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Após Flávio José dizer que cancelou shows na Bahia por redução de cachê, MP aponta aumento de 40% no valor contratado

Cantor de forró fez desabafo após cachês serem reduzidos no estado

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 3 de junho de 2026 às 19:12

Flávio José se apresenta na Bahia
Flávio José se apresenta na Bahia Crédito: Arnaldo Felix/Divulgação

O Ministério Público da Bahia (MPBA) informou nesta quarta-feira (3) que o cachê do cantor Flávio José para apresentações em municípios baianos passou de R$ 250 mil para R$ 350 mil entre o ano passado e este ano, um aumento de 40%. Segundo o órgão, a elevação foi um dos motivos que levaram à expedição de recomendações para que prefeituras revisem contratos de atrações artísticas custeadas com recursos públicos durante os festejos juninos.

A manifestação ocorre após o artista anunciar, por meio das redes sociais, que não realizará apresentações na Bahia durante o São João de 2026. Flávio José atribuiu a decisão à redução dos cachês determinada pelo Ministério Público e criticou a medida, afirmando que sempre priorizou o estado ao longo de sua carreira.

"Este ano a Bahia ficará sem minha presença, às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada tem haver [sic] com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho", escreveu.

Zé Neto e Cristiano (R$ 905 miL)  por Reprodução/Redes Sociais

Em nota, o MPBA disse que tem encaminhado recomendações a mais de 100 municípios para que as contratações sigam parâmetros definidos em conjunto com os Tribunais de Contas do Estado (TCE) e dos Municípios (TCM). A orientação é que as prefeituras utilizem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

De acordo com o órgão, o objetivo é evitar aumentos considerados excessivos nos cachês pagos com dinheiro público. O MP destacou que, nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, a média dos contratos artísticos saltou de cerca de R$ 200 mil para aproximadamente R$ 700 mil.

A discussão ocorre em meio à campanha "São João sem milhão", lançada pela União dos Municípios da Bahia (UPB) com apoio do Ministério Público. A iniciativa busca estimular contratações compatíveis com a realidade financeira das cidades e evitar gastos considerados excessivos durante os festejos juninos. Uma nota técnica do MP recomenda que as prefeituras baianas contratem artistas por cachês de até R$ 700 mil. 

Até o momento, o Painel de Transparência dos Festejos Juninos registra um contrato de Flávio José na Bahia neste ano, no valor de R$ 350 mil para apresentação em Dias d'Ávila, marcada para o dia 27 de junho. O levantamento ainda está em atualização e novos contratos podem ser informados pelas prefeituras antes do início das festas.