ARTIGO

Cuidando da saúde mental das mães no ambiente corporativo

No Brasil, as mães estão lidando, não apenas com suas responsabilidades profissionais, mas também com uma carga desproporcional de obrigações domésticas

Publicado em 15 de maio de 2024 às 05:00

À medida que celebramos o Mês das Mães, é fundamental refletir não apenas sobre o amor e a dedicação materna, mas também sobre os desafios enfrentados no ambiente de trabalho. O sentimento de culpa e responsabilização das mães em relação ao trabalho com seus filhos são um fator importante para que 97% se sintam sobrecarregadas quase todos os dias da semana, enquanto 94% relatam sentimentos de desgaste emocional. Essa pressão constante pode levar a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, segundo estudo conduzido pelo Instituto Ipsos .

No Brasil, as mães estão lidando, não apenas com suas responsabilidades profissionais, mas também com uma carga desproporcional de obrigações domésticas e de cuidado com os filhos, o que pode ter um impacto significativo em sua saúde mental e bem-estar.

Outra pesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Mulheres de Negócios em parceria com o Instituto Locomotiva, mostra que 82% das mães brasileiras se sentem sobrecarregadas com as tarefas domésticas e de cuidado com os filhos. Equilibrar essas responsabilidades com as demandas do trabalho pode ser esmagador e exaustivo.

Durante o período de férias escolares, as preocupações com seus filhos aumentam ainda mais. Uma pesquisa da Todas Group descobriu que 84% das mulheres que são mães se preocupam mais com seus filhos durante as férias escolares, o que pode afetar diretamente seu desempenho no trabalho e sua saúde mental. Buscar por creches e escolas são um desafio para as mães, que sofrem neste período um aumento de estresse.

Além disso, temos os desafios adicionais no local de trabalho devido à desigualdade de gênero e à discriminação. De acordo com o IBGE, as mulheres trabalham pelo menos oito horas a mais por semana do que os homens, cuidando da casa e dos familiares. Além disso, uma pesquisa divulgada pela FGV mostrou que metade das mulheres entrevistadas perdeu seus empregos após a gravidez, e um levantamento do InfoJobs revelou que 51% das mulheres já sofreram algum tipo de preconceito dentro do ambiente corporativo.

Diante desses desafios, as empresas têm um papel crucial a desempenhar na promoção da saúde mental das mães no local de trabalho. Programar políticas e programas que reconheçam e abordem as necessidades específicas que são essenciais para criar um ambiente de trabalho mais inclusivo e solidário.

Uma maneira pela qual as empresas podem apoiar suas funcionárias é oferecendo flexibilidade no trabalho. Opções como horários flexíveis, trabalho remoto e licença parental remunerada podem ajudá-las a equilibrar melhor suas responsabilidades profissionais e familiares.

Contudo, é fundamental promover uma cultura organizacional que valorize a diversidade, a inclusão e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Isso inclui combater o estigma em torno da maternidade e criar um ambiente seguro e confortável.

Ao priorizar a saúde mental delas, as empresas não apenas beneficiam suas funcionárias, mas também promovem uma cultura de respeito, igualdade e apoio mútuo, onde todos se beneficiam.

Neste mês comemorativo das mães, vamos honrar não apenas o amor e a dedicação, mas também trabalhar juntos para garantir que elas recebam o apoio e o reconhecimento que merecem no local de trabalho.