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'Não parei mais': autor que revelou bastidores de Tremembé lança livro sobre justiceiro que diz ter matado mais de mil pessoas

Nova obra de Acir Filló mistura investigação, relatos e crítica social ao retratar a trajetória de justiceiro

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 20 de maio de 2026 às 12:48

Acir Filó
Acir Filó Crédito: Divulgação

O jornalista e escritor Acir Filló, autor de “Diário de Tremembé - O Presídio dos Famosos”, lançou um novo livro em que retrata a história de um homem que afirma ter matado mais de mil pessoas na Grande São Paulo.

A obra, “O Coveiro de São Paulo - Eu matei mais de mil pessoas”, mistura investigação jornalística, narrativa e análise social para abordar o surgimento de justiceiros em áreas marcadas pela violência e pela ausência do Estado.

O personagem central é Herculano, que segundo o autor teria atuado por cerca de duas décadas executando criminosos na região metropolitana de São Paulo. Apesar do título, ele não seria um coveiro literal: a figura da “pá” tem sentido simbólico, associada à ideia de “enterrar o mal”.

Acir Filló por Divulgação

Filló afirma que o livro não busca romantizar a violência. “O justiceiro também é criminoso. Ele utiliza a mesma barbárie para realizar suas supostas vinganças. Ele age na ilegalidade ocupando um espaço que pertence ao Estado”, disse.

O escritor relata ter convivido e entrevistado Herculano ao longo de mais de três anos, em locais como Tremembé e Pinheiros.

Infância marcada pela violência

Segundo o livro, Herculano cresceu em periferias de São Paulo marcadas por pobreza, fome e violência doméstica, com histórico de agressões do pai alcoólatra contra a mãe. “Ele não nasceu monstro. Foi fabricado por uma sociedade e por um Estado omisso e ausente”, afirma Filló.

De acordo com a narrativa, o primeiro homicídio teria ocorrido aos 16 anos, motivado por vingança pessoal. A partir daí, a violência teria se tornado constante. “Não parei mais. Exterminar a escória da sociedade virou uma vocação”, relata o personagem.

Para o autor, casos como esse refletem um problema estrutural. “O Brasil fabrica justiceiros há décadas. Eles são um sintoma da falência de um país que sempre relegou a segurança a segundo plano”, disse.

Filló cita ainda fatores como desigualdade, desemprego, precariedade da segurança pública e abandono das periferias. Ele lembra o caso de Cabo Bruno como exemplo histórico de justiça paralela.

Execuções e desaparecimentos

No livro, Herculano descreve execuções sem arrependimento. Em um dos relatos, afirma: “Encapuzado e com dois revólveres engatilhados, eu mesmo julguei e condenei o marginal assassino”. Em seguida, completa: “Foram cinco disparos… e um criminoso a menos para atormentar a sociedade”.

Filló afirma que o impacto desses trechos está na banalização da violência. A obra também trata dos desaparecimentos no Brasil e da hipótese da existência de cemitérios clandestinos. “O Brasil é um gigantesco cemitério clandestino”, diz o autor.

O livro cita o caso de Priscila Belfort e levanta a possibilidade de ligação com tráfico humano e de órgãos.

Trajetória no true crime

O novo lançamento reforça a atuação de Filló no gênero true crime. Ele ganhou notoriedade com “Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos”, no qual relatou convivência com detentos como Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Gil Rugai, Mizael Bispo e Roger Abdelmassih.

A obra teve repercussão nacional e chegou a ser tema de reportagem do programa Fantástico, da TV Globo. Filló também afirma que investigações feitas no período ajudaram a revelar circunstâncias envolvendo Abdelmassih após prisão domiciliar.

Ele também é autor de uma biografia do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Interesse audiovisual e lançamento

Segundo o escritor, o livro já desperta interesse de produtoras do universo true crime e pode ganhar adaptações audiovisuais.

O lançamento ocorreu na terça-feira (5), na Livraria Drummond, em evento da Editora Alcance, com presença de nomes do jornalismo investigativo como Valmir Salaro e Cláudia Albuquerque.

A obra encerra com um debate recorrente ao longo do livro: o avanço da justiça paralela e o impacto da descrença na Justiça oficial em contextos de violência e abandono estatal.

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