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Maria Raquel Brito
Publicado em 28 de abril de 2026 às 05:00
Desde que a Refinaria de Mataripe, da Acelen, anunciou uma redução nos preços dos combustíveis vendidos às distribuidoras, a expectativa dos soteropolitanos era sentir esse diminuição nos postos de gasolina. Em alguns estabelecimentos, a queda realmente veio. Para muita gente, porém, a realidade foi outra: o preço até aumentou. >
Atualmente, o litro da gasolina comum em Salvador varia entre R$ 6,87 e R$ 7,79, segundo levantamento realizado pela reportagem em postos da capital e com base em dados do aplicativo Preço da Hora, nesta segunda-feira (27). O mais barato está em duas unidades do posto Copmetro, localizadas na Vila Laura e em Armação. O litro mais caro, por sua vez, está em três estabelecimentos: Jagua Combustível, na Pituba; D&B Comercial, em Pituaçu; e LFG Comércio de Combustíveis, em Armação.>
Gasolina em Salvador
O valor máximo identificado supera o registrado no levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado nesta segunda-feira. De acordo com o boletim, que pesquisou 20 postos na capital baiana entre os dias 19 e 25 deste mês, o preço variou entre R$ 6,89 e R$ 7,59 na última semana. >
No último dia 23, a Refinaria de Mataripe anunciou redução nos preços dos combustíveis vendidos às distribuidoras: o Diesel S10 caiu 1,05% (de R$ 5,926 para R$ 5,864), o Diesel S500 recuou 1,09% (de R$ 5,709 para R$ 5,647) e a gasolina teve queda de 1,36% (de R$ 3,903 para R$ 3,850). Este foi o segundo anúncio de diminuição dos valores neste mês de abril.>
De acordo com a Acelen, os preços dos produtos da Refinaria de Mataripe para as distribuidoras seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo (adquirido no mercado internacional); câmbio e frete, podendo variar para cima ou para baixo.>
Os postos, por sua vez, são livres para praticar os preços que entendem como justos. Não há, atualmente, nenhuma interferência no posicionamento de precificação dos estabelecimentos. É o que ressalta Marcelo Travassos, secretário executivo do Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias Alternativas e Lojas de Conveniência do Estado da Bahia (Sindicombustíveis-BA). >
“Nós vivemos numa economia de mercado e, consequentemente, a liberdade de estabelecer os preços é praticada por qualquer agente econômico”, diz.>
O economista Marcelo Ferreira explica que, nesse mercado, o comum é os preços subirem rápido e descerem devagar. Segundo ele, o movimento é influenciado por fatores como estoques adquiridos antes das reduções nas refinarias, custos operacionais e eventuais altas no preço do etanol, que está na mistura da gasolina. >
“Além dos fatores de custos e estoques, precisamos observar a estrutura do mercado de revenda. O setor de combustíveis opera em um regime de concorrência imperfeita. Muitas vezes observamos falta de agressividade comercial entre concorrentes locais, impedindo que a redução da refinaria chegue à bomba. Em casos mais graves, podem se configurar indícios de cartel, onde o alívio dos preços é retido na margem de lucro do posto, em vez de ser transferido para o bolso do cidadão”, afirma.>
Marcelo Travassos ressalta que o mercado de revenda é altamente sensível às variações de preços praticadas pelas distribuidoras, responsáveis por abastecer os postos. “Quando a distribuidora aumenta, dificilmente o posto consegue absorver o aumento dado. Mas, se a distribuidora diminui, dificilmente ele não vai diminuir, porque senão vai perder espaço, já que outro posto, ao reduzir, vai ganhar esse mercado de forma bastante significativa. Então, essa dinâmica é uma característica do segmento”, afirma.>