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Elaine Sanoli
Publicado em 15 de maio de 2026 às 00:18
O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) expediu uma medida cautelar determinando que a Prefeitura de Formosa do Rio Preto, no oeste baiano, não realize pagamentos aos cantores que vão se apresentar na 40ª Vaquejada do município. A decisão, publicada nesta quinta-feira (14), considera os artistas cujo valor do contrato está acima da média do que foi pago aos mesmos músicos no São João de 2025, com correção monetária.
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A medida é assinada pelo conselheiro Nelson Pellegrino, vice-presidente do Tribunal, e consta na edição desta quinta-feira do Diário Oficial do TCM. Em sua decisão monocrática, o conselheiro determinou à prefeitura a suspensão dos pagamentos excedentes até o julgamento da denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).>
Vejas as os artistas contratados e os valores mencionados pelo TCM
O prefeito Manoel Afonso de Araújo (PSD) e as empresas envolvidas devem ser notificados da decisão e terão prazo de 20 dias para apresentar defesa.>
O CORREIO procurou a Secretaria Municipal de Cultura e Eventos de Formosa do Rio Preto e aguarda retorno. A festa tradicional será realizada entre os dias 28 e 31 de maio.>
O MP-BA pediu ao TCM uma liminar suspendendo o pagamento dos contratos que estavam acima da média, considerando acordos anteriores firmados para shows no estado. A previsão dos valores é calculada com base na Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo Ministério Público em conjunto com órgãos de controle. Em alguns casos, os valores contratados para a Vaquejada de Formosa do Rio Preto chegaram a aumentar mais de 60%, segundo o TCM.>
Além disso, os gastos previstos para o evento neste ano são 51% superiores aos registrados na festa do ano passado. O MP apontou que a prefeitura pretendia gastar mais de R$ 4 milhões em atrações artísticas e, para isso, firmou sete contratos com sete empresas, todos sem a necessidade legal processo tradicional de licitação.>
“Os promotores de Justiça destacam ainda, na representação, que o expressivo valor envolvido na promoção da vaquejada prejudica a adequada prestação de serviços à população pela prefeitura e não garante retorno aos cofres municipais”, comunicou o TCM.>
Artistas com os cachês mais caro do São João 2025 na Bahia
Além do TCM, o MP e o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) já haviam alertado e recomendado a suspensão de contratos para evitar gastos excessivos com atrações musicais.>
Em nota publicada nas redes sociais no dia 29 de abril, após o MP-BA recomendar a suspensão do show do cantor Natanzinho Lima, a gestão municipal afirmou que o processo de contratação do cantor obedeceu aos parâmetros estipulados na Cartilha de Recomendações do Ministério Público do Estado da Bahia. Segundo o comunicado, a prefeitura encaminhou uma resposta ao órgão com os documentos solicitados, comprovando a regularidade da contratação.
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“A administração municipal entende que o investimento em cultura e entretenimento é um motor fundamental para a economia local, gerando renda para o comércio, setor hoteleiro e trabalhadores informais de Formosa do Rio Preto”, destacou, na época.>