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Volkswagen é condenada a pagar R$ 15 milhões por burlar testes ambientais em mais de 17 mil veículos

Decisão ocorreu após ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF)

  • Foto do(a) author(a) Millena Marques
  • Millena Marques

Publicado em 11 de maio de 2026 às 16:21

Amaraok
Amaraok Crédito: Divulgação/Volkswagen

A Volkswagen do Brasil foi condenada pela Justiça Federal a pagar R$ 15 milhões por danos morais coletivos em razão de fraudes ambientais envolvendo veículos a diesel fabricados no país entre 2011 e 2012. A decisão atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que acusa a montadora de manipular testes de emissão de poluentes em mais de 17 mil unidades da Amarok produzidas no período.

De acordo com o processo, os veículos receberam um software capaz de identificar quando estavam sendo submetidos a testes laboratoriais de emissão. Nessas situações, o sistema reduzia temporariamente a liberação de óxidos de nitrogênio para enquadrar os automóveis nos padrões exigidos pela legislação ambiental brasileira. Em condições normais de circulação, porém, as emissões ultrapassavam os limites permitidos.

Lamborghini Aventad SVJ - Valor venal: R$ 6,8 milhões - IPVA: 171 mil por Divulgação

A estratégia permitiu que a empresa obtivesse autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para comercializar as picapes no país. Segundo as investigações, as Amaroks chegavam a emitir cerca de 1,1 grama de óxidos de nitrogênio por quilômetro rodado, acima do teto de 1 g/km previsto pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

Na sentença, a 12ª Vara Cível Federal de São Paulo afirmou que houve fraude contra o sistema de fiscalização ambiental, destacando que a conduta da empresa comprometeu a confiança pública nos mecanismos de controle de emissões veiculares.

O MPF considera, entretanto, que o valor da condenação ficou abaixo da gravidade do caso e já apresentou recurso pedindo a ampliação da indenização para R$ 30 milhões. O órgão sustenta que a prática causou impactos ambientais prolongados, já que parte dos veículos continua em circulação mesmo após a descoberta das irregularidades.

Estimativas do Ibama e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontam que, entre 2011 e 2016, os veículos emitiram aproximadamente 2,7 mil toneladas de óxidos de nitrogênio acima do permitido. O poluente está associado a problemas ambientais e riscos à saúde pública.

A Volkswagen realizou, em 2017, um recall para atualização do software dos veículos, mas a adesão ficou abaixo de 30% da frota comercializada. Para o MPF, a baixa participação reforça a permanência dos danos ambientais ao longo dos anos.

Embora tenha reconhecido a fraude, a sentença entendeu que apenas 24% da frota — correspondente à versão 90 KW da Amarok — teve danos ambientais efetivamente comprovados. Já em relação aos modelos 120 KW, o texto aponta divergências em análises periciais que impediriam uma conclusão definitiva sobre o excesso de emissões.

O MPF discorda desse entendimento e argumenta que a própria existência do software fraudulento já invalida o processo de licenciamento ambiental dos veículos. No recurso, os procuradores afirmam que a montadora atuou de forma deliberada ao burlar os testes ambientais para ampliar seus lucros.

O episódio integra o escândalo internacional conhecido como “Dieselgate”, que revelou o uso de mecanismos semelhantes pela Volkswagen em diversos países. No Brasil, além da ação judicial, a empresa também foi alvo de multa administrativa aplicada pelo Ibama no valor de R$ 46 milhões.

Tags:

Brasil Condenação Volkswagen