Viúvo de empresária morta após entrar por engano em favela pensa em processar aplicativo de GPS

Segundo marido, mulher resolveu experimentar aplicativo: “Quem sabe não encontramos algo interessante?”

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 22:08

- Atualizado há um ano

A família de empresária Regina Múrmura, 70 anos, morta depois de entrar por engano em uma favela de Niterói, no Rio de Janeiro, pensa em acionar o governo do Estado e o aplicativo Waze no estado. Regina e o marido, o juiz arbitral Francisco Múrmura, seguiam as orientações dadas pelo app no celular e acabaram entrando no Complexo do Caramujo, no último sábado. O carro do casal foi alvo de tiros disparados por traficantes. Baleada, Regina morreu antes de chegar ao hospital.Casal passeava em Niterói quando carro foi alvejado por bandidos(Foto: Reprodução)"Muitos já me procuraram falando sobre isso (processo), mas ainda estamos avaliando. Não é pelo dinheiro, porque o que eu queria mesmo era ela, e isso não terei nunca mais", disse ao Extra Francisco, de 69 anos.

O casal estava indo do Leme, onde moravam, até um restaurante na Região Oceânica em Niterói. Francisco sabia o caminho, mas a esposa resolveu experimentar o aplicativo de GPS. "Ela falou: “Quem sabe não encontramos algo interessante?”, conta o viúvo.

Os dois eram casados há 48 anos, depois de começar a namorar na escola, e já planejavam uma grande festa para as Bodas de Ouro. "Agora, só ficou uma cratera". 

O principal suspeito pelo crime é o chefe do tráfico no Caramujo, Rodrigo da Silva Rodrigues.

Leia o depoimento do viúvo:

“A gente trabalhava com turismo desde 1985, éramos como embaixadores da área no Rio. Foram 30 anos dedicados a fazer propaganda positiva da cidade, mas agora passo como um grande mentiroso. Ainda não sei o que farei daqui em diante, mas essa parte morreu automaticamente com ela. Agora, nossa luta é para que essa morte não passe batida. Amanhã aparece outro caso, e a Regina vira só mais um número. O governador, o secretário de Segurança, o prefeito... Alguém precisa fazer algo. Uma simples placa na entrada da comunidade já ajudaria a evitar. Ou será que perdemos até o direito de nos indignar? Você enterra uma pessoa, seja quem for, como se fosse um boneco. Virou normal.”