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Pelourinho volta ao 'normal' depois de 'faxina' para visita de Raúl Castro

Ambulantes, taxistas e pedintes voltaram a ocupar as ruas do Centro Histórico

  • D
  • Da Redação

Publicado em 24 de julho de 2009 às 12:39

 - Atualizado há 3 anos

Os pedintes voltaram a ocupar as escadarias das igrejas, a fila de táxi foi formada mais uma vez no entorno do Terreiro de Jesus e os ambulantes seguiram seu trabalho. O Pelourinho de quinta-feira (23) pela manhã era bem diferente do que foi preparado na quarta-feira para receber a visita do presidente de Cuba, Raúl Castro.

O caminho do chefe de Estado, que foi isolado por agentes das polícias Civil, Militar e Federal, passou por uma “limpeza” antes de sua passagem. A trançadeira Evonilda Francisca dos Santos, 40 anos, que trabalha em frente ao Edifício Bouzas, foi uma das pessoas convidadas a se retirar do Terreiro durante a visita do presidente.

“Não tiveram a menor consideração pelos trabalhadores. Eu montei minha barraca e tive que desmontar porque um policial (militar) disse que ninguém poderia ficar aqui. Me senti como uma poeira que estava sendo jogada para baixo do tapete”, disse.

Centro Histórico foi 'limpo' para receber comitiva de Raúl Castro

Moradora da Estrada Velha do Aeroporto, a trançadeira deixou de ganhar cerca de R$300 referentes ao trançado no cabelo de um grupo de turistas de São Paulo. “O pior é que eu não tinha dinheiro para voltar para casa. O policial que falou que era para eu sair teve que me dar R$4,40, senão eu ia ficar na rua”, lembra.

O comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel José Jorge Nascimento, explica que o fechamento das ruas principais e a orientação de desocupação dos ambientes faz parte de um protocolo internacional de segurança.

Porém, no dia seguinte, tudo voltou ao 'normal' no Centro Histórico

“Quando recebemos a visita de um chefe de Estado, temos que articular ações para preservação da sua integridade física. Todas as pessoas que circulam ou trabalham pela área foram instruídas a se instalar na Praça da Sé para evitar que tivessem prejuízos”, destacou.

“Acho que para mostrar a realidade não precisa esconder o povo. Em Cuba também tem mercados ao ar livre. Se tivéssemos mantido a rotina, o presidente ia conhecer a verdadeira essência do Pelô”, argumenta o taxista João Souza, que trabalha no Centro Histórico há mais de dez anos.

O adolescente G.S., 13 anos, que há seis meses vive na escadaria da Igreja de São Domingos, conta que precisou ficar rodando pela Barroquinha até o finalda visita. “Perdi de ganhar meus trocados porque não tinha nada para fazer”, conta o garoto, que sobrevive tomando conta de carros e pedindo dinheiroaos turistas no Terreiro.