Não tinha asfalto, não tinha nada: conheça a rua com mais pedidos de intervenção no Ouvindo Nosso Bairro

Prefeitura autorizou nesta quarta-feira (20) 159 obras pelo programa Ouvindo Nosso Bairro

Publicado em 21 de setembro de 2017 às 07:00

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Chegando pela Estrada Nova Brasília, no bairro de Valéria, há uma rua como tantas em Salvador: mão dupla e movimentada. Os carros estacionados à esquerda da pista e pedestres andando fora da calçada dificultam o trânsito em meio a muitos estabelecimentos espremidos nas margens, a maioria lojas e algumas residências sobre elas. “Vá ali na frente pra você ver, nem carro passa”, diz o mecânico Anderson Silva.

A Rua Petronília Dércia, em Valéria, recebeu 79% dos mais de 2.500 votos de moradores do bairro para receber uma obra de recapeamento asfáltico pelo programa municipal Ouvindo Nosso Bairro. 

O nível de dificuldade para transitar pela rua vai aumentando. E não é por causa dos pedestres e veículos, já que a via vai ficando mais deserta à medida que se caminha. Os buracos, que inicialmente aparecem esparsos no asfalto, vão ficando cada vez mais frequentes, além de mais largos e profundos. 

Antes da metade do 1,5 quilômetro de extensão da rua Petronília Dércia, no bairro de Valéria, o asfalto dá lugar a barro e pedregulho. “É impossível de andar de carro, eu saí daqui por isso”, diz Anderson, que hoje mora em Fazenda Coutos “Isso acaba com a suspensão do carro”, explica.  

Já em ponto mais crítico, um caminhão para e dois homens descem jogando entulho na rua de barro: “Tem que fazer isso, senão nem o caminhão da empresa passa aqui”, diz o motorista Dézio Barros. O dono da empresa para a qual eles trabalham, “Sr. Messias”, é conhecido na rua pelo serviço. 

A rua antes movimentada fica deserta, com muros de terrenos baldios e de empresas sendo intercalados por poucas residências. De comércio, só um isopor e uma barraquinha vermelha na calçada. Ana Cristina de Souza conta que o marido é morador do local há mais de 40 anos e sempre conviveu com a rua sem asfalto e com os buracos. 

Há mais de três anos ela vende lanches, churrasco e bebidas na barraquinha vermelha montada ao lado de sua casa, e diz que os transtornos gerados pela rua sem calçamento independem do clima. “Quando chove, o barro vira lama, um horror. Quando tá mais quente, é uma poeira danada”, reclama ela, que já teve prejuízo por causa da situação. 

Mostrando as paredes da barraca e da casa sujas de lama, ela conta: “Depois de uma chuva, passou um carro em velocidade mais alta, deu banho de lama em tudo, até nos meus clientes. Muitos saíram correndo daqui e até hoje não me pagaram”, conta. Desde então, ela tem tomado mais cuidado quando qualquer veículo se aproxim. “Quando a velocidade tá mais alta, eu saio correndo da barraca pedindo pro motorista passar mais devagar”, conta Ana Cristina. 

A situação precária da rua também afeta sua casa. “Quando chove, a água cheia de lama invade minha casa, eu não aguento mais”. Ela acredita que, com o recapeamento, o acesso vai melhorar e o movimento na rua irá aumentar “Muita gente deixa de vir até na minha barraca porque aqui é só barro e buraco. Nem ônibus passa”, ela diz.

Todos os moradores ouvidos pelo Correio participaram da escolha da rua para receber a obra pelo Ouvindo Nosso Bairro. “A gente sabe que essa rua precisa muito dessa obra”, justifica Ana Cristina. Animada com o resultado da votação, ela sonha: “Não vejo a hora de ver o povo colocando asfalto por aqui”.