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É de Cira ou não? O que se sabe sobre o rompimento de irmãs herdeiras de tradicional acarajé em Salvador

Caso veio à tona após anúncio de desvinculação de marca

  • Foto do(a) author(a) Millena Marques
  • Millena Marques

Publicado em 22 de maio de 2026 às 18:38

Acarajé da Cira
Acarajé da Cira Crédito: Reprodução/Instagram

Quem aprecia acarajé em Salvador conhece a tradição da receita criada por Cira, considerada uma das mais famosas quituteiras da capital baiana. Com unidades em Itapuã e no Rio Vermelho, a marca agora enfrenta uma disputa familiar envolvendo a administração dos quiosques e divergências entre herdeiras da baiana.

Na quinta-feira (21), o perfil Acarajé da Cira Oficial, administrado por Juçara Santos, uma das filhas de Cira, anunciou que o quiosque de Itapuã não é mais operado pela empresa. De acordo com o comunicado publicado nas redes sociais, a desvinculação é temporária.

Cira do Acarajé morreu em 2020 por Reprodução/Instagram

Em nota, a empresa afirmou que a decisão foi tomada “em função de questões administrativas e burocráticas que estão sendo tratadas internamente”. Com isso, os dois quiosques seguem funcionando, mas apenas o do Rio Vermelho está sob operação da empresa Acarajé da Cira.

Segundo o advogado de Juçara, Francisco Groba, ela é inventariante da marca desde o falecimento de Cira, ocorrido em 2020. “Os herdeiros tomaram a decisão de que a herdeira e inventariante Juçara seria responsável pela administração dos dois pontos. Isso vinha sendo feito há mais de cinco anos”, explicou.

Ainda de acordo com a defesa, Juçara prestava contas mensalmente aos herdeiros. “Isso vinha sendo feito de forma regular, tanto que consolidou o nome do Acarajé da Cira”, afirmou. No fim de março, porém, Cristina teria assumido a administração do ponto de Itapuã de forma independente.

“Ela vem fazendo a produção de forma independente, sem a concordância dos outros herdeiros. Ela já foi notificada (extrajudicialmente). Medidas judiciais estão sendo avaliadas”, pontuou. O que preocupa a defesa, segundo Groba, é a qualidade dos produtos vendidos nas duas barracas.

Acarajé da Cira por Reprodução/Instagram

“A gente não tem como garantir a qualidade. Por isso, resolvemos publicar uma nota dizendo que o quiosque de Itapuã estava temporariamente desvinculado da marca Acarajé da Cira”, concluiu.

Já Cristina de Jesus, também filha de Cira e responsável pelo ponto de Itapuã, afirmou que o rompimento aconteceu após um pedido de prestação de contas à irmã, já que o faturamento dos dois quiosques é dividido entre os seis herdeiros da baiana que dá nome à marca.

“A gente teve uma discordância. E o que aconteceu? Eu fiquei aqui (em Itapuã) e continuo vendendo. Ela (Juçara) passou a querer retaliar o que não pode, o que ninguém pode”, disse.

Cristina também afirmou que está à frente do ponto de Itapuã há cinco anos. “Quem tomava conta do ponto de minha mãe era ela. Ninguém tomava. Hoje, eu tomo conta. (...) Esse ponto é um legado. A história não veio do Rio Vermelho, veio de Itapuã”, declarou.

Segundo Cristina, apenas ela e Juçara trabalham diretamente nos quiosques. Os outros quatro irmãos apenas recebem a divisão do faturamento. “Estou esperando ela (Juçara) entrar com uma ação judicial contra mim. Eu não quero guerra com ninguém. A gente tem um nome a zelar”, afirmou.

O advogado de Cristina, Wellington Andrade, disse que Juçara divulgou uma informação “indevida” ao anunciar a desvinculação. “Por causa de uma contenda, de uma briga familiar, ela mandou mensagem para os veículos de comunicação. O quiosque de Itapuã funciona normalmente de segunda a domingo”, declarou.

No momento, não há processo na Justiça sobre o uso da marca Acarajé da Cira. Os dois quiosques seguem em funcionamento: Cristina opera o ponto de Itapuã, enquanto o do Rio Vermelho continua sob gestão de Juçara.

Nota de esclarecimento de Cristina (Ponto de Itapuã)

"O Acarajé da Cira em Itapuã segue funcionando normalmente, sob a responsabilidade de Cristina de Jesus Santos, filha de Dona Cira e baiana de acarajé há 52 anos. A família de Dona Cira possui herdeiras que atuam em diferentes endereços de Salvador. O tradicional ponto de Itapuã possui administração própria e independente, preservando o legado cultural e gastronômico deixado por Dona Cira no bairro onde sua história foi consagrada. As informações veiculadas de não funcionamento são ilações que violam direto privado e o patrimônio histórico e cultural da Bahia."

Nota de esclarecimento de Juçara (Ponto do Rio Vermelho)

"Prezados clientes e amigos,

Viemos comunicar que, neste momento, o quiosque de Itapuã não integra mais as operações do Acarajé da Cira Oficial. Essa desvinculação temporária ocorre em função de questões administrativas e burocráticas que estão sendo tratadas internamente.

O Acarajé da Cira Oficial segue funcionando normalmente no Rio Vermelho, no Largo da Mariquita, mantendo o mesmo padrão de qualidade e tradição que nos acompanha há mais de 80 anos.

Agradecemos a compreensão de todos e reforçamos nosso compromisso com a excelência que sempre nos guiou."

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Salvador Acarajé Acarajé da Cira