'Terror psicológico dos assaltantes ainda me tira o sono', diz repórter da TV Bahia

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19.06.2019, 09:47:00
Atualizado: 19.06.2019, 11:45:42
(Reprodução/Acervo Pessoal)

'Terror psicológico dos assaltantes ainda me tira o sono', diz repórter da TV Bahia

Bandidos colocaram fogo em carro com repórter Jony Torres

O jornalista Jony Torres usou as redes sociais nesta quarta-feira (19) para comentar a tentativa de assalto que sofreu noite desta segunda-feira (17) na zona rural da cidade de Esplanada, região Nordeste do estado.Os ladrões ainda atearam fogo ao veículo, mas Jony conseguiu escapar antes das chamas consumirem seu veículo, um modelo Nissan Tiida de quatro portas. O carro teve perda total. O jornalista da TV Bahia tem uma fazenda com o sogro no município.

(Foto: Reprodução)

No texto, Jony agradeceu o apoio das pessoas após o episódio e falou sobre o terror psicológico que sofreu. "Este talvez seja o momento mais difícil da minha vida pra mim e minha família, estamos todos muito angustiados, com medo, mas confiantes que este pesadelo vai acabar e o mais rápido possivel iremos retomar nossa rotina de vida. Eu estou bem, fisicamente eu só levei uns poucos 'tapas na cara', saí sem praticamente nenhum arranhão do assalto, mas o terror psicológico aplicado pelos assaltantes ainda me tira o sono", escreveu o jornalista.

Na publicação, o repórter da TV Bahia postou uma foto trabalhando e fez um pedido por paz. "Escolhi postar esta foto que tirei enquanto trabalhava cobrindo o desfile dos Filhos de Gandhy que sempre levam uma mensagem de paz. E é isso que nós todos precisamos hoje e sempre. Paz!! Quero aproveitar pra agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil de Acajutiba e Esplanada que me deram todo suporte e apoio. Mais uma vez, agradeço a todos, nestes momentos o carinho e amor de quem nos quer bem é realmente o que nos acalenta o espírito", publicou. 

Leia relato na íntegra: 

Meus amigos, meus colegas de trabalho de todas as midias e veículos, as pessoas que ontem me abraçaram nas ruas, que estao trazendo força e palavras de força e solidariedade, eu quero dizer muito OBRIGADO!

Este talvez seja o momento mais difícil da minha vida pra mim e minha família, estamos todos muito angustiados, com medo, mas confiantes que este pesadelo vai acabar e o mais rápido possivel iremos retomar nossa rotina de vida.

Eu estou bem, fisicamente eu só levei uns poucos "tapas na cara", sai sem praticamente nenhum arranhão do assalto, mas o terror psicológico aplicado pelos assaltantes ainda me tira o sono.

Por isso escolhi postar esta foto que tirei enquanto trabalhava cobrindo o desfile dos Filhos de Gandhy que sempre levam uma mensagem de paz. E é isso que nós todos precisamos hoje e sempre.

Paz!! Quero aproveitar pra agradecer a Policia Militar e a Policia Civil de Acajutiba e Esplanada que me deram todo suporte e apoio. Mais uma vez, agradeço a todos, nestes momentos o carinho e amor de quem nos quer bem é realmente o que nos acalenta o espírito.

Crime grave
O crime foi cometido por dois homens que estavam numa moto. Segundo o jornalista, um deles aparentava ser adolescente, mas foi o mais velho que comandou toda a ação. O jornalista contou que o assalto durou, aproximadamente, 30 minutos. Ele ainda chegou a ser reconhecido pelo mais jovem, mas foi confundido com um policial.

"Ele achou que me reconheceu por ser policial e começou a dizer: 'nós é Bonde do Maluco [facção criminosa], porra, nós vai lhe matar. Cadê o celular, porra? Eu dizia pra ele: velho, eu sou jornalista, não sou polícia. Tenho dois filhos para criar. Um deles ainda disse: 'eu também não tive pai para me criar'", informou Jony.

Para ele, foi mais uma violência psicológica do que física. Segundo ele, os dois assaltantes aparentavam estar embriagados e drogados. "Eles só queriam o celular, na hora do nervoso, nem lembrei que tinha deixado na fazenda e falei que devia ter caído no carro", conta. O jornalista entregou a carteira com R$ 400, mas mesmo assim os ladrões ficaram irritados.

(Foto:Acervo Pessoal)

Jony contou ao CORREIO que precisou ir resolver um problema na fazenda de última hora e saiu, por volta das 18h30, para fazer um lanche em um posto de gasolina na BR-101. Para chegar até o local, trafegou por uma estrada de terra de cerca de 3 km. Quando estava voltando, precisou diminuir a velocidade por conta de uma linha férrea que tem na região e foi nesse momento que o jornalista foi abordado pelos assaltantes.

"Eles entraram no carro e me fizeram dirigir com uma arma apontada para a minha cabeça até uma plantação de eucalipto. Lá, me colocaram deitado no chão e começaram a exigir o celular. Mas eu estava tão nervoso, que nem me dei conta de que tinha esquecido na fazenda e disse que devia estar caído no chão do carro, como não acharam, decidiram me matar. Me botaram no porta-malas do carro e disseram: 'vou lhe matar porra´. Fiquei achando que me dariam um tiro, mas ele ainda disse: 'não vou gastar uma bala com esse filho da puta'". 

Só quando ouviu o barulho da moto dando partida é que o jornalista teve coragem de tentar sair do carro. "Meu carro era daqueles que tem uma cordinha para baixar o banco, eu consegui baixar e sair pelas portas do fundo. Só então vi que a parte da frente do carro já estava toda em chamas. Jogaram cachaça no carro e tocaram fogo", relembra.

O jornalista não soube estimar quanto tempo ficou preso no porta-malas. Mas quando achou que os bandidos já tinham saído do local, conseguiu sair do carro. Primeiro ele se escondeu no mato e depois começou a correr, pra sair dali. "Na estrada de chão me deram socorro e acionaram a Polícia Militar, que foi no local e encontrou meus documentos jogados no chão", conta.

Quase 24 horas depois do assalto, o jornalista conta que até agora está praticamente sem dormir. "Só pensava nos meus filhos", diz. Ele já havia sofrido um assalto em Salvador, mas nada que fizesse com que ele temesse tanto pela sua vida. "Foi terrível. Uma maldade sem sentido. Queriam me matar só por causa de um celular", comentou Jony, destacando que os bandidos estavam visivelmente transtornados.

Ele conta que ainda se sente como se estivesse "dentro de um pesadelo". "A vontade que da é de ir dormir pra acordar depois e descobrir que era apenas um sonho ruim", finaliza. 

O veículo está no seguro. Na manhã desta terça-feira (18), policiais começaram a busca pelos bandidos. Em nota, a Polícia Civil informou que o roubo é investigado pela Delegacia de Esplanada, "que realiza incursões para identificar e prender os autores". O CORREIO vem tentado falar com o delegado da região, mas ninguém atendeu às inúmeras ligações realizadas à unidade.


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