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O Axé morreu? Entenda de onde veio a teoria e o que os artistas acham sobre a 'invasão' dos pagodeiros no Carnaval de Salvador

Parte do debate surgiu porque muitos dos artistas que hoje concentram grandes públicos estão ligados ao pagode

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 17:00

Ivete Sangalo reuniu multidão no Campo Grande
Ivete Sangalo reuniu multidão no Campo Grande Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

O axé music morreu? A pergunta voltou a ganhar força durante o Carnaval 2026, em Salvador, justamente no dia 17 de fevereiro, data em que se celebra o Dia Nacional do Axé Music. Nas redes sociais e nos circuitos, o tema reapareceu diante de um cenário evidente: os principais nomes que consolidaram o gênero estão hoje acima dos 60 anos, enquanto muitos dos artistas que vêm ganhando maior projeção recente estão ligados ao pagode baiano.

Entre os artistas que ajudaram a transformar o axé na trilha sonora do Carnaval de Salvador, muitos já passaram dos 60 anos e seguem como protagonistas da festa. Bell Marques tem 73 anos, Durval Lelys, 68, Daniela Mercury chegou aos 60 e Carlinhos Brown está com 63. Mesmo com décadas de carreira, continuam à frente de blocos e trios que arrastam multidões.

Há também artistas que, embora mais jovens que essa geração pioneira, já acumulam longa trajetória e forte presença na folia, como Ivete Sangalo, 53 anos, Claudia Leitte, 45, Saulo, 48, Tomate, 43, o pessoal da Timbalada, entre outros.

Ao mesmo tempo, outros nomes históricos do gênero têm feito participações mais pontuais na programação ou aparecido com menor frequência nos circuitos principais, como Netinho, Tuca Fernandes, Carla Visi, Márcia Short e Gilmelândia, que voltou à folia após anos afastada.

Bell Marques no Carnaval de Salvador por Webert Belicio/ AgNews

Artistas como Lincoln Sena, Vina Calmon, Mari Antunes e Felipe Pezzoni representam a continuidade do movimento, dialogando com novas plateias e ampliando o alcance do ritmo. Em diferentes fases de carreira, todos fazem parte do processo de renovação que acompanha o axé desde sua criação.

Mudança de protagonismo

Parte do debate surgiu porque muitos dos artistas que hoje concentram grandes públicos estão ligados ao pagode. Léo Santana figura entre os maiores astros da festa atualmente, ao lado de Márcio Victor, à frente do Psirico, Xanddy e Tony Salles. Todos já têm trajetória consolidada no Carnaval e comandam trios há anos. Igor Kannário também mantém uma das maiores pipocas da folia.

Entre os nomes que vêm ampliando espaço estão O Kanalha e Vinny Nogueira. Já a BaianaSystem aparece com proposta própria, diferente do axé tradicional e do pagode, misturando sound system jamaicano, reggae, dub e música eletrônica com elementos da música baiana. O grupo se consolidou como uma das forças do Carnaval nos últimos anos, especialmente com suas pipocas no Campo Grande.

Bell Marques no Carnaval de Salvador por Webert Belicio/ AgNews

O que dizem os artistas

Durante o Carnaval, Daniela Mercury comentou o tema em momentos distintos. Na segunda-feira, enquanto puxava o Crocodilo, afirmou: “Tem um menino que tem o meu máximo respeito, que é Márcio Victor. Muito se fala que o axé morreu, porque vem chegando uma turma nova do pagode, mas isso é normal. A mudança existe, e que bom que ela existe. É preciso ter renovação”.

Em outro momento, no Circuito Osmar, no Campo Grande, declarou ao encontrar Ivete: “Que a gente agarre o axé e não deixe ele morrer”.

Tomate também se manifestou sobre o assunto durante o desfile. “Disseram por aí que o axé morreu... Morreu minha c*ceta”, afirmou, em tom irreverente, em cima do trio.

Já Netinho avaliou o cenário de forma diferente. “Pra mim, o axé music morreu. O axé sobrevive em mim, em Luiz Caldas, em Durval Lelys, em Bell Marques. Quando nós nos formos daqui, acabou o axé, ninguém vai gravar axé. Nos festivais de colégio de Salvador, há anos não tem uma banda de axé. Acabou, morreu. Aquela época foi uma época de ouro. Quem viveu aquilo foi feliz e não vai voltar aquilo ali. Mas o axé music como estilo musical acabou. Isso vive em nós que estamos vivos, nessa galera que tá viva”, opinou.

Tatau também fez uma análise crítica sobre o momento do gênero. “Quantos anos tem a música Raiz de Tudo Bem? Quinze anos, né? A última grande canção feita para o nosso carnaval. Parece que as músicas hoje nascem e depois ficam só em um pedaço. Parece que sofreram um ato de mutilação, porque em algum momento a pessoa já dá um sobressalto para uma parte que dizem que é refrão, para ficar martelando ali. Não se faz mais história, eu fico triste”, afirmou.

Espaço para todos

Entre opiniões divergentes, o que se vê na prática é um Carnaval plural. O pagode vive um momento de forte projeção, o axé mantém sua base histórica e novos formatos musicais também encontram público. A festa segue marcada pela convivência de estilos, gerações e propostas diferentes, mantendo viva a capacidade de se transformar sem perder suas referências.

Quem também não gostou nada dessa história foi Tomate, um dos maiores puxadores de trio do Brasil. Irreverente, em cima do trio, ele falou sobre o tema. "Disseram por aí que o Axé morreu... Morreu minha c*ceta".

Por outro lado, artistas como Netinho e Tatau concordam com a derrocada do estilo musical. “Pra mim, o Axé Music morreu. O Axé sobrevive em mim, em Luiz Caldas, em Durval Lelys, em Bell Marques. Quando nós nos formos daqui, acabou o Axé, ninguém vai gravar Axé. Nos festivais de colégio de Salvador, há anos não tem uma banda de Axé, só sertanejo, pisadinha. Acabou, morreu. É porque o fã é muito saudoso, eu também sou. Aquela época foi uma época de ouro. Quem viveu aquilo foi feliz e não vai voltar aquilo ali. Mas o Axé music como estilo musical acabou. Isso vive em nós que estamos vivos, nessa galera que tá viva”, opinou Netinho, que está longe do Carnaval de Salvador desde 2012.

Tatau concorda. "Quantos anos tem a música Raiz de Tudo Bem? Quinze anos, né? Acho que há uns 10 anos, por aí. A última grande canção feita para o nosso carnaval. Parece que as músicas hoje, ela nasce, mas no final ela volta um pedaço. Parece que sofreu um ato de mutilação. Porque em algum momento, a pessoa já dá um sobressalto para uma parte que dizem que é refrão, para ficar martelando ali. Mas é um resumo com o refrão. Não se faz mais história, eu fico triste", opina ele, que elege Saulo como o artista mais recente do mercado a fazer Axé.

O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.