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Wendel de Novais
Publicado em 29 de abril de 2026 às 09:04
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta terça-feira (28), que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto será julgado pela Justiça comum e em júri popular. O oficial é apontado como responsável pela morte da ex-esposa, a soldado Gisele Alves Santana, atingida por um disparo na cabeça em fevereiro, no apartamento onde os dois viviam, e por fraude processual ao alterar a cena do crime. >
Segundo o g1, a decisão foi tomada pelo ministro Reynaldo Soares, que reconheceu a competência da 5ª Vara do Júri de São Paulo para conduzir o processo. O entendimento acompanha a tese apresentada pela assistência de acusação, que sustenta que o crime não possui natureza militar. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Com a definição, o processo seguirá para o Tribunal do Júri, onde a decisão final ficará a cargo de sete jurados sorteados, responsáveis por avaliar os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa antes de decidir pela condenação ou absolvição. A fase inicial do processo, chamada de instrução, tem prazo estimado de até 90 dias. >
Aposentadoria generosa >
A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP) colocou Geraldo Neto na reserva. O documento garantiu ao oficial o direito à aposentadoria proporcional por idade, com vencimentos integrais. Na prática, mesmo fora da ativa, o tenente-coronel continua recebendo remuneração elevada. >
Antes da prisão, em fevereiro de 2026, o salário bruto era de R$ 28,9 mil, conforme dados do Portal da Transparência do governo paulista. Com a aplicação dos critérios proporcionais, a estimativa é que o valor mensal fique em torno de R$ 21 mil. A corporação afirma que a medida administrativa não interfere no processo disciplinar que pode resultar na expulsão do oficial. >
Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves
A investigação aponta que Geraldo Leite Rosa Neto teria tentado simular o suicídio da esposa após ela ser encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal em São Paulo. Inicialmente, ele alegou que a companheira tirou a própria vida, versão que foi contestada pelos investigadores. >
Preso desde 18 de março por decisão da Justiça Militar de São Paulo, o oficial responde por feminicídio e fraude processual. Mesmo que venha a perder a patente, a legislação permite a manutenção do benefício previdenciário acumulado ao longo da carreira. >
Mensagens apagadas >
A investigação da Polícia Civil apontou que, após a morte de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Neto desbloqueou o celular da vítima e apagou mensagens entre os dois que estavam no aparelho. Conversas que registravam o pedido de divórcio de Gisele. As últimas mensagens enviadas por Gisele ao marido mostram que ela queria a separação, apesar do oficial dizer contrário para a polícia. >
“Agora podemos tratar de como vou sair. Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão. Vejo que se arrependeu do casamento, eu também. E tem todo direito de pedir o divórcio, não quero nada seu, como te disse eu me viro para sair, tenho minha dignidade”, escreveu por volta das 23h da noite anterior. >
Imagens mostram movimentação no corredor após morte de Gisele
Segundo a polícia, na manhã seguinte, o telefone foi desbloqueado em diferentes momentos após o tiro. O último acesso registrado ocorreu às 7h58min18s, além de outros desbloqueios às 7h47min29s e às 7h49min24s. O detalhe que chama atenção dos investigadores é que o próprio tenente-coronel acionou o 190 antes disso, às 7h54min58s — quando, segundo a apuração, a vítima já havia sido atingida. >
Uma vizinha relatou, no entanto, ter ouvido um único disparo, descrito como forte, por volta das 7h28. A partir desse horário, a linha do tempo construída pela polícia indica movimentação no celular da vítima em momentos posteriores ao tiro. Inicialmente, o oficial sustentou que Gisele teria tirado a própria vida após uma discussão entre o casal. Essa versão foi descartada após laudos periciais apontarem para feminicídio. >
No aparelho do tenente-coronel, não havia registros de conversas com a esposa no dia anterior à morte, em 17 de fevereiro. Para os investigadores, a exclusão das mensagens teria como objetivo sustentar a versão apresentada pelo suspeito, de que ele seria o responsável por conduzir o processo de separação — e não a vítima. A linha investigativa aponta que o histórico de conflitos no relacionamento, somado à tentativa de manipular provas, pode ter relação direta com a motivação do crime. >