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Casos de intoxicação por metanol na Bahia acendem alerta para etanol e produtos de limpeza

Os riscos à saúde vão além do consumo de bebidas adulteradas

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 05:00

Etanol e produtos de limpeza podem trazer riscos à saúde
Etanol e produtos de limpeza podem trazer riscos à saúde Crédito: Reprodução

Em meio a uma leva de casos de intoxicação por bebidas adulteradas por metanol na Bahia - desde a investigação de suspeitos até a confirmação de uma morte pela substância -, profissionais de saúde alertam para os riscos de uma substância com nome bem parecido e bem mais comum no cotidiano: o etanol.

O etanol vai muito além daquele álcool 'comum' vendido nos mercados - também está presente em produtos de limpeza, detergentes, cosméticos e até sprays de cabelo. O problema é que ele também pode trazer riscos à saúde. Nos produtos de limpeza, há, ainda, riscos com outras substâncias

O etanol vai muito além daquele álcool 'comum' vendido nos mercados - também está presente em produtos de limpeza, detergentes, cosméticos e até sprays de cabelo. O problema é que ele também pode trazer riscos à saúde. por Freepik

"São substâncias com nomes parecidos (etanol e metanol), mas com perfis toxicológicos totalmente diferentes", diz a médica dermatologista Altair Bartiloti, professora da Afya Itabuna. "O metanol é extremamente tóxico, pode causar cegueira e levar à morte. O etanol é menos nocivo, mas não é inofensivo. Ele pode causar muitos problemas, se for manuseado de forma incorreta".

Os problemas vão desde dermatites e outras doenças de pele a problemas respiratórios - em especial, para pessoas que já têm quadros de alergias ou asma -, além do risco cancerígeno. Embora os casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas estejam relacionados à ingestão, tanto a inalação quanto o contato com a pele desses produtos pode causar problemas.

"Durante a pandemia, com os novos hábitos de limpeza, as pessoas começaram a manipular cada vez mais álcool. A indústria, vendo essa oportunidade, foi colocando ainda mais cheiro nesses produtos. Às vezes, as pessoas não têm esse conhecimento, podem se intoxicar até inalando, inclusive com o uso indiscriminado em locais sem ventilação", alerta a médica e professora.

Na prática, os aromas nos produtos de limpeza podem ser traiçoeiros. Em 2023, uma pesquisa da Flora, fabricante de produtos de limpeza, identificou que 57% dos brasileiros acreditam que um ambiente só está limpo quando exala o cheiro de limpeza. No mesmo estudo, 82% das famílias disseram acreditar que é importante manter a casa limpa e com um aroma agradável.

No entanto, a inalação pode ser o suficiente para desencadear irritação respiratória nos pulmões, garganta e nariz, causando tosse, sufocamento e falta de ar, além de problemas neurológicos, como tontura, dor de cabeça ou confusão mental. Há, ainda, relatos de alergias, como irritação na pele, coceira, espirros e olhos lacrimejantes e até irregularidade na frequência cardíaca.

Misturas

Há, ainda, o risco de comprar versões concentradas dos produtos de limpeza, como explica o farmacêutico Mateus Marques, professor da Afya Vitória da Conquista. Mais econômicas, essas alternativas costumam atrair muita gente. No entanto, o professor aponta que, mesmo abertos, são produtos muito voláteis e que se expandem no ambiente.

"É necessário ter muita cautela. Se você compra água sanitária concentrada, por exemplo, vai diluir, abre a tampa e deixa exposto, pode ter danos oftalmológicos e respiratórios", afirma.

Ler os rótulos com as indicações e especificações de cada produto também é um passo que não pode ser esquecido. Em caso de ingestão acidental, por exemplo, provocar vômito pode ser um risco maior, no caso das substâncias corrosivas. "É muito perigoso. Pode acabar levando a um quadro de erosão do esôfago, da boca, então não é o melhor a se fazer. A melhor conduta continua sendo a diluição: tentar diluir mesmo no trato digestivo, bebendo muita água, e buscar atendimento médico, mas nunca provocar vômito", orienta.

Segundo o professor, ainda que um dos ensinamentos mais comuns da Química básica seja a de que produtos básicos neutralizam ácidos e vice-versa, isso não se aplica aos produtos de limpeza. "Porque as reações de neutralização são exotérmicas, ou seja, elas liberam calor. Imagine o aumento da temperatura dentro do seu trato digestivo".

Outra recomendação importante é evitar fazer qualquer mistura além dos processos de diluição. "Misturar um alvejante com desinfetante, por exemplo, é algo que não deve ser feito. Dependendo dos constituintes, essas reações podem gerar liberação de calor e acabar derretendo ou provocando queimaduras graves", completa Marques.

Reações

A depender do quanto a pessoa está sendo exposta a um determinado produto, é possível desenvolver quadros crônicos, como dermatites crônicas, além dos efeitos agudos imediatos, de acordo com o farmacêutico. Trabalhadores, por exemplo, podem desenvolver uma asma ocupacional, ao agravar sintomas de uma asma existente.

"Os sintomas também podem vir a longo prazo. No caso da ingestão, é possível ter complicações nas válvulas do estômago e até ter dificuldade para a digestão, com o alimento demorando mais tempo para ser digerido", reforça o professor da Afya Vitória da Conquista.

No caso do contato com a pele, a primeira indicação é a lavagem com água corrente. "Não se deve colocar pasta de dente, algum ácido no local, e evitar pomadas, porque alguns produtos podem causar mais irritação ainda", diz a dermatologista Altair Bartiloti, da Afya Vitória da Conquista. Após a lavagem, uma orientação é usar hidratantes calmantes e sem cheiro.

Se tiver havido contato do produto químico com acessórios, objetos e roupas, é preciso removê-los. "Qualquer acessório ou roupa pode estar contaminado, então deve ser retirado antes. Depois, lavar com abundância e procurar atendimento médico".