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Larissa Almeida
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 05:00
Mais de 7,5 milhões de pessoas, o equivalente à metade da população da Bahia, moram em apenas 8,2% dos municípios do estado em 2025, de acordo com a estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (28). Só Salvador e Feira de Santana têm, juntas, mais de 500 mil habitantes. >
A informação foi obtida através do cálculo demográfico que leva em conta a população da Bahia segundo as projeções do ano passado, e o crescimento populacional em cada município, a partir das respectivas populações recenseadas nos últimos Censos. Os resultados foram os seguintes: >
16 cidades (3,8% dos 417) tinham mais de 100 mil e menos de 500 mil moradores; 28 (6,7%) tinham mais de 50 mil a menos de 100 mil habitantes; 119 (28,5%) tinham mais que 20 mil a menos do que 50 mil moradores; 182 (43,6%) tinham mais que 10 mil e menos de 20 mil habitantes; e 70 municípios (16,8%) tinham menos de 10 mil moradores. >
Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE, afirma que a concentração de uma parte significativa da população em poucos municípios não é uma característica exclusiva da Bahia, ocorrendo em todos os estados que têm como grande foco econômico a capital. >
“Na Bahia, temos uma estrutura municipal muito concentrada em Salvador e na Grande Salvador. É uma concentração econômica muito grande de serviços de saúde, ensino e oportunidade que acabam favorecendo esse cenário. Em determinado momento [nos municípios do interior], a população jovem sai, porque quer continuar seus estudos ou porque não encontra trabalho com uma perspectiva de renda interessante, e vão para cidades próximas que são maiores”, analisa. >
Ela aponta que, no fim do século XX, houve uma criação extensa de municípios pequenos, que deixaram de ser classificados como distritos. “Criou-se muitos municípios que, muitas vezes, não tinham e ainda não têm um dinamismo econômico suficiente para a população. Além da administração pública, é comum que a economia dessas cidades se baseie no comércio local e em pouquíssimos serviços”, pontua. >