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Perla Ribeiro
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 16:01
A Polícia Civil indiciou três adultos por suspeita de coagir, pelo menos, uma testemunha na investigação sobre a morte do cão Orelha, agredido brutalmente na Praia Brava, uma das regiões mais nobres de Florianópolis. Quatro adolescentes suspeitos de cometer o crime de maus-tratos já foram identificados e também são apontados por tentar afogar outro cão no mar. As informações são do G1 SC.>
A Polícia Civil informou que os investigados são os pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o outro advogado. Os nomes dos indiciados não foram revelados e a Polícia Civil informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência.>
Cão Orelha foi espancado e passou por eutanásia
A Polícia Civil não informou se teve acesso a esse registro específico, mas disse que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança. Para preservar a segurança pessoal, o vigilante foi afastado das atividades. >
De acordo com o Código Penal, é considerado crime de coação quando se usa violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral. A pena prevista é reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência.>
Até o momento, 22 pessoas já foram ouvidas somente no inquérito que apura o crime de coação. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos.>
Os nomes e idades dos suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados pela investigação. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos. Segundo o a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26) — os demais estão nos Estados Unidos para >
A investigação indica que as agressões ocorreram em 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16 deste mês. Embora não existam imagens do momento exato do espancamento, de acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, ajudaram a esclarecer a ocorrência e identificar os suspeitos.>
A Polícia Civil informou ainda que o grupo também teria tentado afogar outro cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia. Segundo Valcareggi, há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo. Em complemento, testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cão no mar.>
Orelha foi encontrado por populares machucado e agonizando. Ele foi recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas precisou passar por eutanásia, no dia 5 de janeiro, devido à gravidade dos ferimentos.>
Exames periciais no corpo de Orelha confirmaram que ele foi atingido na cabeça com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi encontrado. A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.>
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou ao G1 o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais. A médica veterinária que acompanhava o animal, Fernanda Oliveira, contou ao G1 que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência. Segundo ela, o cachorro era dócil, brincalhão e fazia sucesso com os turistas.>
“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.>