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Armando Avenia: A Braskem, a Prainha e a indústria baiana

  • D
  • Da Redação

Publicado em 27 de maio de 2016 às 05:11

 - Atualizado há 3 anos

A indústria petroquímica na Bahia tem dois grandes desafios: a diversificação e a competitividade. Apesar da crise ter retardado vários investimentos, a diversificação já se iniciou com a entrada em operação da Basf que criou uma nova rota petroquímica, com fortes relações interindustriais com outras empresas do distrito industrial e que já atraiu empresas produtoras de bens finais. Superada a crise, já há caminhos para viabilizar a tão sonhada indústria de transformação petroquímica. O outro desafio é a competitividade, uma preocupação sempre presente, afinal o Polo Petroquímico de Camaçari tem quase 40 anos. Também aí há boas notícias. A Braskem vai modernizar seu complexo petroquímico, investindo  R$ 380 milhões para  tornar “flex” sua unidade de produção que será capaz de utilizar o “shale gás” produzido nos Estados Unidos  ou a nafta na produção. Ora, com isso a Braskem, que fornece insumos para várias empresas, reduz sua dependência da nafta e não só fica muito mais competitiva, utilizando a matéria-prima melhor posicionada no mercado, como torna mais competitivo todo o distrito industrial. E nunca é demais lembrar: as centrais petroquímicas que ficarem presas à nafta, como é o caso atual da Bahia, vão perder competitividade internacional se não migrarem para o gás e, aí sim, o futuro da petroquímica baiana estará em risco. Para usar o gás importado, fundamental para sua modernização, a Braskem precisa construir um terminal privativo, um investimento de R$  120 milhões que também vai beneficiar o Polo Industrial como um todo, e para isso já assinou protocolo com o governo do estado. O novo píer beneficia a Braskem e o Porto de Aratu, pois vai  reduzir a fila de navios e ampliar o uso atual do cais. A área onde vai ser implantado o projeto, chamada de Prainha, já tinha licença prévia e a Braskem já solicitou sua renovação, sendo que as audiências públicas necessárias ao pleito já estão previstas. A zona onde será construído o cais, que se estende mar afora com pequeno uso da faixa de terra, é considerada pelos órgãos ambientais como zona portuária consolidada e já há projeto de lei que delimita a Prainha como área industrial. Esse projeto, prestes a ser iniciado e que  representa um investimento total da ordem de R$ 500 milhões, tem previsão de conclusão para o segundo semestre de 2017 e é,  por sua importância econômica e baixo impacto ambiental, o tipo de investimento que a indústria precisa para preparar seu futuro.

Meirelles mira na desindexaçãoA equipe econômica do presidente em exercício Michel Temer entende do riscado e está trabalhando com um olho no curto prazo e outro no longo.  Ao fixar um teto para os gastos do governo e estabelecer que esses gastos vão crescer apenas em termos nominais, ou seja, sem a reposição da inflação, o governo pensa no longo prazo e age de modo a que o ganho na arrecadação não seja consumido pelo gasto público, aumentando o superávit, e, desde que seja cumprido, definindo uma tendência decrescente dívida pública. Para isso vai precisar de emenda constitucional que desvincule os vários preços da economia, a exemplo do salário mínimo, dos índices de inflação. Será sofrido, mas, se der certo, dará início a um processo de desindexação que nunca conseguiu ser implementado na economia brasileira.

Saneamento e furto de água

A cidade de Salvador está em 31º lugar entre as 100 maiores cidades do país em termos de tratamento de água e saneamento básico. É uma boa posição e a cidade tirou nota 7,2 numa escala de 1 a 10. Mas ficou em segundo lugar na Bahia, pois em primeiro está Vitória da Conquista, com nota 8,07 no ranking de saneamento, situando-se entre a 25 melhores cidades do país em termos de água e saneamento.

Mas Salvador apresentou um dado preocupante: a cidade perde 48,5% de toda sua água tratada faturada e vendida pela Embasa - Empresa Baiana de Águas e Saneamento, segundo dados do Instituto Trata Brasil, divulgados pelo portal Bahia Econômica. 

Em nota, a Embasa afirmou que a grande incidência de fraudes na rede distribuidora é a maior responsável pelo alto volume de perdas e que as fraudes estão presentes em bairros populares, nobres e em estabelecimentos comerciais, denotando uma cultura do furto de água, que se mostra mais presente na capital do que no interior do estado. A empresa informou também que  está combatendo os furtos de água com cerca de 50 equipes de campo nas unidades de Salvador e RMS, responsáveis por mais de 350 verificações desse tipo todos os dias. Tudo bem, mas dado o tamanho da perda, é hora de montar uma brigada de combate ao furto de água.

Luiza Mahin

No alvorecer do dia 25 janeiro de 1895, cerca de 600 escravos armados, liderados por um negro muçulmano e pela negra Luiza Mahin, tomaram as ruas de Salvador para libertar os escravos.  Vestidos com batas brancas e torso na cabeça e armados de facões, navalhas e parnaíbas, eles arregimentaram outros negros, escravos e libertos e ocuparam  as ruas da cidade, enfrentando durante horas  soldados e civis  que lhe deram combate. 

O parágrafo anterior não é inteiramente verdadeiro, os historiadores que pesquisaram a fundo a Revolta dos Malês afirmam que não há comprovação histórica da existência ou não de Luiza Mahin. Mas ela é nome de escola em Salvador e heroína na história oral do povo da Bahia. Por isso, este colunista, que não é historiador, mas apenas um escritor de província, adotou a licença poética que é dada os escritores  para fazer de Luiza Mahin a heroína da cidade da Bahia. Assim, estão prontos os originais do meu décimo livro: Luiza Mahin e a Revolta dos Malês. Agora começa uma batalha, tão grande quanto a dos Malês: a busca de uma editora para dar vida à heroína do povo baiano.

Movimentação no aeroporto A crise econômica reduziu a movimentação em todos os aeroportos brasileiros, mas em alguns a queda foi maior. É o caso do Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, que no primeiro quadrimestre de 2016 apresentou uma queda de 16,8%, em relação ao mesmo período de 2015, a maior queda entre os três principais aeroportos do Nordeste. No mesmo período, a movimentação permaneceu estável no aeroporto de Recife e caiu 7,9% no aeroporto de Fortaleza.  A causa, entre outras, é a demora na reforma do aeroporto, que já dura inacreditáveis quatro anos, e no Centro de Convenções, equipamento indispensável para sediar congressos, feiras e seminários.

O varejo no fundo do poçoQuem acha que a crise não chegou ao fundo do poço basta ver a queda no faturamento do varejo na Região Metropolitana de Salvador para ver que não há mais poço para cair.  No primeiro trimestre de 2016, o faturamento das lojas do varejo na Região Metropolitana de Salvador caiu 14,7% em termos reais, em relação ao mesmo período de 2015. E em alguns setores a queda é duas vezes maior. O faturamento das lojas de departamento e de eletroeletrônicos, por exemplo, caiu quase 32%, enquanto nas lojas de  autopeças e acessórios a queda chegou a 26%.

A situação é tão dramática que já se comemora o quase nada, ou seja: o ritmo de queda mês a mês em relação ao ano passado está um pouco menor.  Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Bahia, realizada pela Fecomércio-BA, Secretaria da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico.