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Filhote de uma das maiores águias do planeta nasce na Bahia

Nascimento marca único ninho com filhote em toda a Mata Atlântica e reforça esperança para a conservação da espécie

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 17 de março de 2026 às 05:00

Filhote de harpia nasceu há cerca de duas semanas no extremo sul do estado
Filhote de harpia nasceu há cerca de duas semanas no extremo sul do estado Crédito: Divulgação/Projeto Harpia Mata Atlântica

Nas últimas semanas, um momento relevante para a conservação de toda uma espécie no Corredor Central da Mata Atlântica foi registrado na Bahia: o nascimento de um novo filhote de harpia, uma das maiores aves de rapina do mundo. O registro aconteceu na área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, no extremo sul do estado.

A saga começou em dezembro de 2025, quando a fêmea do casal pôs dois ovos em um dos ninhos. A incubação da espécie leva cerca de dois meses e um dos ovos eclodiu há aproximadamente duas semanas, de acordo com a Veracel. O Projeto Harpia Mata Atlântica, iniciativa voltada à proteção da espécie, optou por monitorar esse evento a distância para não interferir no processo, acompanhando os primeiros passos do filhote por meio de gravações com drones.

Ninho fica na área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel por Divulgação/Projeto Harpia Mata Atlântica

O ninho localizado é hoje o único com filhotes em todo o bioma, além de ser o primeiro com filhotes desde 2018 na Estação Veracel. Foi lá também que o primeiro ninho de harpia da Mata Atlântica brasileira foi registrado, em 2005.

Para Aureo Banhos, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador do Harpia Mata Atlântica, esse é um momento de celebração. “A harpia é extremamente exigente em relação à qualidade do habitat. Ter um filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é algo extraordinário, pois demonstra que ainda existem áreas de floresta com condições ecológicas capazes de sustentar uma espécie tão sensível e rara, o que nos enche de esperança de que possamos evitar sua extinção na região”, afirma.

Nativa das florestas tropicais das Américas Central e do Sul e considerada a maior águia do continente, a harpia depende de grandes regiões de floresta para sobreviver e é muito sensível aos impactos sobre a natureza, principalmente o desmatamento e a caça. Predador de topo na cadeia alimentar, ela precisa de disponibilidade de presas para a alimentação e grandes árvores para a construção de seus ninhos.

Harpia na Estação Veracel por Divulgação/João Marcos Rosa

Geralmente, as harpias colocam de um a dois ovos, mas apenas um sobrevive. A partir daí, os pais cuidam dele por cerca de dois a três anos, mesmo que o animal já consiga voar sozinho e caçar.

“O nascimento deste filhote reafirma o nosso compromisso com a conservação da Mata

Atlântica. A presença e a reprodução da harpia indicam que estamos conseguindo manter um ambiente equilibrado, com floresta preservada e recursos naturais suficientes para sustentar uma espécie que está no topo da cadeia alimentar”, destaca Marco Aurélio Santos, coordenador de Estratégia Ambiental e Gestão Integrada da Veracel.

Próximos passos

Agora, o monitoramento do ninho continuará de forma técnica e cuidadosa. A expectativa é que, a partir dos três meses de idade, o filhote passe a ser acompanhado mais de perto com uma câmera de monitoramento, e, a partir dos seis meses possivelmente com uso de tecnologia de rastreamento por GPS — estratégia já aplicada anteriormente em outra harpia da região no ano passado, ampliando o conhecimento sobre deslocamento e comportamento da espécie no bioma.

No último mês de agosto, um filhote de harpia de aproximadamente dois anos recebeu um

transmissor alimentado por energia solar para poder ser acompanhado de perto pela equipe de pesquisadores do Projeto Harpia Mata Atlântica. A iniciativa visa compreender a rotina de voo da ave, bem como os seus processos de dispersão e os desafios enfrentados pela espécie em áreas fragmentadas da Mata Atlântica.