Viajante de carteirinha: procura por clubes de turismo aumenta quase 60%

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02.01.2022, 11:00:00
A aposentada Itamar Marins faz parte de um clube de viagens há 30 anos (Foto: Nara Gentil/ CORREIO)

Viajante de carteirinha: procura por clubes de turismo aumenta quase 60%

Entenda como esse serviço funciona e quando vale a pena fazer parte; há clubes com depósitos a partir de R$ 25 mensais

A aposentada Itamar Marins, 67 anos, já perdeu as contas de quantas viagens fez. A mais recente foi para São Paulo. Viajou tanto, que se tornou sócia de um clube de turismo, assinatura que ela mantém há quase 30 anos. “Fiquei sabendo que o clube existia por recomendação dos meus colegas de trabalho na época. E é assim, que vou fazendo minhas viagens, inclusive, as internacionais”, conta.   

A próxima, deve acontecer ano que vem para Maragogi, em Alagoas. “Em um período de 12 meses posso contar com uma ampla rede de hospedagem de qualidade no Brasil e no exterior.  Além disso, inclui de meus dependentes como usuários. O clube tem pacotes específicos para idosos e, além disso, há a possibilidade de participar de consórcio de imóveis e de automóveis e também de contratar diversos tipos de seguros”, destaca Itamar.   

Descontos em hospedagens em qualquer época do ano e vantagens também na hora de adquirir uma passagem são só alguns dos benefícios dos clubes de turismo, que funcionam como uma espécie de planejamento antecipado da viagem. E a procura por esses serviços – que ainda tem muito consumidor que não conhece – já dá sinais de retomada. Isso porque, empresas que atuam no segmento como o Bancorbrás, registraram um crescimento de 59% nas vendas, quando comparadas com 2020. São 90 mil associados em todo país. 

“Percebemos uma movimentação significativa na retomada do turismo em 2021. No Clube de viagens, o cliente paga uma taxa fixa mensal e tem direito a um determinado número de diárias para usufruir em hotéis parceiros. Já os de pacotes de viagens, trabalham com hospedagem, aéreo e passeios fixos fechados”, explica o diretor-executivo do Bancorbrás Turismo, Carlos Eduardo Pereira. A taxa de adesão única custa R$ 395.  A partir daí, o assinante paga o valor das mensalidades, que varia de R$ 198 até R$ 347, conforme a categoria do título. 

O momento fez ainda que o clube passasse a ofertar consultas gratuitas por vídeo com o clínico geral 24h por dia, com o aplicativo Dr. Hoje.

“Entre outros benefícios, é possível alcançar até 60% de economia em sua hospedagem e descontos em passagens aéreas de até 30%”, acrescenta Pereira. 

Outro clube de viagens bem conhecido no mercado, que percebe esse crescimento é o Viajar Faz Bem. Para o verão já são 15 mil reservas no Brasil, conforme aponta o head de marketing e growth da empresa, Luiz Felipe Lopes da Costa.

“O crescimento é bem visível e podemos observar ele em duas partes importantes do nosso negócio. Primeiro, conseguimos retomar o crescimento de assinantes em números expressivos, chegando próximo ao patamar pré-pandêmico. E segundo, é que nossos assinantes voltaram a viajar com força total usando seus créditos”. 

Entre os destinos mais procurados estão Rio de Janeiro (RJ), Gramado e Canela (RS), Florianópolis e Balneário Camboriú (SC). O plano inicial tem o valor de R$ 189,80 mensais. Os créditos podem ser utilizados em diferentes produtos e períodos.

“Nas diárias hoteleiras, é possível alcançar uma economia de 60% em relação à tarifa praticada no balcão. Em um clube de viagens, a pessoa não está comprando uma viagem específica, mas mudando a forma como se relaciona com as viagens. O nosso sistema permite que o usuário viaje todos os anos. E ninguém volta o mesmo após viajar. Isso amplia a visão de mundo das pessoas”. 

Mas qual a diferença de fazer parte de clube para um pacote de viagem comum? Quem explica é o economista e educador financeiro Edísio Freire. “No geral, os clubes de viagem têm por característica, criar condições para que os usuários possam pagar antecipadamente determinado pacote e ter ainda ter benefícios de descontos em hospedagem e outros serviços vinculados àquela assinatura. Não são, necessariamente, serviços novos, porém, cada vez mais estão se diversificando, sobretudo, na pandemia”. 

Freire alerta que a assinatura só faz sentido para quem viaja com uma certa frequência. “Ou seja, são para consumidores que viajam com muita frequência e buscam também serviços mais especializados de hotelaria. É fundamental considerar a forma que ele vai consumir aquele plano. Para que locais viaja? Quantas vezes por ano? Qual o padrão das suas viagens? São perguntas importantes para evitar que você pague por algo que não vai usar”, recomenda. 

