Prisão de João Santana pela Polícia Federal agrava crise no governo Dilma

Enquanto as imagens da chegada do casal ganhavam destaque na imprensa, a temperatura subia no Palácio do Planalto

Publicado em 24 de fevereiro de 2016 às 08:48

- Atualizado há 10 meses

Principais alvos da Operação Acarajé, nova fase da investigação sobre o escândalo na Petrobras, o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, entraram oficialmente ontem no rol dos presos da Lava Jato, elevando ainda mais o nível de preocupação em torno do governo Dilma Rousseff. Eles desembarcaram pela manhã no Aeroporto de Guarulhos,  em São Paulo, e foram recebidos em solo por policiais federais escalados para cumprir a ordem de prisão temporária expedida contra o casal. Mônica e Santana, conhecido também pelo apelido de Patinhas, chegaram ao Brasil em um voo da Gol vindo de Punta Cana, na República Dominicana. A aterrissagem, prevista para as 10h, foi antecipada para as 9h20. Na viagem, tiveram a companhia do advogado, Fábio Toufic. Ao chegar, o marqueteiro estava sem telefone celular e notebook, segundo informou o delegado federal Igor de Paula, que coordena as investigações da Lava Jato.João Santana e Mônica Moura desembarcam na capital paulista e são recebidos por agentes da Federal (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)Enquanto as imagens da chegada do casal ganhavam destaque na imprensa, a temperatura subia no Palácio do Planalto e no Congresso. De um lado, o núcleo-duro do governo calculava o quanto a prisão pode complicar a vida da presidente Dilma nos próximos dias. Do outro, a oposição se articulava para aproveitar, ao máximo, o novo combustível  contra os rivais.Embora mantivessem a estratégia de anteontem, de negar relação entre a campanha de Dilma em 2014 e os pagamentos ao marqueteiro investigados pela  Lava Jato, os cardeais do partido defendiam nos bastidores a necessidade de preparar uma ofensiva para reduzir danos, certos de que eles são inevitáveis. Em especial, pela proximidade entre ela e o marqueteiro, responsável pelas campanhas que levaram o PT à vitória em 2006, com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e da própria Dilma em 2010 e 2014. Nos corredores do Planalto, é conhecida a influência de Santana sobre a presidente, que costuma consultá-lo em momentos de crise. Para piorar, a avaliação é de que as provas da Lava Jato sobre depósitos em contas de uma offshore do casal Santana no exterior, atribuídos à Odebrecht e ao operador de propinas Zwi Skornicki, podem servir como ponte entre os desvios da Lava Jato e o caixa 2 da campanha petista em 2014. Fato que alimentaria ainda mais a fogueira do impeachment e a crise de governabilidade no Congresso. Para ilustrar o clima de desânimo do Planalto, ao longo do dia a única declaração pública da cúpula do governo sobre o caso foi feita pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Ainda assim, pelo Facebook. “Apesar da insistência da oposição em dizer o contrário, a 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontem (segunda-feira), não investiga supostas irregularidades relacionadas à campanha da presidenta Dilma - cuja prestação de contas foi aprovada pelo TSE”, postou Wagner.Já em Curitiba, o casal Santana era novamente clicado após deixar o IML, onde se submeteu a exame de corpo de delito junto a outros presos da Operação Acarajé. Entre os quais, Skornicki,  Benedito Barbosa Junior, diretor-presidente da construtora Odebrecht, e Vinícius Borin, operador financeiro.  De óculos escuros, Mônica chegou a sorrir para fotógrafos antes de rumar para a Superintendência da PF, no Paraná.[[saiba_mais]] De Genebra, veio a notícia de que o executivo Fernando Miggliacio, ligado à Odebrecht e alvo da operação, foi preso quando tentava encerrar contas bancárias. Ele estaria tentando retirar pertences do cofre de um banco da cidade suíça.PanelaçoPara completar um cenário de dificuldades para o governo, outro fantasma, o “panelaço”, ressurgiu durante os dez minutos do programa nacional do PT exibido ontem à noite em cadeia nacional de TV. Do Rio a São Paulo, de Salvador a Maceió, a batida de panelas foi a trilha de fundo da propaganda. O auge do protesto veio nos minutos finais, quando Lula dominava a tela.