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Millena Marques
Publicado em 28 de março de 2026 às 12:55
O sistema imunológico de um paciente pode ajudá-lo a detectar e matar as células cancerígenas. Isso acontece por meio de um dos tratamentos mais avançados contra o câncer na atualidade: a imunoterapia, que estimula o próprio organismo a reconhecer e destruir o câncer de forma mais específica. O método venceu o Nobel de Fisiologia e Medicina de 2018. >
O Ministério da Saúde, a MSD e o Instituto Butantan assinaram, na última quinta-feira (26), o termo de compromisso para o estabelecimento da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da imunoterapia pembrolizumabe para pacientes oncológicos no Brasil. O acordo deve atender anualmente 13 mil pessoas no país.>
Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da imunoterapia pembrolizumabe para pacientes oncológicos no Brasil
Mas, afinal, como o tratamento funciona? A imunoterapia permite que o próprio sistema de defesa do paciente reconheça as células cancerígenas e as combata, oferecendo aos pacientes respostas mais eficazes contra a doença. "A imunoterapia é a capacidade de fazer com que as nossas células de defesa, os linfócitos, reconheçam as células tumorais. É o nosso corpo combatendo o tumor", diz a médica Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil.>
Diferente da quimioterapia, um dos tratamentos mais conhecidos e usados contra o câncer no país, a imunoterapia oferece menor toxicidade ao paciente. Isso porque a quimioterapia ataca diretamente todas as células de crescimento rápido (incluindo as saudáveis) para matá-las, causando efeitos colaterais sistêmicos, como queda de cabelo, vômitos intensos e feridas na boca. A imunoterapia combate apenas as células tumorais.>
Márcia Datz Abadi,
diretora médica da MSD no BrasilA eficácia da imunoterapia varia conforme o tipo de câncer. No caso do melanoma, o câncer de pele mais agressivo do mundo, estudos comprovam que até 40% das pessoas estão vivas após mais de cinco anos de tratamento. Há duas décadas, a porcentagem era nula para casos em que a quimioterapia era aplicada. "A gente começa a falar em tempo tão prolongado de sobrevida que já se pode falar, talvez, em cura desses pacientes", pontua Márcia. Para o câncer de pulmão, a eficácia é de 33%.>
Atualmente, o SUS oferece o tratamento para pacientes com melanoma. Caso seja aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o tratamento será ampliado para pacientes com câncer de pulmão, mama triplo-negativo (CMTN), colo do útero e esôfago. A votação ocorre nos dias 8 e 9 de abril.>
O pembrolizumabe mudou o paradigma do tratamento do câncer globalmente e tornou-se o medicamento contra câncer mais utilizado no mundo, com possibilidade de aumento de sobrevida e qualidade de vida desses pacientes. No Brasil, desde que foi lançado em 2016, já tratou mais de 56 mil pacientes por meio de suas 40 indicações — no mercado privado e público.>
"Estamos entusiasmados em adicionar um novo projeto de grande porte à nossa sólida parceria de longo prazo com o Instituto Butantan. O projeto vai levar nossa tecnologia de ponta com o objetivo de alcançar melhores desfechos para pacientes oncológicos no Brasil", diz Renan Ozyerli, VP e diretor-geral da MSD Brasil.>
Todas as indicações possuem alto impacto, com benefícios no perfil de eficácia, incluindo aumento de sobrevida global. No caso do câncer de mama, o triplo-negativo é o subtipo mais agressivo e costuma afetar mulheres mais jovens, negras, com menos de 40 anos. Muitas vezes, elas desempenham o papel de provedoras ou líderes em suas famílias.>
Da mesma forma, o câncer de colo do útero mata cerca de 20 mulheres diariamente no país, sendo o mais mortal até os 35 anos e ainda figurando como o terceiro câncer mais incidente entre as mulheres.>
A imunoterapia tem se mostrado uma inovação promissora no tratamento desses cânceres, representando uma esperança de maior expectativa de vida para as mulheres afetadas. “Quando essas mulheres adoecem, há consequência direta no sustento e na dinâmica familiar, ampliando o efeito social da doença e causando um impacto significativo para o país”, explica Renan.>
Com mais de 35 mil novos casos por ano no Brasil e letalidade superior a 80%, em grande parte devido ao diagnóstico tardio e ao acesso limitado a terapias inovadoras, o câncer de pulmão exige respostas proporcionais ao seu impacto social sobre famílias, produtividade e o sistema de saúde.>
Já o melanoma metastático é o câncer de pele mais agressivo e responde por grande parte das mortes por câncer de pele, sendo que o Brasil está entre os dez países com maior número absoluto de casos. A maioria dos pacientes com câncer de esôfago é diagnosticada em estágio avançado, quando a letalidade é alta, mesmo com os tratamentos disponíveis no SUS.>
O pembrolizumabe será produzido em São Paulo, no parque fabril do Instituto Butantan, por meio de transferência de tecnologia com a MSD, prevista para ser concluída em até 10 anos. De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri, a produção local protege o sistema de saúde. "Ter capacidade de produzir aqui, no Brasil, dá ao paciente mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos como guerras ou interrupções nas cadeias logísticas", pontua.>
O anúncio do acordo foi realizado no evento "Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde", que reuniu 20 países e instituições brasileiras de saúde no Rio de Janeiro.>