Sem desperdício: saiba como aproveitar suas compras e evitar o descarte dos alimentos

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13.07.2020, 06:00:00
Atualizado: 13.07.2020, 17:09:22
Criado pelo Sesc, o Mesa Brasil é um banco de alimentos que auxilia instituições sociais no país, distribuindo alimentos que não serão mais comercializados (Sesc / Divulgação )

Sem desperdício: saiba como aproveitar suas compras e evitar o descarte dos alimentos

Além do planejamento na hora das compras, receitas criativas ajudam a utilizar as sobras de legumes ou proteínas

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A professora de nutrição e gastronomia, Gabriela Silva da Nóbrega, leva a sério um ritual diário na cozinha. Além de com certeza preparar uma ótima refeição, faz questão utilizar o máximo que o alimento oferece. O hábito criado por ela faz com que, em sua casa, não aconteça o que em muitas outras residências é tão comum: o desperdício de alimentos.

E nesse contexto de pandemia, mais do que nunca, o primeiro passo para evitar essa prática está no planejamento e organização das suas compras. Parece óbvio, mas saber o quanto é consumido dentro de casa é muito importante nesse processo, além, é claro, daquela listinha na hora de ir no mercado. 

“Nós somos um dos países que mais desperdiçam alimentos. Então é importante fazer um planejamento semanal do seu cardápio para comprar só o necessário, mas vale também a criatividade para reaproveitar as sobras”, explica a nutricionista. E essa informação foi constatada em pesquisa do IBGE em 2019, que apontou que 30% dos alimentos produzidos no Brasil são desperdiçados e jogados fora, o que representa 1,3 bilhão de toneladas.

A professora de gastronomia pratica as dicas que dá diariamente (Foto: Divulgação)

Outro levantamento feito pela empresa Nestlé, ressalta que entre 2019 e 2020, a partir da análise de 18.400 postagens em redes sociais, os motivos mais relatados pelas pessoas para desperdiçar comida são alimentos comprados em grande quantidade, não consumidos e que estragam na geladeira, excesso de comida no prato, receitas que não deram certo e sobras de comida do dia anterior que acabam descartadas.

Aliás, sobre o termo ‘sobras’, a professora de gastronomia faz questão de explicar que há diferença entre resto e sobra. “Resto é aquilo que não presta, que pode ser descartado. A sobra ainda pode ser aproveitada”. 

Então, vale se ligar na situação e adotar algumas práticas para evitar o descarte. Logo de cara, para quem quer ter uma geladeira ou congelador eficiente, Gabriela ressalta que é importante comprar as comidas e, se for necessário, dividir em porções individuais para o congelamento. “Isso funciona muito com as proteínas. Posso comprar uma boa quantidade e congelar já na quantidade correta. Mas vale lembrar que a recomendação é descongelar e consumir, para que não perca seus nutrientes”, lembra a professora, que ressalta a importância de ter em casa várias vasilhas para ajudar nessa arrumação.

Quanto aos legumes, há a possibilidade de comprar já congelado, mas uma técnica chamada de ‘branqueamento’, ajuda a conservar a ‘vida de prateleira’ dele - que nada mais é do que sua durabilidade - e mantém os nutrientes. “O branqueamento serve para brócolis, couve flor, cenoura, aipim e o inhame, por exemplo”, explicou.

A técnica consiste em mergulhar esses vegetais em uma panela com água fervente, deixando de dois a cinco minutos, como se fosse um pré-cozimento. Em seguida, retirar dessa panela e colocar imediatamente em outra, com água fria. 

“Esse tipo de ação ajuda na inativação das enzimas, mantém a textura e preserva os segmentos naturais do alimento”, continuou Gabriela. Com essas pequenas técnicas é possível conservar por mais tempo e utilizar em várias refeições, consequentemente desperdiçando menos. Ele também pode ser evitado se o as compras dos produtos forem feitas com produtores locais e seguindo os alimentos da estação, conhecidos como sazonais, pelo fato de serem encontrados com facilidade para venda. Isso evita a perda de alimentos no transporte até a chegada em supermercados, além de ajudar na economia local.

No caminho das receitas 
 
Outro ponto importante abordado pela professora está na utilização desses alimentos para alguns acompanhamentos. “Se você comprou tomate demais, por exemplo, por que não utilizar para fazer um ketchup caseiro, ou um molho de tomate para congelar? No caso dos frutos vale uma geléia, e das verduras uma sopa”. E se a receita der certo, vale compartilhar com família e amigos, como Gabriela faz e batizou de “corrente de técnicas culinárias”, lembrou.

Programa recolhe alimentos em feiras livres, atacados e varejos em Salvador e região metropolitana (Foto: Sesc / Divulgação)

E é com o intuito de estimular uma alimentação consciente e compartilhar receitas que o Sesc desenvolve o projeto Mesa Brasil. Criado em 1994, em São Paulo, ampliou a atuação em 2003 e hoje atende mais de 1 milhão de 400 mil pessoas em todo o país. Segundo René Lopo Neto, 42, nutricionista da Coordenação Nacional do Programa Mesa Brasil Sesc, o projeto é uma rede nacional de bancos de alimentos, que tem como missão “contribuir para segurança alimentar e nutricional da população em risco social no país. É um combate a fome e ao desperdício de alimentos”, definiu René. 

A ação do Mesa surge a partir de parcerias com produtores locais em feiras de alimentos, varejos e até atacados, que repassam os alimentos que não serão mais comercializados. Na Bahia, o programa tem sede em Salvador, em Água de Meninos, que atende a capital e região metropolitana, e em cidades como Santo Antônio de Jesus e Vitória da Conquista. “Nós temos carros que circulam por esses supermercados e feiras para recolher as sobras, e então distribuímos para as instituições sociais”, explicou o coordenador. 

Para buscar as receitas oferecidas pelo Mesa Brasil, basta acessar o site www.sesc.com.br/mesabrasil. A Nestlé também seguiu a mesma linha, e disponibilizou em seu site uma série de receitas para aproveitar as sobras dos alimentos, incluindo de arroz e feijão, que são indispensáveis na mesa do brasileiro. No site www.receitasnestle.com.br, ainda é possível encontrar ficar para o uso total de da beterraba, grãos, brócolis e outras folhas. 

Independente do tamanho da família, ou até morando sozinha, René reforça o que foi dito por Gabriela: o planejamento faz toda a diferença. Na hora do mercado ou no preparo de cada refeição, vale se atentar as dicas para reduzir cada vez mais o desperdício dos alimentos. 
 

*com orientação da editora Ana Cristina Pereira 

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