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Millena Marques
Publicado em 1 de abril de 2026 às 10:37
A fotógrafa soteropolitana Luana Omena viveu dias de desespero após realizar procedimentos fisioterapêuticos em uma clínica de Salvador. A profissional foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital após realizar duas técnicas no estabelecimento: uma liberação miofascial e um dry needling (agulhamento a seco). >
De acordo com o relato de Luana, publicado no Instagram na última terça-feira (31), ela conheceu a clínica ao fazer um trabalho na capital baiana, em novembro de 2025. Ela tem o hábito de realizar os dois procedimentos porque sente muitas dores no trapézio e no pescoço. “Fui bem atendida pela clínica e fui embora. Comecei a sentir um desconforto estranho no Uber”, relatou. Ela não quis divulgar o nome da unidade. >
Fotógrafa faz técnica fisioterapêutica em clínica de Salvador e vai parar na UTI com pneumotórax
Luana contou que as dores ficaram intensas após o banho, ao jogar o cabelo para frente. “Eu estava sentindo uma dor que começava embaixo do seio esquerdo e chegava à parte da escápula. Quando senti falta de ar, fiquei desesperada e me joguei na cama, com muito medo. Deitei e fiquei tentando respirar fundo. Só que, todas as vezes que eu tentava respirar fundo, sentia muita dor”, disse.>
Ela chegou a relatar para a mãe que estava sentindo dor, tomou um medicamento e foi fotografar um casamento. Durante o trabalho, começou a tossir. Luana ligou para a clínica e foi orientada pelo profissional que realizou os procedimentos a procurar uma emergência. Ela achou que as dores que estava sentindo eram de infarto. “Eu estava apavorada. Não conseguia parar de chorar. Minha dor não era ao toque, era interna”, contou.>
No hospital, ela fez exames de sangue e tomou medicação para dor. “Minha dor não passava, não diminuía. Os exames não deram nenhuma alteração”, relatou. Após ser submetida a raio-X e angiotomografia, Luana foi diagnosticada com pneumotórax, que é classificado em dois tipos: espontâneo e traumático. O primeiro pode ocorrer em qualquer pessoa; já o segundo é causado por uma lesão física no peito, que danifica a parede torácica.>
Inicialmente, o pneumotórax de Luana foi diagnosticado como espontâneo. O diagnóstico foi alterado para traumático após os médicos descobrirem que a profissional havia passado por um procedimento envolvendo agulha, o dry needling. “Meu caso poderia ser muito pior se eu tivesse demorado mais para procurar uma emergência. Esse não é um caso simples. Pode levar até à morte”, disse Luana, que ficou quatro dias internada — dois na UTI e dois no apartamento.>
A liberação miofascial é uma técnica de terapia manual que aplica pressão em pontos de tensão para reduzir dores, aumentar a mobilidade e relaxar os músculos. Ela é indicada para alívio de contraturas, melhora da circulação e recuperação pós-treino, podendo ser realizada manualmente ou com acessórios, como rolos e bolinhas. Já o dry needling (agulhamento a seco) é uma técnica fisioterapêutica invasiva que utiliza agulhas finas, sem medicamentos, para desativar pontos-gatilho (nódulos de tensão) e tratar a dor miofascial.>