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Da Redação
Publicado em 19 de dezembro de 2014 às 04:31
- Atualizado há 3 anos
Em outubro de 1991, o Andrea Gail, um barco pesqueiro semelhante aos que ainda hoje singram a costa de Massachusetts, estava em alto-mar quando, de repente, uma série de eventos começou a ocorrer de forma sincronizada. Num instante, o Atlântico Norte tornou-se aterrador, o céu escureceu, a chuva caiu torrencial, os ventos atingiram 300 quilômetros por hora e as ondas chegaram a 20 metros de altura. Dizem que 12 fatores ocorreram ao mesmo tempo formando o que passou a ser conhecido como a “tempestade perfeita”, aquela que tragou o Andrea Gail e sua tripulação. Em dezembro de 2014, analistas e economistas brasileiros utilizam cada vez mais o termo tempestade perfeita para referir-se à situação econômica do Brasil, afirmando que uma confluência sincronizada de fatores estaria colocando o país no centro de um furacão econômico de grandes proporções. Uma análise apressada corroboraria de imediato essa visão apocalíptica da economia brasileira e ela teria sua razão de ser, afinal, é fácil citar de cabeça quase uma dezena de fatores, externos e internos, que estão contribuindo de forma sincronizada para colocar o Brasil no meio de uma grande tempestade econômica. >
No front interno, os ventos de quase 300 quilômetros por hora são formados por um déficit nominal nas contas públicas de 5% do PIB em 2014, quando em 2010 era de apenas 2,4% do PIB, e por um déficit nas transações correntes do país com o exterior que chegou em 2014 a 3,7% do PIB, o que indica necessidade de financiamento externo, tudo isso inflado por baixo crescimento econômico, inflação em alta, taxa de investimento despencando e o mais baixo nível de confiança dos agentes econômicos desde 2008. Como se não bastasse, a maior empresa nacional, que tem vinculações econômicas, diretas ou indiretas, com pelo menos 30% da economia brasileira, está atolada num mar de corrupção e de tal magnitude que nem as empresas de análise contábil dispõem-se a chancelar seu balanço. >
A Petrobras está sendo desidratada a cada dia e, teimosamente, a presidente Dilma reluta em trocar a diretoria da empresa por uma gestão técnica, o que seria o início de sua recuperação. Ventos de tamanha velocidade formam ondas maiores ainda e com elas vêm a possibilidade das agências de risco retirarem o grau de investimento da economia brasileira, dificultando a entrada de capital externo e as previsões de inflação em torno de 1% em janeiro, o que implica em juros mais altos, que, aliás, já estão sendo precificados pelo mercado. Ou seja, metade da tempestade perfeita está formada. No front externo, também há ventos fortes e ondas gigantescas vindas da Arábia, da Rússia e dos Estados Unidos. >
Os árabes detonaram um segundo choque do petróleo e dessa vez não foi aumentando o preço do barril e sim reduzindo-o a níveis impensáveis, já que custava US$ 100 e hoje é vendido a US$ 60. Na verdade, os árabes estão fazendo dumping, ou seja, baixando o preço no limite para inviabilizar os concorrentes, no caso, o gás de xisto, a energia eólica e outros. Por isso, não aceitaram a proposta de reduzir os estoques, como implorou a Venezuela, e estão dispostos a inundar o planeta de óleo barato. A Rússia foi diretamente afetada, pois 2/3 de suas exportações são petróleo, e, juntando a isso, o embargo econômico da Europa e dos Estados Unidos, represália ao espírito imperialista de Pútin, o resultado foi o naufrágio do barco russo, que esta semana sofreu um ataque especulativo e teve de aumentar os juros em 7% de uma só vez. >
Para completar, os Estados Unidos, montados na sua recente recuperação econômica, prometem também elevar os juros e, nesse quadro, os investidores correm para o ativo mais seguro do mundo, o dólar, e para o país que o imprime. Assim, o dólar está se valorizando no mundo inteiro, inclusive no Brasil, jogando mais lenha no fogo da inflação. Ora, são dezenas de eventos negativos sincronizados, o que parece dar razão à tese da tempestade perfeita que emborcará o barco da economia brasileira. Felizmente, a tempestade perfeita é rara e, embora a nuvem esteja cor de chumbo, ela ainda não chegou ao Brasil. Senão vejamos.>
