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Esther Morais
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 09:08
O namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), é apontado pelas investigações como um dos líderes da facção em Roraima. Trata-se de Jardel Neto, também conhecido pelos apelidos “Dedel” e “Vrau Nelas”. >
Segundo a Polícia Federal, Jardel ostentava nas redes sociais fotos com armas, grandes quantias de dinheiro e publicações que faziam apologia ao PCC. Em uma das imagens, ele aparece sem camisa, fazendo o sinal com três dedos - referência ao lema “Tudo 3”, associado à facção. Também é possível identificar tatuagens como o símbolo do yin-yang, frequentemente ligado ao grupo criminoso.>
Chefe do PCC: saiba quem é o namorado da delegada presa por envolvimento com facção
Nas legendas das publicações, Jardel escrevia frases de teor violento, exaltando a prática de crimes. Ele chegou a ser preso em 2021, mas atualmente responde em liberdade. Segundo as investigações, é apontado como coordenador do PCC na região Norte, com atuação no recrutamento de adolescentes e no ensino de técnicas de tortura.>
Segundo o Ministério Público, Layla Lima Ayub e Jardel Neto são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Pará.>
Na cerimônia de posse de Layla como delegada, realizada em 19 de dezembro do ano passado, no Palácio dos Bandeirantes - sede do governo paulista -, Jardel apareceu ao lado dela. >
As investigações também indicam que, mesmo após assumir o cargo de delegada, Layla teria continuado a atuar de forma irregular como advogada. Em 28 de dezembro, apenas nove dias após a posse, ela participou de uma audiência de custódia na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, município localizado a 523 quilômetros de Belém.>
A conduta é vedada pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais, que proíbem delegados de polícia de exercer a advocacia privada. Para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), há indícios de que Layla utilizava o cargo para favorecer interesses da facção, já que tinha acesso a inquéritos policiais e a bancos de dados com informações restritas.>
Além disso, o Ministério Público apura a suspeita de que a delegada e o companheiro tenham adquirido uma padaria no bairro de Itaquera, na capital paulista, com recursos de origem ilícita. O estabelecimento estaria registrado em nome de um “laranja”, com o objetivo de ocultar a real propriedade do negócio.>