuro. “A curto prazo foi importante por ajudar a reverter expectativas e melhorar a confiança na economia. Por isso a bolsa de valores está bombando, o risco país está caindo, mas isso demora para chegar à economia real”, avalia. 

Desemprego, juros e inflação
Para o diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Stofer, o ano de 2019 pode ser visto por dois ângulos. “O governo está fazendo um trabalho muito forte na recuperação da saúde fiscal do estado brasileiro. Tiveram conquistas muito importantes, como a Reforma da Previdência”, destaca. Entretanto, ele lembra que as mudanças só irão produzir efeitos práticos no futuro. “O que o governo fez de maneira muito consistente foi tratar do futuro. O desemprego caiu, mas continua alto. Não foi um ano fácil”, diz. 

Entre as medidas com efeitos mais imediatos, Stofer destaca a importância de o país ter reduzido de maneira consistente a taxa básica de juros. “O mais interessante é que essa taxa mais baixa veio para ficar. Caiu de 14,25% em governos passados para 4,5%. Embora não tenha se refletido para o consumidor ainda, permite que o governo economize bastante com o pagamento de juros”, destaca. Com a queda da Selic, o governo deve economizar aproximadamente R$ 110 bilhões em juros.  

Frank acredita que o país já vive um processo de retomada. “Se olharmos os últimos cinco anos antes de 19, viemos de períodos muito difíceis. Entre 15 e 16 tivemos uma queda de 3,5% do PIB. Depois tivemos um período de crescimento baixo”, lembra. “Agora, temos a possibilidade de em 2020 crescer acima dos 2%, próximo a 3%. Esse movimento não vai se iniciar agora em janeiro, o Brasil já vinha acelerando em 2019”, acredita. Agora, complementa, os resultados devem aparecer. 

O economista Gustavo Pessoti, diretor de estatísticas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) acredita que o que fez a diferença em 2019 na comparação com 2018 foi o desempenho do mercado de trabalho. “Tanto no Brasil como um todo, quanto aqui na Bahia, em particular, tivemos um cenário de geração de vagas positivo em quase todo o ano”, destaca. De modo geral, ele acredita que a economia brasileira está em um ritmo parecido com o verificado em 2018.


Expectativas são de crescimento 
O economista Guilherme Dietze, da Federação do Comércio (Fecomércio-Ba), explica que a aprovação da Reforma da Previdência e a MP da Liberdade Econômica modificaram as expectativas para a economia a partir de setembro. Todos esses fatores permitem acreditar que o Brasil iniciou um ciclo de recuperação bastante sólido, avalia Dietze. 

“Há uma grande diferença entre 2019 e 2018. No ano passado, isso tudo era uma grande expectativa, os dados não confirmavam. Agora, temos os dados se confirmando”, destaca. 

Entre as principais notícias positivas agora no final do ano, ele destaca a geração de empregos formais.

Aqui na Bahia, por exemplo, em novembro, foram gerados 4 mil postos, contra 1 mil no mesmo mês do ano passado. “Todos esses fatores positivos estão muito bem estruturados. É o que nos permite entender que não estamos diante de um voo de galinha. A gente está saindo do fundo do poço”, acredita.

Ainda que o desempenho do PIB fique próximo ao 1%, o ano de 2019 foi fundamental para reorganizar a economia brasileira, avalia Danilo Peres, economista da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

“Foi um ano difícil. Ainda estamos passando por um processo de acomodação e de expectativa de virada no ciclo econômico para que tenhamos um período de crescimento a partir do próximo ano”, avalia.



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