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Monique Lobo
Publicado em 1 de abril de 2026 às 18:47
Duas marcas de roupas de luxo foram autuadas por trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), após 16 bolivianos serem resgatados em oficinas de costuras em Minas Gerais em inspeções realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2025. Uma das pessoas resgatas era uma adolescente de 16 anos. As informações são do Repórter Brasil. >
As oficinas produziam peças para as grifes Anne Fernandes e Lore. De acordo com informações de notas fiscais divulgadas pela reportagem, os costureiros recebiam entre R$ 20 e R$ 80 pela maior parte das peças encomendadas. No site da Anne Fernandes, é possível encontrar jaquetas o com valores de R$ 10.778,90 e R$ 9.552,90, além de calça por R$ 8.378,90 e vestido por R$ 5.997,90. Já na Lore, são vendidas jaquetas por R$ 6.598, shorts curtos por R$ 3.598 e vestidos por R$ 1.529.>
Veja algumas das peças vendidas pelas duas marcas
Os cenários das oficinas, localizadas na cidades de Betim e Contagem, eram de precariedade e as jornadas ultrapassavam 12 horas, de acordo com informações dos relatórios de fiscalização divulgadas pela reportagem. Além disso, os costureiros trabalhavam em espaços abafados, sem ventilação e sem banheiros adequados. >
Oficinas eram precárias e as jornadas ultrapassavam 12 horas
Ainda segundo o relatório, mesmo após serem informadas da situação dos bolivianos, as duas marcas não realizaram o encaminhamento dos resgatados para um abrigo e teriam se negado a pagar verbas rescisórias. >
A Lagoa Mundau, responsável pela marca Anne Fernandes, informou, em nota enviada ao Repórter Brasil, que "mantinha um contrato de natureza estritamente mercantil de industrialização por encomenda" com a oficina. A empresa também argumentou que a "interação com a oficina era extremamente limitada" e "apenas tinha acesso à área de entrega de matéria-prima e recebimento das roupas prontas". >
A Lore, também em nota ao Repórter Brasil, afirmou que “mantém contratos de natureza estritamente mercantil/civil com oficinas de costura regularmente constituídas” e que “tais parcerias visam a entrega de produtos acabados, sem qualquer ingerência da Lore na rotina produtiva, gestão de pessoal ou controle de jornada das contratadas, tampouco com acesso às dependências da empresa”. >
As duas marcas afirmaram também que romperam os contratos com as oficinas quando souberam do resgate. >