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Millena Marques
Publicado em 23 de maio de 2026 às 06:30
“Eu não quero guerra com ninguém. A gente tem um nome a zelar.” Foi assim que Cristina de Jesus, uma das filhas de Cira e responsável pelo tradicional ponto de acarajé em Itapuã, resumiu a disputa familiar envolvendo a marca Acarajé da Cira, uma das mais conhecidas de Salvador. >
O rompimento entre as irmãs veio à tona após a divulgação de uma nota informando que o quiosque de Itapuã estaria temporariamente desvinculado da empresa responsável pela marca.>
Segundo Cristina, a crise começou depois que ela pediu prestação de contas à irmã, Juçara Santos. O faturamento dos pontos de Itapuã e do Rio Vermelho é dividido entre os seis herdeiros da baiana.>
“A gente teve uma discordância. E o que aconteceu? Eu fiquei aqui (em Itapuã) e continuo vendendo. Ela (Juçara) passou a querer retaliar o que não pode, o que ninguém pode”, afirmou Cristina.>
Cira do Acarajé morreu em 2020
Ela também declarou que está à frente do ponto de Itapuã há cerca de cinco anos e defendeu a importância histórica do local. “Esse ponto é um legado. A história não veio do Rio Vermelho, veio de Itapuã”, disse.>
A polêmica ganhou repercussão na quinta-feira (21), quando o perfil Acarajé da Cira Oficial, administrado por Juçara, publicou um comunicado informando que o quiosque de Itapuã não é mais operado pela empresa. A nota afirma que a decisão foi tomada “em função de questões administrativas e burocráticas que estão sendo tratadas internamente”.>
Com isso, os dois pontos seguem funcionando, mas apenas o quiosque do Rio Vermelho estaria oficialmente vinculado à empresa Acarajé da Cira.>
De acordo com o advogado de Juçara, Francisco Groba, ela é a inventariante da marca desde o falecimento da mãe. Segundo ele, os herdeiros decidiram que Juçara ficaria responsável pela administração dos dois quiosques. “Isso vinha sendo feito há mais de cinco anos”, afirmou o advogado. >
Ainda segundo a defesa, Juçara prestava contas regularmente aos irmãos e a gestão dela teria contribuído para fortalecer a marca ao longo dos anos.>
Groba também afirmou que Cristina passou a produzir e vender os produtos de forma independente no ponto de Itapuã, sem autorização dos demais herdeiros. “Ela já foi notificada extrajudicialmente. Medidas judiciais estão sendo avaliadas”, declarou.>
Outro ponto levantado pela defesa de Juçara é a preocupação com a qualidade dos produtos vendidos. “A gente não tem como garantir a qualidade. Por isso, resolvemos publicar uma nota dizendo que o quiosque de Itapuã estava temporariamente desvinculado da marca Acarajé da Cira”, explicou.>
Do outro lado, o advogado de Cristina, Wellington Andrade, afirmou que a divulgação da nota foi “indevida” e motivada por uma disputa familiar. “O quiosque de Itapuã funciona normalmente de segunda a domingo”, disse.>
Apesar do impasse, ainda não existe processo judicial envolvendo o uso da marca Acarajé da Cira. Atualmente, Cristina segue à frente do ponto de Itapuã, enquanto Juçara continua administrando o quiosque do Rio Vermelho.>