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A conta do controle de preços vai ficar para o ano que vem

Governo federal anunciou pacote de medidas para tentar impedir alta nos preços do diesel

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 14 de março de 2026 às 07:00

Lula usa a caneta para repetir estratégia de antecessores e tentar controlar preços em ano de eleição Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questionado no final do ano passado por um amigo sobre minhas expectativas para a economia agora em 2026, respondi que estava muito otimista, teríamos um ano bom. Teremos, reafirmo agora, a despeito da guerra em curso no Oriente Médio, que pode levar o mercado de petróleo a um novo choque de preços. “O problema será 2027”, disse a ele e mantenho a posição.

Aqui no Brasil já existe uma tradição em que os presidentes da República, quando candidatos à reeleição, usam todas as ferramentas ao seu dispor para dar ao eleitorado o máximo de conforto e tranquilidade no ano do pleito. Falo em tradição porque Dilma Rousseff fez isso em relação aos reajustes nas contas de energia em 2014, depois Jair Bolsonaro retirou tributos dos combustíveis em 2022 e agora Luiz Inácio Lula da Silva repete a mesma fórmula com o diesel.

A bem da verdade, 2010 também poderia entrar na conta, já que foi o ano de lançamento do Sisu e do novo Fies, além da continuidade de iniciativas que tinham forte apelo popular, como a redução de IPI para automóveis e eletrodomésticos. Mas, naquele caso, agiu para favorecer sua candidata. Vamos fixar a análise nos momentos em que o presidente faz bondades em causa própria.

Em 2014, Dilma Rousseff enfrentou uma das eleições mais duras da história da República e venceu Aécio Neves por menos de 3,5 milhões de votos. Diante de um pleito extremamente acirrado, o governo da mandatária optou por reter parte dos aumentos de custos da energia para o consumidor final. O Brasil enfrentava um período de seca nos reservatórios e foram utilizados recursos públicos e fundos setoriais para que o impacto não chegasse nas contas de luz.

O problema ficou para o ano seguinte. Ao controlar preços administrados para segurar a inflação no curto prazo, o governo aumentou o passivo no setor elétrico e provocou um estouro de preços em 2015. Assim nasceu o “tarifaço” daquele ano, em que os consumidores baianos, por exemplo, enfrentaram uma alta de 16,4%, fruto do reajuste anual e de uma revisão tarifária extraordinária.

Há quatro anos, quando disputou a reeleição contra Lula, Bolsonaro viu o início da guerra entre Rússia e Ucrânia elevar os preços do petróleo e os seus derivados. Em 2022, o governo zerou o PIS/Cofins do diesel, gasolina e gás, além de sancionar uma lei que alterava a cobrança do ICMS nos estados – medidas que reduziram o preço final nas bombas.

Agora, Lula vai pelo mesmo caminho, com o anúncio de medidas que prometem reduzir em R$ 0,64 o custo do diesel – ainda não falou nada em relação à gasolina e ao gás. Durante o anúncio das medidas, o discurso do governo era o de que não haveria qualquer interferência na Petrobras. Coincidentemente, a estatal deixou para anunciar o reajuste de preços um dia após as bondades do governo. Você acredita em coincidências?

O pacote vai custar R$ 30 bilhões, que o governo vai compensar aumentando o imposto para a exportação de petróleo. Entendeu?

Vejam, a guerra no Irã pode se acirrar, ou se prolongar para além das cinco semanas projetadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas a previsão para este ano segue inalterada por aqui. Pode até ser que tenhamos uma chuvinha ou outra aqui ou ali, mas tempestades mesmo só em 2027, na hora de pagar as contas de 2026.

É como disse Karl Marx, “a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa”.

Clima de guerra

Além do inestimável prejuízo humano que as guerras provocam, os conflitos bélicos causam um enorme prejuízo ao meio ambiente. Provavelmente sempre foi assim, entretanto o olhar mais aguçado para a questão, junto ao aumento do poder de fogo das forças armadas trouxeram à luz o problema das guerras climáticas. Em uma semana, estima-se que foram lançados mais de 4,5 mil mísseis e bombas no Irã, imagine a quantidade de emissões. Teerã, que ficou coberta por fumaça tóxica, já era antes do conflito uma das cinco cidades com pior qualidade de ar no mundo. Mas o impacto no clima vai além, basta lembrar que desde o conflito na Ucrânia a Europa retrocedeu em seus compromissos ambientais – sem o gás russo, ampliou o uso de combustíveis fósseis. Agora, a crise no Golfo levou o Catar a reduzir a produção de gás natural. E por aí vai.

Ataques cruéis

São sempre tristes as notícias relacionadas às guerras, mas têm algumas que fogem completamente da curva. Um exemplo, são os ataques à infraestrutura hídrica nos países do Oriente Médio. Destruir estruturas para reservar água ou sistemas de dessalinização é desumano. Na última semana, acusações deste tipo surgiram dos dois lados do front, com o Irã acusando o Bahrem de ter atacado uma usina em Qeshm, que abastecia 30 vilarejos com água dessalinizada, enquanto o Bahrem acusou o ataque a uma usina sua no dia seguinte. Cerca de 42% da capacidade mundial de dessalinização no Oriente Médio e em alguns países, metade da água potável vem dessas fontes.

Há quinze anos...

Completaram-se 15 anos desde que o cantor baiano Caetano Veloso foi flagrado e virou notícia estacionando o seu carro no Leblon, bairro do Rio. Sinais dos tempos em que notícia precisa render clique. Quem lembrou disso foi o próprio artista, numa postagem divertida, no último dia 10. “Você se lembra o que estava fazendo há 15 anos? Pois eu estava estacionando o carro… no Leblon!”, publicou em seu Instagram. Eu provavelmente estava lendo em algum lugar que Caetano estacionou o seu carro no Leblon. Ou será que foi algo como uma artista qualquer posta fotos e recebe elogios? Sinceramente, não lembro.

Messi será cancelado?

Lionel Messi, gênio da bola, foi alvo de um monte de críticas por ter sido recebido na Casa Branca pelo presidente americano, Donald Trump. Num papo descontraído, chegou a ser questionado sobre quem era melhor jogador, ele ou Pelé. "Não deveria dizer isso, porque vão me chamar de velho, mas vi Pelé jogar pelo Cosmos", começou Trump antes de questionar o argentino. Diplomático, Messi ficou em silêncio rindo, enquanto todos os seus companheiros de time diziam ser ele o melhor. Por aqui, pipocaram críticas ao jogador, um pouco por ter ido ao encontro de Trump, mas também por não ter dito que Pelé foi maior que ele. Deixem Messi em paz.

meme da semana

A notícia de que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos ganhou o Brasil em memes. Neste, uma versão alternativa da tradicional revista que destaca a trajetória de quem tem muito dinheiro homenageia Lulinha

null Crédito: Reprodução