Vai um cafezinho aí? Pandemia faz consumo de café crescer; saiba como escolher

bahia
01.08.2021, 05:30:00
(Divulgação)

Vai um cafezinho aí? Pandemia faz consumo de café crescer; saiba como escolher

Confira também os benefícios e os perigos da bebida que virou a paixão dos baianos no isolamento social

Jorge Amado não precisou escrever um romance para falar sobre café. Tão simples como misturar água quente e pó preto no coador, bastou uma frase do escritor baiano  para que o líquido negro tivesse sua verdade absoluta sentenciada como lei: “numa xícara de café, pode-se sentir o sabor amargo e doce da vida”, escreveu Amado, durante uma exposição de xícaras em Salvador, em 1997.

Quase uma sentença neste período tão difícil, em que só um bom café pode acalantar nossos corações pandêmicos e isolados por conta da propagação da covid-19. O sentimento do baiano com o café nunca esteve tão forte e ganhou até um lugar especial em boa parte dos lares. O cantinho do café é o novo divã. 

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo da bebida no país cresceu 1,34% no primeiro ano de pandemia. Parece pouco, mas pense que este crescimento ocorreu mesmo com as cafeterias fechadas durante boa parte de 2020 e 2021, por conta da necessidade de distanciamento social.

Se compararmos apenas os meses de março de 2020, quando o coronavírus chegou ao Brasil, com março deste ano, em plena segunda onda da doença, foram 35% de crescimento. Sem as tradicionais cafeterias para receber o público, o consumo foi dentro de casa mesmo. Principalmente por causa do home office praticado por grande parte dos trabalhadores, que contam com a companhia daquela caneca fumegante e aromática. 

Mauro se aprofundou no café durante a pandemia e criou o cantinho do café na sua casa (Foto: Acervo pessoal)

Mauro Borges é professor em Santo Antônio de Jesus. As aulas presenciais paralisadas (e a obrigação de ficar em casa) despertaram uma nova paixão no docente. Sozinho no seu apê, ele resolveu separar um cantinho do espaço para colocar uma cafeteira elétrica. Caminho sem volta. Hoje, Borges tem dois tipos de cafeteiras de cápsula, moedor de grãos e uma infinita variedade de cafés.

“Tenho dedicado um tempo para experimentar as diversas formas de fazer café. Desde a temperatura da água, passando pela origem do grão até o modo de filtragem. Sempre que encontro um novo utensílio para o preparo, fico instigado a testar. Preparo o café e aprecio no fim da tarde, em momentos de introspecção”, conta o professor de informática, que resolveu recentemente fazer um canal no Youtube para mostrar suas experiências. Tem apenas 15 inscritos, mas ele se diverte mostrando suas experiências. 

Cantinho do café
Dizem que a vida só começa depois de um bom café. Mas fazer um cantinho desses para encarar o dia requer cuidados especiais, como se estivesse fazendo um altar para os deuses da cafeína. É um cantinho pessoal. Vale separar um espaço na sala, desde que seja próximo a tomadas para os utensílios elétricos. Vale apelar para bules decorativos, suporte para xícaras e até quadro na parede com frases referentes ao café.

Especialista no assunto, Nil Saldanha sugere o café em grão moído na hora

“Um cantinho do café que se preze precisa ter amor. Amor ao café. É uma bebida que eu digo que abraça, acolhe e aconchega. Sempre vai aparecer um jeito novo de preparar, uma cafeteira diferente, novas receitas. Se tiver um moinho em casa é melhor pra ter sempre um café fresquinho. É bacana ser curioso, sempre procurar conhecer mais, entender mais. O imprescindível mesmo é ser um momento de descontração e prazer”, garante Nil Saldanha, que é especialista no assunto e proprietário da cafeteria Nossa Senhora do Bom Café. Contudo, não adianta nada fazer um cantinho do café se não sabe preparar um cafezinho de qualidade. É preciso também saber o que está tomando. 

Existem diversas formas de se preparar café, mas três estão em evidência: as cápsulas, o tradicional café moído, vendido em qualquer mercado, e grãos moídos na hora, com auxílio de moedores elétricos ou manuais. No Brasil, duas espécies de grão dominam o mercado: Robusta e Arábica. A torragem também conta.

“Prefira um café de torra média ou clara porque é um café que não foi queimado. Logo, não amarga. Opte por cafés da variedade Arábica, pois têm um leque de aromas e notas de sabor naturalmente mais amplos”, ensina Nil.

Todas estas informações devem estar na embalagem, inclusive com selos de qualidade e QR CODE para você rastrear o produto e saber a procedência. Outra dica: apesar do café ter validade de um ano, escolha os que estão com até três meses de fabricação. Depois, o café começa a perder qualidade e aroma, apesar de estar ainda apto para consumo. 

Atualmente, os amantes de café estão preferindo comprar grãos inteiros e moer na hora. É o que especialistas indicam. “Os grãos de café, depois de torrados, possuem gases em seu interior, e esses gases são responsáveis por expelir o aroma. Então, se você tem um café em grãos e mói na hora, os gases ali contidos são liberados e você tem como resultado um café mais fresco e aromático”, completa Nil.

A queridinha da vez é a cafeteira com cápsulas, principalmente pela praticidade e variedade de sabores. Também deixam o cantinho do café mais chique com as cápsulas arrumadinhas no local. Contudo, nem todas possuem a qualidade que especialistas pregam na hora do café perfeito.

