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Maiara Baloni
Publicado em 31 de março de 2026 às 17:30
Brasília costuma ser lida pelo país através das lentes do poder, do mármore branco e das decisões políticas. No entanto, para quem vive ou visita a capital federal, existe uma outra escala, igualmente monumental, mas vestida de verde. O Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek não é apenas uma área de lazer; é um fenômeno urbanístico de 420 hectares que desafia as proporções de qualquer outra metrópole brasileira. >
Maior da América Latina: conheça o parque em Brasília que é três vezes maior que o Ibirapuera
Para se ter uma ideia da magnitude, esse pulmão é quase três vezes maior que o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, consolidando-se como o maior parque urbano planejado da América Latina.>
O que torna este espaço um ícone nacional não é apenas a sua metragem quadrada, mas a convergência de talentos que moldaram a identidade visual do Brasil moderno. Caminhar pelo parque é, na prática, visitar uma galeria de arte a céu aberto. O projeto urbanístico de Lúcio Costa ganha vida nos traçados que integram a natureza ao desenho da cidade, enquanto o paisagismo de Roberto Burle Marx organiza a flora de forma sinfônica. >
A arquitetura leva a assinatura inconfundível de Oscar Niemeyer e, em um detalhe que encanta os olhos mais atentos, os banheiros e áreas de convivência são adornados pelos azulejos geométricos de Athos Bulcão. É um raro exemplo mundial onde o design de elite se tornou cenário para o churrasco de domingo e para as corridas matinais.>
A história do nome que hoje estampa os portais do parque carrega o peso das mudanças políticas da capital. Inaugurado em 11 de outubro de 1978, durante o governo do general Ernesto Geisel, o espaço inicialmente homenageava Rogério Pithon Farias, filho do então governador do Distrito Federal, Elmo Serejo Farias. Foi somente em 1997 que uma nova lei alterou a denominação para Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. >
A mudança fez justiça à memória da ex-primeira-dama, esposa de Juscelino Kubitschek, reconhecida por sua discrição e pelo imenso trabalho social e filantrópico que desempenhou durante a construção de Brasília, reforçando o simbolismo do parque como um espaço democrático e acolhedor.>
Em uma cidade que nasceu longe do litoral, o Parque da Cidade sempre cumpriu o papel de praia para os brasilienses. Um dos maiores símbolos desse imaginário é a icônica Piscina de Ondas. Embora desativada há anos, ela permanece no local como um monumento à nostalgia, servindo hoje de palco para eventos culturais e exibições de cinema ao ar livre, mantendo viva a memória das gerações que ali aprenderam a nadar com ondas artificiais no meio do Cerrado. Esse espírito de adaptação é o que mantém o parque pulsante, atraindo cerca de 790 mil visitantes por mês, um fluxo que supera de longe os grandes parques do Rio de Janeiro e de São Paulo. >
Diferente de parques nacionais que focam exclusivamente na preservação contemplativa, o Parque Sarah Kubitschek é um organismo vivo de serviços. Ele abriga um kartódromo de nível profissional, um centro hípico, o tradicional parque de diversões Nicolândia e uma pista de caminhada e ciclismo que se estende por doze quilômetros ininterruptos. É o lugar onde o funcionalismo público de Brasília se despe dos ternos e se mistura às famílias que ocupam as centenas de churrasqueiras sob a sombra dos ipês. >
Em um Brasil que busca soluções para o sufocamento das grandes cidades, o parque brasiliense se apresenta como um modelo de que o planejamento urbano, quando generoso com o espaço verde, é o maior legado que uma capital pode deixar para o seu povo.>