Em primeiro lugar, vale lembrar que o Brasil é importador líquido de petróleo, logo a redução do seu preço será benéfica ao país, trazendo uma economia que pode chegar a US$ 10 bilhões. Por outro lado, a crise russa está longe de afetar o país e um excessivo aumento da cotação do dólar pode ser contrabalançado por uma política contínua de swap cambial, ou seja, compra e a venda da moeda americana. O Brasil pode fazer isso, pois detém reservas da ordem de US$ 400 bilhões e é preciso uma crise em cadeia de todo sistema para afetar um detentor de tal lastro. >
Ou seja, é possível resistir à crise internacional, mas, torna-se indispensável a adoção de medidas internas para o país precaver-se da tempestade perfeita como, por exemplo, o anúncio imediato de um forte ajuste fiscal e a demissão de toda a diretoria da Petrobras, medidas que teriam o condão de restabelecer a confiança dos investidores e da população na condução da política econômica. Pois é, leitor, a tempestade existe, mas ainda não é perfeita e, mesmo que fosse, nesses casos, vale o conselho do bardo português: “Depois da procelosa tempestade,/ Noturna sombra e sibilante vento, /Traz a manhã serena claridade, /Esperança de porto e salvamento.>
Banco europeu chega à BahiaO governador Rui Costa vai começar seu mandato atraindo um novo e importante parceiro no financiamento das obras de infraestrutura do estado. No início de janeiro, ele receberá uma delegação do BEI - Banco Europeu de Investimentos - para negociar um empréstimo de US$ 200 milhões, destinados à infraestrutura, especialmente estradas. É a primeira vez que o banco de desenvolvimento europeu financia projetos na Bahia, além disso, o empréstimo virá como um aporte ao governo, com contrapartida zero e taxa de juros semelhante à praticada pelo Banco Mundial. O BEI também aceitará as normas de processos de licitação que já são aceitos no PREMAR - Programa de Restauração e Manutenção de Rodovias no Estado da Bahia, empréstimo do Banco Mundial que vai ter agora sua segunda fase, também no montante de US$ 200 milhões. O próprio presidente do BEI, Werner Hoyer, virá chefiando a missão.>
A Bahia no pódio da agriculturaNos próximos dias, quando a senadora Kátia Abreu tomar posse do Ministério da Agricultura, o baiano João Martins, o presidente da Faeb- Federação da Agricultura do Estado da Bahia, assumirá a presidência da CNA – Confederação Nacional da Agricultura. Essa é uma representação da maior importância para a Bahia, um estado no qual, apesar da forte tradição agropecuária, o setor nunca foi prioridade para os governos. Na posição de presidente da CNA, João Martins, que hoje é o vice-presidente da instituição, será o interlocutor da agropecuária baiana e do agronegócio junto à futura ministra da Agricultura e à presidente da República. É hora, portanto, do governo do estado e a CNA unirem forças para fortalecer a agropecuária baiana.>
De ministros e secretários da FazendaA presidente Dilma Rousseff, o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto acertaram na competência quando escolheram os nomes que vão comandar suas pastas da Fazenda. Joaquim Levy, Manoel Vitorio e Paulo Souto conhecem os meandros da máquina pública e sabem o que fazer e como fazer. No caso de Levy, o primeiro movimento será cortar, cortar e cortar e injetar credibilidade na economia. Já Vitorio também tem o desafio de cobrir o déficit nas contas estaduais, e para isso está aumentando impostos, a exemplo da elevação de 3% na alíquota do ICMS da gasolina. Vitorio também terá de cortar despesas, para viabilizar uma maior execução orçamentária do investimento, que neste ano será de apenas 30% do previsto. Quanto ao ex-governador Paulo Souto, o desafio será suavizar um pouco a excessiva visão de caixa do seu antecessor e, amainando a sanha arrecadatória, estimular novos investimentos e a geração de mais negócios na capital baiana. Vale lembrar que o ISS e, não o IPTU, é o maior imposto municipal e ele cresce quando a economia cresce. No mais, nas três esferas, a Fazenda parece estar em boas mãos.>