Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Juliana Rodrigues
Publicado em 10 de abril de 2026 às 10:50
Câmara aprovou reajuste de multas para postos de combustíveis irregulares. A medida visa desencorajar fraudes técnicas ao atualizar penalidades que, por estarem defasadas, perderam o poder de desestímulo ao crime. >
O projeto de lei estabelece a atualização anual das multas aplicadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A medida visa preservar o valor real das sanções diante da inflação, assegurando a capacidade punitiva do órgão regulador.>
Protesto contra a alta do preço dos combustíveis em Salvador
A proposta foi aprovada na forma do substitutivo do relator, deputado Alceu Moreira (MDB-RS). O texto determina um reajuste de 4,7 vezes nos patamares atuais: o piso das multas passa de R$ 5 mil para R$ 23,5 mil, enquanto o teto é elevado de R$ 5 milhões para R$ 23,5 milhões. A graduação dos valores será definida conforme a natureza e a gravidade de cada infração.>
A importação ou comercialização de derivados fraudados poderá ser penalizada com multas entre R$ 94 mil e R$ 23,5 milhões. >
A sanção será aplicada de forma gradual, considerando variáveis como as atividades de importação, exportação e venda de produtos fora das especificações técnicas. >
O projeto utiliza o rigor financeiro como instrumento de controle do setor. De acordo com o texto, a reincidência sujeita o estabelecimento a sanções administrativas severas, incluindo a suspensão das atividades. A medida visa desestruturar o incentivo econômico da fraude, garantindo que o valor das multas supere o lucro obtido com a adulteração de combustíveis por solventes ou excesso de etanol. >
O deputado Flávio Nogueira, autor do projeto, disse que o comércio de combustíveis fora do padrão legal deturpa a concorrência, penaliza o empreendedor honesto, lesa quem está consumindo e compromete bilhões em arrecadação que deveriam retornar às políticas públicas. >
"É exatamente para enfrentar esse tipo de realidade que o projeto foi criado. Estamos fortalecendo o Estado para que ele não seja refém do crime organizado", afirmou.>
A votação priorizou a defesa do consumidor final. "O projeto busca garantir que o consumidor não seja lesado por práticas abusivas que danificam o patrimônio e colocam em risco a segurança", destacou a relatoria. >
A nova legislação amplia o rigor da fiscalização para excluir do mercado infratores que lucram com a adulteração de combustíveis. O projeto segue agora para análise do Senado Federal.>