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Ex-deputado é preso suspeito de receber R$ 2 milhões de facção para facilitar fuga de presos na Bahia

Segundo MP articulação com facção ligada ao Comando Vermelho

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 16 de abril de 2026 às 12:31

Uldurico Júnior
Uldurico Júnior Crédito: Paulo Sergio/ Câmara dos Deputados

O ex-deputado federal Uldurico Júnior foi preso preventivamente em Praia do Forte, na Grande Salvador, na manhã desta quinta-feira (16) sob suspeita de receber dinheiro para facilitar uma fuga de presos no Sul da Bahia, segundo informação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

A prisão aconteceu durante a Operação “Duas Rosas”, iniciada pelo MP-BA por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e do Grupo de Atuação Especial em Execução Penal, com atuação de equipes da capital e da regional Sul.

Segundo as investigações, o ex-parlamentar teria negociado com uma organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões para favorecer a fuga de 16 internos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024. Entre os fugitivos estava o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, apontado como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo com atuação regional e ligação com o Comando Vermelho.

Uldurico Junior por Reprodução

De acordo com o MP, Dada está atualmente no Rio de Janeiro, de onde continuaria coordenando ações criminosas na região de Eunápolis.

A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-deputado, que informou que ele nega o crime. "A defesa alega que as acusações são completamente infundadas, e isso será provado. Trata-se de uma clara perseguição política, em ano eleitoral".

Busca e apreensão

Além da prisão preventiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. As medidas atingiram também um ex-vereador de Eunápolis e um advogado. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis.

As apurações indicam que a fuga não ocorreu de forma isolada, mas teria sido resultado de uma articulação estruturada envolvendo integrantes do PCE e o ex-deputado federal, com uso de influência política e institucional para viabilizar a ação.

O nome da operação faz referência ao valor da suposta vantagem indevida negociada. Durante as investigações, foi identificado que a palavra “rosa” era utilizada como código para dinheiro, aparecendo em conversas com expressões como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” e “choram as rosas”, em referência ao pagamento dos valores combinados.

Uldurico foi localizado e preso em Praia do Forte, destino turístico do município de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador. O mandado de prisão preventiva havia sido inicialmente expedido para cumprimento na capital baiana.

Relação com ex-diretora da unidade

Uldurico Júnior teria uma relação com a ex-diretora do presídio de Eunápolis, cidade do extremo sul do estado, Joneuma Silva Neres, também acusada de facilitar a fuga de detentos em dezembro de 2024. Ele foi citado em uma outra denúncia, feita ao Ministério Público no ano passado, que trazia detalhes sobre as ações da diretora, que foi presa no ano passado, mas atualmente está em prisão domiciliar. Ele sempre negou a relação. 

A Polícia Federal investiga o caso no âmbito da Operação “Colligatio”, deflagrada em abril, que apura suspeitas de corrupção eleitoral, organização criminosa e outros possíveis delitos relacionados ao pleito municipal de 2024.

Segundo a PF, a investigação teve início a partir de informações encaminhadas pelo Ministério Público da Bahia e pela Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia sobre uma possível aliança entre o então candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas e líderes de facções criminosas custodiados em presídios do estado com o objetivo de obter vantagem eleitoral.

Os agentes recolheram celulares, notebooks, dispositivos de armazenamento e outros materiais considerados relevantes para o avanço das apurações.

De acordo com a Polícia Federal, caso as suspeitas sejam confirmadas, os fatos podem configurar crimes como corrupção eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva. As investigações seguem em andamento.