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Por que Salvador tem mais chuva entre abril e junho? Especialistas explicam

Somente em abril deste ano, a capital baiana já contabilizou quase 300 mm de chuva

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 27 de abril de 2026 às 07:00

Temporais atingem o Sudeste e chuva forte se espalha pelo Brasil nesta quinta (12)
Chuva Crédito: Shutterstock

Para a música popular brasileira, “Águas de Março”, eternizada na voz de Elis Regina, é um marco. Para a capital baiana, as águas de abril são ainda mais significativas, porque marcam o início do período de chuvas em Salvador. O aumento do volume de precipitação se estende por todo o outono, até meados de julho. Somente em abril deste ano, a cidade já contabilizou quase 300 mm de chuva. Na última semana, por conta da atuação de uma frente fria, bairros como Rio Vermelho e Barris registraram média de 156 mm em 96 horas. Já as menores médias foram observadas em Pirajá e Marechal Rondon, com cerca de 143 mm.

Por sua localização geográfica litorânea, Salvador é uma cidade onde a chuva é constante ao longo do ano. No entanto, o intervalo entre abril e julho é considerado o “período chuvoso”, devido ao aumento da frequência e do volume de precipitações, com acumulados significativos. Esse período não está diretamente ligado ao fim do verão e ao início do outono, que ocorre em 20 de março.

Chuva em Salvador por Arisson Marinho/CORREIO

“Temos o período mais chuvoso e o menos chuvoso, que variam de acordo com as condições meteorológicas. Esses quatro meses (abril, maio, junho e julho) são os mais chuvosos. No Nordeste como um todo, as chuvas costumam ocorrer de janeiro a agosto e depois diminuem em boa parte da região. Salvador está inserida nesse contexto, e o aumento se dá em função da frequência e do volume de precipitações”, explica a meteorologista e consultora Andrea Ramos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base nas normas climatológicas dos últimos 30 anos, os maiores índices de chuva são registrados entre abril (285 mm), maio (300 mm) e junho (238 mm). Segundo o meteorologista e coordenador do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), Gabriel Pugliese, o aumento das chuvas é resultado da atuação combinada de diferentes sistemas meteorológicos típicos do litoral nordestino. “Destacam-se as frentes frias que avançam até a região, cavados, áreas de baixa pressão e as ondas de leste, que têm papel relevante na geração de chuvas persistentes na faixa costeira. Soma-se a isso a atuação constante de ventos úmidos provenientes do Oceano Atlântico, que mantêm elevados os níveis de umidade na atmosfera”, apontou.

O meteorologista da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Giuliano Carlos, ressalta que, nos últimos anos, os dados indicam mudanças nesse padrão tradicional. “Observa-se um aumento na ocorrência de eventos de chuva fora do período típico, com episódios intensos e concentrados também em outras épocas do ano. Esse comportamento pode estar associado às mudanças climáticas e às anomalias na temperatura da superfície do Atlântico, que alteram a dinâmica atmosférica e favorecem eventos extremos”, pontuou.

Apesar disso, a expectativa para os próximos três meses é de chuvas dentro das médias climatológicas.

Operação Chuva

Iniciada em 1º de abril, a Operação Chuva tem suas estratégias divididas em duas etapas: a fase preparatória, realizada ao longo do ano e intensificada em março, e a fase de alerta, que ocorre entre abril e junho, quando são executados protocolos de monitoramento e resposta.

Na etapa preventiva, a Prefeitura já beneficiou 584 áreas com tecnologias de proteção de encostas, enquanto outras 184 seguem em intervenção. Entre janeiro e março deste ano, foram instalados mais de 24 mil metros quadrados de lonas plásticas em 169 áreas de risco. Também foram realizados serviços de limpeza de canais e bueiros, drenagem, manutenção de escadarias e remoção de resíduos.

Outro eixo estratégico envolve ações educativas e de mobilização social, como os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs), o Nupdec Mirim, o Mobiliza Defesa Civil e o projeto Defesa Civil nas Escolas. As iniciativas buscam ampliar a percepção de risco, incentivar a educação ambiental e formar agentes multiplicadores preparados para atuar em situações de emergência.

Durante o mês de março, também foram realizados simulados de evacuação em áreas de risco, com o objetivo de capacitar moradores para agir com segurança, especialmente em casos de deslizamentos de terra.