Solar Gastronomia no Rio Vermelho passeia entre as cozinhas clássica e afetiva

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23.10.2021, 11:00:00
Marepe - filé de peixe grelhado com tomatinhos e alho assado (Fotos:Leonardo Freire/Divulgação)

Solar Gastronomia no Rio Vermelho passeia entre as cozinhas clássica e afetiva

De maniçoba a carnes, passando pelos frutos do mar, a chef autodidata Andrea Nascimento passeia pela boa gastronomia oferecendo uma boa experiência

Ter um currículo repleto de títulos e de experiências em restaurantes estrelados mundo a fora conta muito para um chef de cozinha. Não há dúvidas de que o domínio das técnicas faz a diferença, mas nada supera aquela emoção de um cozinheiro que enche os olhos de lágrimas na hora de falar sobre o seu ofício e da paixão pela gastronomia. Para estes, as memórias afetivas, sempre ligadas aos aromas, sabores e aos encontros familiares em volta da mesa, funcionam como um diploma que nenhuma escola garante. Não são poucos os cozinheiros que, embora comandem uma cozinha profissional – função que na prática que lhes dá o título de chef – preferem inclusive serem chamados de cozinheiros. 

Trio de brusquetas: um das entradas que se tornou um clássico

É o caso da baiana Andréa Nascimento que cresceu entre as finanças do negócio da mãe e o aroma da comida que ela preparava. “A marca ficou cravada no meu DNA”, diz com os olhos molhados. Autodidata, Andréa ganhou fama na cidade quando abriu, lá pelos idos dos anos 1990, uma pequena creperia na Barra que fazia fila na porta. Isso, muito antes daquele boom deste tipo de comida que volta e meia, assim como outros, viram modinha e pipocam pelos bairros. 

Filé ao molho de roquefort com linguine

Da Touché, nome da dita cuja, a cozinheira evoluiu para outros empreendimentos na área de gastronomia até se fixar de vez na Rua Fonte do Boi, no Rio Vermelho, com o seu charmoso e bem cotado Solar Gastronomia. A marca, que antes da pandemia mantinha um espaço também no Palacete das Artes, enfrentou as agruras dos novos tempos, se reinventou e segue firme com um cardápio variado que é de encher os olhos. “É como se estivéssemos começando um novo negócio”, conta a chef que está revendo clássicos da casa para reintegra-los ao menu e criando novas iguarias para não perder aquele elemento surpresa que sempre agrada ao cliente. Um deles, o tentáculo de polvo, que funciona como uma entrada para compartilhar, é de uma simplicidade, e ao mesmo um tempo de um sabor e aparência de fazerem o mais exigente comensal se render ao talento da criadora. 

Panceta com musseline de inhame no cardápio executivo

Acompanhado de batatas rústicas, brócolis e pimentas, o prato – generoso por sinal – é embebido numa mistura de azeite de oliva com páprica doce e limão siciliano que faz a festa do paladar. Claro que a combinação não é nenhuma descoberta genial, mas o equilíbrio dos ingredientes de boa qualidade e o talento para junta-los não é para qualquer um. Isso sem falar na textura perfeita do polvo, ponto que muitas vezes compromete o prato. Não é o caso deste que, assim como a releitura do famoso Filé Juarez, poderia afirmar, sem medo de errar, deveriam ser os carros-chefes da casa. Para quem já experimentou o famoso filé na raiz – no restaurante do Juarez - vai se surpreender com a crocância da carne– que fica tostadinha – com a maciez e suculência quando a faca atravessa o corte. 

Lapinha: crepe com morangos frescos

Por falar em filé, embora não seja um restaurante dedicado às carnes, a casa oferece pelo menos cinco tipos desse corte com molhos distintos. Todos muito bons, mas eu me rendi ao com molho de roquefort que vem acompanhando de linguine. Não tem como errar se essa for também a sua escolha.  Mas Andrea Nascimento também opera na raiz. Sua maniçoba, por exemplo, costuma ser elogiada pelos mais puristas nativos do Recôncavo, templo dessa criação que mistura a folha de mandioca cozida (maniva) com carnes. Como diz a escritora Aninha Franco, que já experimentou a maioria dos pratos da casa, “é difícil o chef se sair bem nos clássicos e nos pratos típicos ao mesmo tempo, mas a do Solar Gastronomia consegue”. 

Solar Gastronomia é comandado pela chef Andrea Nascimento

Outro prato que merece ser provado é o risoto de camarão da casa. Perguntada sobre  qual o segredo do prato, a chef ri e diz: “não tem segredo nenhum, uso os mesmo ingredientes de uma receita clássica”. Pode até ser, mas que tem ali um que de especial, isso tem.  

Entre clássicos da cozinha francesa e outras invencionices da gastronomia mediterrânea, Andréa aposta noutras opções made in Bahia, como a moqueca de banana com camarão que faz a alegria dos turistas que costumam se hospedar nos hotéis do bairro. E, como não poderia deixar de ser, o cardápio de sobremesas resgata uma das suas especialidades, os crepes, onde tudo começou. O Lapinha, por exemplo, mistura recheio de morangos frescos com chocolate meio amargo e calda do mesmo fruto in natura. É de comer rezando! 

Por estas e por outras, o Solar Gastronomia é uma ótima opção para quem gosta de variedade com estilo. Tudo envelopado num projeto arquitetônico de bom gosto com direito a mesas também na varanda que agora se estendem pela simpática pracinha onde o restaurante está instalado. Vou voltar mais vezes. 
 

Serviço:
@solargastronomia 
Rua Fonte do Boi, 24, Rio Vermelho

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