“As cápsulas são uma excelente opção de praticidade, porém, sugiro buscar aquelas que usem cafés especiais e a tecnologia de modificação de atmosfera com injeção de nitrogênio para conservar o sabor e aroma de um café recém moído. Dá mais trabalho, mas ainda prefiro a opção de moer o grão na hora”, explica Juli Allegro, barista e produtora do café do Latitude 13 Cafés, direto da Chapada Diamantina.

Tipo exportação
É bom lembrar que baiano não entende apenas de beber o café. Quarto maior produtor de café no Brasil, a Bahia produziu 4,13 milhões de sacas em 2020, aumento de 37,9% em relação a 2019, segundo a Embrapa. A Chapada Diamantina passou a ser a rota dos apreciadores de um cafezinho perfeito.

Na 20ª edição do Cup of Excellence 2019, que elege os melhores cafés do Brasil, o café da agricultura familiar baiana, produzido por meio de cooperativa na cidade de Piatã, na Chapada, levou o terceiro lugar no aspecto qualidade. Na edição anterior, em 2018, dos 36 cafezais premiados, 46% estavam na Chapada. Achou pouco? O Vaticano importa café da Chapada Diamantina para o Papa Francisco. Entre as marcas está o Latitude 13.  

Juli Allegro é produtora do café do Latitude 13 Cafés, da Chapada Diamantina (João Alvarez/ASN Bahia)

“O consumo de café em casa aumentou nesta pandemia. Primeiramente, é preciso saber escolher um bom café na gôndola do supermercado. Para isso, é muito importante ler as informações dispostas nas embalagens. Um bom café é 100% arábica, torra média e de preferência especial. Fujam dos cafés extrafortes porque, geralmente, estes cafés tem uma torra excessiva para esconder defeitos da matéria prima”, sentencia Allegro.

Tirando a cerveja, o café já é a bebida mais consumida no país. Segundo a ABIC, o brasileiro consome uma média de 4 xícaras, por dia. Quem não aumentou o consumo durante esta pandemia, que atire a primeira pedra.

“O vício acentuou neste período. Estou nervosa, tomo café. Estou calma, tomo café. Acordo no meio da noite, cafezinho. De manhã cedo, café para acordar de boas. São duas garrafas térmicas, por dia”, disse a servidora pública Maria Lúcia. “Não tenho cantinho do café em casa. Mas tenho cafeteira italiana e no trabalho tem máquina de expresso de graça. Chego a tomar seis xícaras por dia”, assegura o jornalista Eduardo Scaldaferri.

Mas, é preciso segurar a onda. O consumo exagerado pode gerar irritabilidade, insônia, ansiedade e até problemas no estômago. “A cafeína pode causar alguns problemas devido ao seu poder estimulante. Por isso, estudos indicam que o consumo ideal é de até 3 xícaras por dia. Outros componentes do café, como ácido clorogênico e tocoferóis, possuem uma potente ação antioxidante, além de reduzir os níveis de estresse e auxiliar no processo digestivo”, orienta Thaís Viana, nutricionista e professora da Rede UniFTC.

“Importante lembrar que o modo como a bebida será consumida também é determinante para obter seus benefícios ou não. O ideal é evitar o consumo com adição excessiva de açúcar”, completa. O café não é cerveja, mas também é bom beber com moderação. 

Faça seu cantinho do café

Cafeteira - A moda é a cafeteira de cápsula, mais fácil de lidar e com sabores diferentes para cada paladar. Os preços variam entre R$ 200 e até R$ 1.000. Cafeteira elétrica também é uma boa opção, podendo custar R$ 89. Moedores elétricos podem custar R$ 129. Quem é raiz, coa o café à moda antiga, com filtro de pano, direto no bule. 

Pó, grão ou capsula?  - Caso moa os grãos, faça a quantidade necessária para aquele momento. O pó vendido nos mercados tem validade de um ano, mas prefira com até 3 meses de fabricação porque, após moído, o café perde a qualidade com o tempo. As cápsulas duram mais pois o recipiente é fechado à vácuo.

Utensílios - Xicaras, canecas e até copos para o seu café podem ter um toque especial. Uma dica é pendurá-las em porta-copos presos da parede. Para quem utiliza cápsulas, é bom uma cesta para colocar as usadas, além de um suporte para guardar as novas. Vale também bules retrôs e potes personalizados. Use a imaginação. 

Local - Vai depender muito do seu cafofo. Qualquer lugar com uma estante pode virar um cantinho do café. Contudo, é preciso ter tomada por perto. O melhor local ainda é a sala, principalmente para quando recebermos visitas novamente. 

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No precinho!
Onde está mais barato?

Cafeteiras de capsula
- Máquina de Café Expresso Três Corações: (Le Biscuit – R$ 329)
- Cafeteira Expresso Arno Dolce Gusto: (Americanas - R$ 398,90)
- Nespresso Essenza Mini: (Amazon – R$ 399,90)

Cafeteira elétrica
- Cafeteira Elétrica Mondial: (Casas Bahia – R$ 89,90)

Moedor de café
- Moedor de Café di Grano elétrico: (Amazon – R$ 129,90)
- Moedor de Café Inox 30g manual: (Amazon – R$ 59,90)

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