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Wendel de Novais
Publicado em 11 de março de 2026 às 09:33
Uma operação policial contra o Comando Vermelho (CV) colocou na mira das autoridades a mãe do cantor Oruam e um vereador do Rio de Janeiro suspeitos de ligação com a estrutura da facção criminosa. A ação também resultou na prisão de policiais militares e investiga a atuação de pessoas próximas ao traficante Marcinho VP na manutenção das atividades do grupo. As informações são da TV Globo.>
Entre os alvos está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, companheira de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam. Outro investigado é o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD), que acabou preso nesta quarta-feira (11). Ao chegar à Cidade da Polícia, ele negou qualquer relação com o crime organizado. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou.>
A ofensiva foi conduzida por agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que saíram às ruas para cumprir 13 mandados de prisão. Até a última atualização da operação, seis pessoas haviam sido presas, enquanto outros quatro investigados já estavam no sistema prisional. Entre os detidos também estão seis policiais militares.>
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da operação é enfraquecer a estrutura nacional da facção. A corporação afirma que o grupo foi “identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”. Os investigadores também apontam “indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC)”, além de tentativas de interferência política em territórios controlados pelo tráfico para transformá-los em redutos eleitorais.>
Esposa de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam
Segundo a polícia, “Segundo os elementos reunidos pela investigação, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho”.>
A instituição afirma ainda que “Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local”. Entre os exemplos citados pelos investigadores está “Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região”.>
As apurações indicam que a escolha de parte dos beneficiários dessas iniciativas teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processos públicos transparentes.>
As investigações também apontam que Marcinho VP continua exercendo forte influência na organização criminosa mesmo após quase três décadas no sistema prisional. A polícia afirma que ele “continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção” e integra o chamado “conselho federal permanente” do Comando Vermelho.>
Ainda segundo a delegacia especializada, Márcia Nepomuceno atuaria fora da prisão como intermediária de interesses da facção, “participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos”.>
Outro alvo da investigação é Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. Para os investigadores, ele “exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e imóveis”.>
A operação segue em andamento para identificar outros integrantes da estrutura que, segundo a polícia, sustenta as atividades do Comando Vermelho dentro e fora do sistema prisional.>