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Mariana Rios
Publicado em 25 de maio de 2026 às 12:44
Quem tem cachorro ou gato em casa já desconfiava. Agora a ciência resolveu confirmar oficialmente aquilo que os tutores repetem há anos: um pet pode melhorar — e muito — a qualidade de vida. E sem precisar de boleto, reunião no RH ou promoção no trabalho. >
Um estudo realizado no Reino Unido concluiu que conviver com animais de estimação pode gerar um nível de bem-estar comparável ao impacto emocional de um grande aumento de renda. Traduzindo: aquele latido desesperado quando você chega em casa talvez esteja fazendo mais pela sua saúde mental do que o plano de carreira.>
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A pesquisa analisou dados de mais de 2,6 mil famílias e identificou que os tutores de pets apresentaram aumento significativo nos índices de satisfação com a vida. O efeito foi comparado ao benefício emocional de encontros frequentes com amigos e familiares — ou ao equivalente financeiro de até 70 mil libras por ano.>
E faz sentido. Afinal, poucas coisas no mundo oferecem acolhimento tão instantâneo quanto um cachorro abanando o rabo porque você simplesmente voltou da padaria.>
Outros estudos também apontam que a convivência com animais ajuda a reduzir ansiedade, estresse e sensação de solidão. Além disso, cães ainda obrigam seus donos a praticar atividade física.>
Segundo a psicóloga Patrícia Cabral, do Einstein Hospital Israelita, os benefícios variam de acordo com a relação construída entre tutor e animal. “Eles podem funcionar como fonte de apoio emocional, companhia e sensação de propósito”, explica.>
Crianças também costumam sair ganhando nessa convivência. O contato com pets ajuda no desenvolvimento da empatia, da responsabilidade e das habilidades sociais. Já idosos e pessoas com ansiedade, depressão ou transtorno do espectro autista podem apresentar melhora no humor, autoestima e interação social.>
O biólogo Francisco Giugliano de Souza Cabral destaca que terapias com cães têm mostrado resultados positivos especialmente entre pessoas com TEA, ajudando na confiança e na redução de comportamentos repetitivos. >
“Crianças e adultos com transtorno do espectro autista (TEA), por exemplo, costumam apresentar melhoras na autoestima, na postura corporal, que fica mais confiante, e na redução de comportamentos repetitivos ao participarem de terapias com animais, em especial os cães”, explica o pesquisador do Laboratório de Etologia, Desenvolvimento e Interações Sociais da Universidade de São Paulo (USP).>
Mas nem tudo são lambidas e vídeos fofos. Especialistas alertam que o bem-estar precisa ser bom para os dois lados. Fantasiar o cachorro com roupa de inverno em pleno verão baiano, acordar o gato para selfie ou transformar o pet em influencer involuntário pode gerar estresse no animal.>
No fim das contas, talvez a ciência só tenha colocado em números algo que qualquer tutor já sabia: às vezes, um focinho encostado na sua perna depois de um dia ruim vale mais do que muito dinheiro.>