Tradicional caruru da Feira das Sete Portas atrai 700 pessoas; veja fotos

Crianças, adultos e idosos estiveram no local, na tarde desta quarta-feira (27)

Publicado em 27 de setembro de 2017 às 17:00

- Atualizado há 10 meses

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Quando chega setembro, a funcionária pública Carla Oliveira, 54 anos, procura caruru em todos os cantos da cidade. E dessa vez, não foi diferente. Na tarde desta quarta-feira (27), ela foi até a Feira das Sete Portas para comer o caruru da Barraca do Chapéu de Couro, oferecido pelo comerciante e babalorixá André Nery. “Eu não perco, não. Esse ano tem até crise, mas eu já comi três. Estou tão chique, que comecei a receber convites pelo WhatsApp”, brinca dona Carla. André Nery serviu a comida em sua barraca, na Feira da Sete Portas (Foto: Marina Silva/CORREIO) Os becos do mercado ficaram pequenos para a quantidade de gente que foi comer o caruru de Nery. Para se ter ideia, a estimativa é que 700 pessoas tenham aparecido para filar a boia, entre 12h30 e 14h30.“Veio até gringo da Alemanha. Faço isso há 20 anos porque gosto de alimentar o povo. Aqui vem gente de todas as cores e de todos os lugares”, diz Nery.Orgulhoso, ele contou que repete uma tradição da família. “Eu nasci no dia 28 de setembro, porque minha teve dores fortes (na barriga). Depois que eu nasci, ela começou a fazer o caruru, e eu dei continuidade”, completa.  A fila para comer o caruru no Mercado das Sete Portas ficou grande (Foto: Marina Silva/CORREIO) A fé também é outro importante fator para que Nery mantenha a tradição. “Os meus erês [entidade que atua como intermediário entre a pessoa e o Orixá] ajudam a fazer tudo. Eles trabalham muito”, conta. Para alimentar as centenas de pessoas, o comerciante comprou mais de mil quiabos e fez questão de preparar a comida. O investimento, segundo ele, foi de cerca de R$ 1.200.

A aposentada Eliana Amaral, 65, gosta do caruru da Barraca do Chapéu de Couro por causa do sabor, que ela julga diferenciado. “Eu vinha aqui desde quando dava aula. Saio da Avenida Sete para comer esse caruru, porque é o mais gostoso da região”, conta a senhora, que aparecer "na cara de pau, todo ano”.

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Já a doméstica Patricia Ramos, 28, foi pela primeira vez ao local. Moradora do bairro, ela levou mais três amigos para comer a tradicional comida baiana. “A gente tava passando por aqui e só resolvemos entrar por causa do cheiro. Gosto muito de caruru e adoro essa época”, explica. 

Quem ficou de fora foi o gaúcho Pedro Martins. Ele chegou ao local por volta das 14h30, acompanhado de duas amigas, mas não conseguiu comer. “Nossa, já acabou? Só ano que vem agora”, lamentou. A tradição de servir os setes meninos foi mantida pelo por André Nery (Foto: Marina Silva/CORREIO) Sete meninos O caruru servido por Nery homenageia os santos Cosme e Damião. Para seguir a tradição da festa, o comerciante chamou sete meninos para iniciar a refeição. No final, ele também distribuiu doces. "Fiz tudo conforme a tradição", falou ele. Depois da comilança, a criançada ainda ficou esperando os doces, de sobremesa. Os olhos de Kauã Silva, 10 anos, brilhavam com as guloseimas. “Doce é muito bom, e a gente nem precisa pagar”, comentou.