Viagem planejada 
Aliás, flexibilidade é um dos fatores que os viajantes têm mais considerado ao optar por um clube de turismo. No caso do médico Filipe Carvalho, 35 anos, ele comprou uma fração de um apartamento em um hotel, ao se associar ao clube de férias de um resort. Porém, o sistema da empresa permite que o médico ‘venda’ essa semana. Em troca, ele ganha uma pontuação que pode usar em qualquer outro hotel filiado ao redor do mundo. 

“Sem dúvidas, a flexibilidade de poder usar minha cota do jeito que preferir, foi o maior atrativo. Podemos usar para retornar ao hotel que compramos, trocar por pontos para outros hotéis, ceder a semana para amigos ou até mesmo vender para terceiros”.

Ele faz parte do clube há três anos. “Antes da pandemia, fizemos duas viagens internacionais e se as cosias melhorarem em 2022, pretendo fazer outras duas, apenas com a pontuação à qual tenho direito, sem custos extras”, complementa. 

A advogada Gisele Vieira, 34 anos, é mais uma que se rendeu aos clubes de viagem. A assinatura veio para funcionar como uma “poupança”. “Antes do clube não tinha o costume de reservar uma parte dos meus ganhos para viagens. Participar do clube me ajudou a ter disciplina quanto a isso, pois apesar de parecer supérfluo, para mim viagens são extremamente necessárias para a manutenção da minha saúde mental. Então, com o clube consigo me organizar para viajar com mais frequência”, conta. 

Hoje, ela costuma fazer três viagens por ano e paga mensalidades de, no mínimo, R$ 25 para conseguir um desconto maior no pacote e mais facilidade no pagamento. “Tem meses que consigo pagar mais que isso, o clube que assino me possibilita essa liberdade. Depois que me vacinei voltei a viajar. De agosto para cá já fui Jalapão, Mangue Seco e Recife. No início do mês passei um fim de semana em Itacaré.  Mas, pelo clube, já fui para a Argentina, Piranhas e algumas vezes para a Chapada Diamantina”. 

Em clubes como o da Viver Turismo, desde a retomada as assinaturas tiveram um crescimento de 37,9%. No formato da empresa, o associado realiza créditos mensais, junta valores e utiliza quando desejar em qualquer dos pacotes de viagens. O perfil de clientes é, principalmente, de mulheres com idade entre 30 e 50 anos. Para o proprietário da agência Diego Brito, os viajantes têm preferido experiências singulares e com roteiros “fora da caixinha”: 

“São roteiros fora da prateleira. Continuamos a trazer roteiros singulares, como Pirenópolis, em Goiás, Juazeiro, na Gruta do Sumidouro, além da Chapada dos Veadeiros. Para o ano que vem estamos programando também Amazonas e Pará”. 

Cuidados 
O especialista da Proteste Associação de Consumidores, Rodrigo Alexandre, dá alguns conselhos para quem pretende aderir a esse sistema de clubes. Como nenhum clube é igual ao outro, o principal deles é tirar todas as dúvidas antes da contratação. 

“Pesquise se o atendimento e suporte dado aos clientes no momento de aperto são satisfatórios. E, principalmente, leia atentamente o contrato para saber o que se tem direito com a utilização do clube de viagem, quais os benefícios que o clube oferece. Se possível procure saber a opinião dos outros associados do clube”. 

Outro ponto a ser analisado é a quantidade de hotéis conveniados e a diversidade de destinos. “Se um clube de vantagens oferece benefícios excessivos, desconfie, assim como promoções com preços muito baixos. Procure a página e as redes sociais oficiais do clube de viagens, para evitar contratar pacotes em sites falsos”, completa. 


COMO FUNCIONAM OS CLUBES DE VIAGENS?

O que são 
Os clubes de turismo funcionam como uma espécie de planejamento antecipado da viagem. Mensalmente, o assinante paga um valor mensal para ter acesso aos benefícios, mas existem empresas também que convertem esses depósitos em créditos. Alguns, cobram uma taxa única de adesão além das parcelas.   

O que oferecem 
Geralmente, os clubes oferecem descontos em hospedagens em qualquer época do ano e vantagens na hora de adquirir uma passagem. Mas a depender do clube e do tipo de assinatura existem outras vantagens e serviços.   

Quanto custa 
Esse é um ponto que vai variar muito de uma empresa para outra, assim como os benefícios do plano. Porém, há clubes com depósitos a partir de R$ 25 mensais. Entre as empresas mais comuns estão o  Bancorbrás e o Viajar faz Bem. Na Bahia, a agência Viver Turismo é uma das que contam com o serviço.   

Para quem vale a pena 
Os clubes fazem mais sentido para aqueles que viajam várias vezes no ano e têm preferência por produtos mais especializados de hotelaria. É fundamental considerar qual a maneira que pretende consumir o plano.   

Cuidados ao contratar 
Como nenhum clube é igual ao outro, o principal deles é tirar todas as dúvidas antes da contratação. Pesquise se o atendimento e suporte ao cliente no momento de aperto é satisfatório e quais os benefícios que oferece. Busque, inclusive, opiniões de outros associados. 

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