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Elaine Sanoli
Publicado em 11 de abril de 2026 às 19:12
Após ser atingida por um tiro disparado por uma policial militar, a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, passou mais de 30 minutos agonizando no chão da rua. Um dos policiais que acompanhavam a ocorrência chegou a cobrar a chegada da ambulância de resgate, enquanto outros agentes prestavam os primeiros socorros.>
“Já tá ficando branco o lábio dela, cadê o resgate? Copom, reitera o resgate para a Edimundo Audran”, questionou o soldado Weden Silva Soares, em uma das gravações registradas pela câmera acoplada ao uniforme.>
Soldado PM Yasmin atirou em Thawanna durante abordagem
Thawanna foi baleada pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, na Zona Leste da capital paulista, na madrugada do dia 3 de abril. Segundo informações do portal g1, o disparo foi efetuado às 2h59. Imediatamente, o soldado Weden Soares acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), solicitando o resgate.>
O Corpo de Bombeiros foi acionado pela primeira vez às 3h04. Dois minutos depois, uma viatura foi deslocada, mas, às 3h12, precisou ser substituída por outro veículo. O novo deslocamento levou mais cinco minutos para sair, chegando até a vítima às 3h30.>
Thawanna foi levada para a ambulância, que deixou o local às 3h37. Três minutos depois, às 3h40, ela chegou ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima teve hemorragia interna aguda e morreu em decorrência da perda excessiva de sangue.>
A defesa da policial Yasmin Cursino Ferreira afirmou que a soldado “agiu dentro da lei” ao efetuar o disparo que matou Thawanna. Ao portal Uol, advogado Alexandre de Souza Guerreiro afirmou que a policial efetuou apenas um disparo para se defender e solicitou socorro logo após o tiro. A soldado já prestou depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação sobre o caso. Ela alega que agiu porque Thawanna teria avançado contra ela e dado um tapa no rosto, além de ter tentado pegar sua arma. >
“O que temos a dizer é que ela agiu dentro da lei, efetuou um único disparo e solicitou socorro imediatamente”, afirmou o advogado. Falando ao portal G1, ele ainda afirmou que a PM se viu em meio a uma "escalada de agressões". "Estando no exercício da função, ela foi agredida e efetuou um único disparo para cessar a escalada de agressões por parte da vítima", acrescentou. "Importante pontuar que a equipe acionou o socorro imediatamente e deu ciência as autoridades competentes".
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A versão apresentada pela defesa é contestada pelo marido da vítima, Luciano Gonçalves Santos. Ele afirma que a esposa demorou mais de 30 minutos para receber atendimento após ser baleada e diz que foi impedido de acompanhá-la na ambulância.>
Segundo Luciano, ele tentou permanecer ao lado da companheira durante o atendimento, mas foi afastado pelos policiais ainda no local da ocorrência. “Quando eu olhei, vi o Samu, daí tranquilizei. Daí o Samu pegou, levou ela. Não deixaram eu ir com a minha mulher. Eu nunca mais vi minha mulher. Não deixaram. Eu queria ir na ambulância. Meu sonho era tá do lado dela ali e acompanhar até o hospital. Eu não sei o que aconteceu aquela noite. O que eles queriam comigo.”>
Ele também nega que Thawanna tenha tentado pegar a arma da policial, como relatado pela defesa.>